Como tenho vindo a demonstrar em várias publicações, estou (eu e milhares de portugueses) em completo desacordo com a introdução do digital nas provas de aferição do primeiro ciclo.
Subscrevo na integra a opinião que o professor António Carlos Cortez manifestou neste vídeo que aqui publico.
Será a estupidificação das massas condição medular para o progresso da humanidade?
(vídeo SIC Notícias)

estou (eu e milhares de portugueses) em completo desacordo com a introdução do digital nas provas de aferição do primeiro ciclo
Mas a Dulce (e esses milhares de portugueses) é professora, ou tem alguns conhecimentos especiais sobre a matéria, que lhe permitam afirmar que as crianças têm especial dificuldade com provas digitais?
O Ministério afirma que efetuou testes, sobre muitos sujeitos (isto é, crianças), de provas em formato digital e não-digital, tendo verificado que os resultados dos testes eram, estatisticamente, independentes da forma como os testes eram realizados.
Se o Ministério efetuou testes da sua ideia, e verificou nesses testes que a ideia funciona, que tem a Dulce, ou os milhares de outros portugueses, que protestar?
Eu o que detesto é pôr-se em prática ideias sem anteriormente as ter testado, como fez o ministro da Educação do governo PSD-CDS em, salvo erro, 2012, fazendo atrasar o incício do ano letivo em algumas semanas. Agora, se a ideia foi testada e se verificou não ter impacto negativo, não temos nada que protestar!
Qual Ministério? O da verdade? Deu-se ao trabalho de ver/ouvir o vídeo por acaso ?
Blablablabla, como de costume. As crianças não devem ser cobaias de delírios progressistas. No meu tempo, as aulas começavam a 7 de Outubro e isso não comprometia a aprendizagem. Quando quiser exemplificar dislates, dê exemplos que façam sentido e expliquem o atraso no ensino e não no calendário.
Qual Ministério?
O da Educação.
Deu-se ao trabalho de ver/ouvir o vídeo por acaso?
Não. Dura oito minutos, não enho paciência para tanto.
No outro dia ouvi o ministro da Educação a dar uma curta entrevista sobre este tema na rádio. Ele explicou o essencial: que o ministério testou, de forma científica (com diversas crianças, de diversos backgrounds, umas a fazer uma prova em formato digital, outras a fazer a mesma prova em suporte físico), as provas em formato digital, tendo-se constatado que os resultados das provas eram (estatisticamente, claro, há variações entre as crianças) os mesmos, independentemente da forma (digital ou em papel) como o teste era efetuado.
delírios progressistas
Não se trata de progressismo. Trata-se de eficiência. Um teste em formato digital pode ser instantaneamente corrigido e classificado por um computador, dessa forma poupando-se ao erário público centenas de milhares de euros a pagar a professores para corrigirem os testes. É muitíssimo mais prático, os alunos ficam a saber a sua nota em poucos minutos ou horas, a correção nunca tem erros e fica muito mais barata.
Pois claro! A eficiência é tanta que até transborda.
O balio faz ideia da qualidade da net e dos computadores na maioria das escolas?
“Porém, se o ministro diz”… deve funcionar 5 estrelas.
Ai há milhares de euros a pagar aos professores?! Há vários anos que corrijo exames nacionais do secundário e não recebi nem um euro…
O balio fala sem saber, Cristina. A minha filha corrige as provas que lhe são atribuídas em horário extra laboral e nunca ganhou fosse o que fosse por isso.
Para o balio robotizar crianças do 2° ano e matar velhos devia ser de lei…
No meu tempo, as aulas começavam a 7 de Outubro e isso não comprometia a aprendizagem.
Pois, havia férias grandes intermináveis.
Na Suíça as aulas começam ainda em agosto.
As aulas começavam em 7 de outubro porque nesse tempo as crianças eram supostas trabalhar na agricultura, nomeadamente ajudarem os pais nas colheitas, e setembro é um mês muito atarefado nesse campo.
Mas agora a agricultura já é tarefa de muito pouca gente, e não faz sentido regular o calendário escolar em função do calendário agrícola.
Ao calendário agrícola seguiu-se a reforma agrária e vê-se – e sente-se também-até onde isso nos levou.
E se quer fazer mais comentário, veja o vídeo e comente o que se lá diz. Não se limite a ser mais um papagaio do regime.
se quer fazer mais comentário, veja o vídeo e comente o que se lá diz
Comecei a ver o vídeo, com paciência, e apercebi-me de que o entrevistado não estava a falar sobre o formato digital das provas e sim sobre outras coisas: a capacidade de escrever, a capacidade de ler, as Humanidades, etc, ou seja, nada que tivesse a ver com o conteúdo deste post, que é o formato digital das provas. Então, desisti de ver o vídeo.
Eu repito, provas em formato digital têm a enorme vantagem de serem fáceis, rápidas e baratas de corrigir, o que é uma enorme vantagem para o Ministério, e também para os alunos, que ficam a saber imediatamente que nota tiveram. Naturalmente que alguns professores, que estavam habituados a ganhar uns dinheiros extra para corrigirem as provas, ficam chateados, mas isso, temos pena.
Agora, concedo que provas em formato digital não são apropriadas para testar a caligrafia nem a capacidade de redação dos alunos.
As provas em formato digital têm a enorme desvantagem de inibir o cálculo mental e bloquear a escrita sem erros. Ponto final.
Que um funcionário público apoie é compreensível, já que têm todos a fama de serem relapsos e activos cumpridores da lei do menor esforço.
As crianças são sempre cobaias de delírios progressistas.
Quem é que acabou com as escolas técnicas? Quem é que meteu o ensino unificado? Quem é que meteu o português A e o português B? Quem é que substituiu a matemática por métodos quantitativos?
Isto sim é que foram delírios progressistas e que atrasaram, e muito, o desenvolvimento dos alunos. Responsabilidade? Ninguém tem, como sempre.
IT’S ALIVE!!
Então? Estava com saudades do parvo, era?
Sódade, sódade… quem é vivo, sempre aparece, seja para massacrar ou não.
difícil ser + estúpido
2 linhas paralelas encontram-se no infinito
Pressupõe-se que sim. Não se conhece todo o infinito por ser… infinito, certo?
Falei há dias com uma professora do secundário, de quem tinha uma opinião acima de neutra e concluí que todo este trajecto que o professor António Carlos Cortez descreve como de estupidificação, está já muito enraizado dentro do sistema e apenas uma minoria se atreve a dizer que “o rei vai nu”. Mudar de trajectória é urgente, mas não sei como será possível, se a maioria dos professores, como é o caso desta professora que referi, se sente tão confortável com a situação.
Todos querem escolher um restaurante, ou um hotel, a partir das avaliações publicadas no Google, mas eles não podem ser avaliados. O próximo passo será deixarem de avaliar os alunos. Depois disso ficarão entretidos num lazer dito lectivo, enquanto exigem que o mundo lhes traga felicidade.
Avaliar alunos dá uma imensa trabalheira, Paulo. E depois há quem tenha vocação para ensinar e há o resto.
Em que escola lecciona?
Já cá faltava o mantra sobre os professores não quererem ser avaliados.
Tenho para mim que a avaliação dos professores é uma espécie de pescadinha com o rabo na boca, e não vai mudar nada.
“Será a estupidificação das massas condição medular para o progresso da humanidade?”
Não Maria Dulce, mas é condição medular para perdurar as maiorias do PS.
Parece que sim, Francisco. Já houve outros disparates na Educação durante os últimos 25 anos nossa história recente, mas nada se compara a isto. O embuste de proporcionar oportunidades iguais cai por terra quando cerca de metade das crianças não tem, nem o seu, nem acesso a qualquer computador.
Concordo 100% com o professor Cortez. Sou prof. Universitária há mais de 30 anos e, há cerce de 10-15 anos que a maioria dos estudantes chega muito mal preparada. Não sabem interpretar um texto, ficam chocados quando têm de apelar à memoria (não existe conhecimento sem a sua memória) não têm noções básicas de história, nem qualquer pensamento critico ou algo que se pareça a criatividade. Não estudam nem acham que o têm de fazer. Resultado: temos de diminuir a exigência. São infantis, irresponsáveis e egocêntricos. Cada vez com mais problemas psicológicos, sempre com atestados médicos, em especial quando têm de apresentar trabalhos. Tive uma estudante de mestrado que, com a dissertação escrita e pronta a entregar, desistiu num estado de ansiedade causado pela ideia da defesa pública.
É evidente que existem bons estudantes, cada vez em menor proporção. Alguns sofrem de bullying por parte de colegas. As universidades reagem, aumentando o facilitismo, a infantilizacao e responzabilizando os professores. Ja estamos a assistir e a sentir os efeitos nas supostas elites. E isto vai piorar, não tenho dúvida.
Cumprimentos,
Catarina Silva
Muito obrigada por participar e ajudar a clarificar a caixa de comentários deste postal, Dra. Catarina!
Subscrevo na integra.
ficam chocados quando têm de apelar à memoria
Eu o que tenho ouvido é precisamente o oposto: que a maioria dos alunos que têm sucesso e que, finalmente, chegam à Universidade são aqueles que decoram tudo, mesmo que percebam pouco ou nada. Para os alunos atuais, o apelo à memória é um reflexo, uma condição para o sucesso. Os alunos aprendem tudo com recurso à memória.
Mas se calhar estou enganado.
Para memorizar ( ou decorar) é preciso estudar e perceber o que se está a estudar…
‘a estupidificação das massas condição medular para o progresso’ dos medíocres que se arvoram em seus guias.
A mediocridade faz parte da governação deste país há muitos anos…
Todos os dias assistimos a uma nova situação de embaraço social em torno da classe política. Ou em torno da esfera do Estado. e-dosos?seccao=Opiniao_i
Os negligentes, aqueles que passam à frente nas filas da seriedade, os que abusam do poder, os que usam a causa pública para enriquecer os seus bolsos fazem perdermos a esperança na credibilidade e honestidade da causa pública continuam aí. São Governantes. São Ministros. São Deputados. São Presidentes de Câmara. Daqui https://ionline.sapo.pt/artigo/799859/m
Os governantes sempre se ” encheram”, de um modo ou de outro, por nepotismo, favores, jobs for the boys ou socraticamente, mas nunca se viu um abandalhamento tão grande de poderes como agora. Ninguém sabe, ninguém ouviu, ninguém viu e só falam porque tem de ser…
“Será a estupidificação das massas condição medular para o progresso da humanidade?”
Anime-se não é só cá, é a nível mundial. Veja o caso da pandemia, por aí pode avaliar o efeito da estupidificação das massas. Alguém parou para pensar? Aliás quem é que se atrevia a ir contra a corrente?
Não é a introdução de uma nova aprendizagem que vai atrofiar as criancinhas o que realmente atrofia é esta política do bota abaixo sem apresentar qualquer solução alternativa que não seja a eliminação pura e simples.
Animo-me por não ser só por cá?
Rala-me imenso a estupidificação dos espanhóis, por exemplo, que são maioritariamente estúpidos por natureza. ¡Olé! Ver a minha neta labutar para escrever meia dúzia de linhas em quase duas horas e ficar apavorada sempre que se engana porque pensa que não é capaz, deixa-me horrorizada. Tem 8 anos caramba! E nem lhe posso dizer que mande aquela estupidez toda às urtigas, que não tem valor qualificativo para transitar de ano, porque lhes incutiram esta paranóia e porque seria desautorizar um professor, e isso seria impensável.
Um exemplo: Fico a pensar porque raio é que lhe compro livros e lhe peço que me conte as histórias depois de ler, se pode ir online e encontrar um resumo de 10 linhas? Como se aprende a escrever bom português se o Word tem corrector e MANDAM APRENDER A USÁ-LO?
Não existe política de bota abaixo, apenas bom senso, que é o que falta à classe governativa.
Como é que era no nosso tempo?
Eu ainda andei na telescola, eram proibidas as máquinas de calcular. O bulling era resolvido à chapada. Quem é que se preocupava se ficávamos mais estúpidos ou não? Eram outros tempos. Não se lembra dos velhos na altura dizerem que a mocidade (nós) não sabia nada e que a quarta classe deles valia tanto quanto um curso superior.
Assim como nós nos adaptámos, também os miúdos vão ter de se adaptar. O futuro é digital, a transformação é muito mais rápida e é natural que agora sejamos nós os novos velhos do Restelo.
Numa coisa acertou: Aprendi mais na minha 4a classe com uma professora fantástica , em matérias como o português, matemática, história, ciências, geografia e cultura geral, por assim dizer, do que muitos miúdos e graúdos com cursos superiores, que actualmente escrevem com erros e vergonhosamente os publicam nos media.
As crianças têm muito tempo para serem seduzidas e alienadas pelo digital, como nós fomos ou não estaríamos aqui a trocar galhardetes. Não precisam engolir ” sapos cegos” com 7 e 8 anos, e andarem inquietas com uma obrigação cujo único objectivo é a correcção mecanizada e não fastidio-cansativa das provas dos alunos.
A minha filha mais velha é professora e eu sei o que é vê-la, como tantas outras e outros , claro, chegar com braçadas de provas aleatórias para corrigir, o tempo que consome e o trabalho que dá. Só que a minha filha também não entende esta ideia peregrina. Talvez porque não é funcionária pública?
A minha filha mais velha é professora e eu sei o que é vê-la chegar com braçadas de provas aleatórias para corrigir, o tempo que consome e o trabalho que dá.
Exatamente. Precisamente por isso é que atualmente se faz – mesmo nas melhores universidades! – testes com resposta múltipla em formato digital. Os alunos ou estudantes colocam cruzinhas (no computador) nas respostas que lhes parecem acertadas, e no fim o computador automaticamente corrige o teste e atribui a classificação. Basta premir um botão e em menos de um segundo todos os testes estão corrigidos e todas as notas estão atribuídas. Pessoas como a sua filha ficam sem esse trabalho chatíssimo para fazer.
Tenho um filho que estuda numa das mais prestigiadas universidades deste país, e todos os testes e exames que ele faz são em formato digital.
É claro que há certas cadeiras e certos saberes que dificilmente são testáveis desta forma, mas eles são mais exceções do que norma.
Balio, apesar de não estar completamente de acordo, consigo entender que estudantes com 17, 18 ou 19 anos, já com idade de votar, portanto, que frequentam as “mais prestigiadas universidades deste país” e as outras também, possam fazer testes e exames em formato digital. Não consigo conceber que obriguem crianças com 7 e 8 anos a passar por este tipo de violência psicológica. É completamente ilógico. Os seus filhos com 7 e 8 anos faziam exames num computador?
Não consigo conceber que obriguem crianças com 7 e 8 anos a passar por este tipo de violência psicológica.
Oh Dulce, eu também não consigo conceber. Porém, se o ministro diz que efetuaram testes digitais com crianças reais, de carne e osso, e que, nem elas se queixaram, nem esses testes digitais exibiram resultados nem especialmente bons nem especialmente maus, então eu sou obrigado a acreditar.
Há coisas que a Dulce e eu não conseguimos conceber, porém são verdadeiras.
Se o ministro viesse dizer que ia efetuar testes digitais sem nunca ter testado essa ideia, eu repudiá-lo-ia completamente, e diria, como a Dulce, tratar-se de uma violência psicológica e de péssima pedagogia. Mas se o ministro afirma que já testou o método, que ele funcionou e que as crianças não se queixaram, então eu vejo-me forçado a retirar as minhas objeções.
Os seus filhos com 7 e 8 anos faziam exames num computador?
Não. Mas o facto de não se fazerem testes com computador na escola primária há dez anos não significa que seja impossível fazê-los.
Há dez anos também não havia nómadas digitais nem pessoas a trabalhar a partir de casa, apesar de já nessa altura haver meios tecnológicos para o fazer. Nesse tempo pensava-se que uma tal organização do trabalho seria impossível. Mas agora faz-se correntemente! Coisas que há dez anos se pensava serem impraticáveis, atualmente estão na moda.
“Porém, se o ministro diz”… nem entendo como uma pessoa esclarecida ainda consegue acreditar nestes trafulhas. Garantidamente as crianças que participaram no ” estudo” não foram seguramente introduzidas no mesmo ambiente, de turmas sem computadores ou com um para cada 10, ou cada 5, porque a realidade é esta. Quem sabe nem lhes disseram que do seu desempenho dependiam os resultados das provas de aferição… “Porém, se o ministro diz” … deste governo todos os ministros são uns trafulhas. Como disse há uns posts atrás, nada me admiraria se estivéssemos à beira de mais um escândalo, desta vez com PCs, porque a entrega e distribuição dos equipamentos tem sido vergonhosamente a conta-gotas… o PC que atribuíram à minha neta não tem wi-fi a funcionar. Se quisermos que funcione, temos de pagar.
Mas “Porém, se o ministro diz” , deve estar tudo bem, não é?
Se a Dulce parte da premissa de que todos os ministros são uns trafulhas, então não há dúvida de que, seja o que fôr que o Governo faça, fará mal, e portanto, em particular, os testes digitais serão uma coisa má.
Eu não parto dessa premissa. Eu acredito que, sem dúvida que há muita trafulhice, mas também há muita coisa bem feita, com seriedade e honestidade. Se o ministro afirma que testou a ideia, de forma científica e meticulosa, e que ela funcionou, então eu dou-lhe o benefício de acreditar nele.
Neste governo é preciso duvidar. Neste governo” O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.
Ainda não vi nada de bom, balio. Infelizmente.
“Ainda não vi nada de bom, balio. Infelizmente.”
A reposição do 13° mês, não foi bom?
A anulação do imposto extraordinário, não foi bom?
O aumento das pensões, não foi bom?
Trafulhas há em todo o lado não é só neste governo, se pensa que outro governo faria melhor, veja a operação tuti fruti e ficará com uma ideia de como as coisas funcionam em todos os partidos. Compete-nos a nós escolher aquele que menos mal nos faz.
Pois, foi tudo fantástico, e agora estamos a pagar as fantasias. Por acaso eu sempre disse que, como diria a minha avó, vamos pagar tudo com língua de palmo. Com isto não quero dizer que os outros partidos é que são bons e fariam melhor, até porque nem da gávea mais alta há terra à vista, mas estes só dão tiros nos pés. É cada tiro, cada melro.
Conhece uma música dos Deep Purple chamada ” Child in Time”? … wait for the ricochet…
Que fantasias é que estamos a pagar que outros europeus não estejam?
Em termos de crescimento estamos acima da média europeia. Não acha estranho agora que a economia começa a dar sinais, que numa comissão de inquérito à TAP se fale de tudo menos da TAP?
E já agora, alguma vez foi importante saber quem é que telefonava para o SIS ?
Chegámos a um ponto em que a corrupção está generalizada, ninguém tem telhados de vidro. Tirar uns para lá meter outros só nos prejudica. Tiramos um só partido para lá meter um saco de gatos como nos Açores.
A TAP sempre foi o elefante na sala…
Ninguém tem telhados de vidro? Pois eu estou convicta que a indústria vidreira deve estar muito em alta . E o problema aqui já nem são “estes” que já os conhecemos de ginjeira, são ” os outros”, porque nesta altura não há disso por cá.
Platão e Sócrates abominavam os sofistas como por exemplo, Protágoras que a Maria Dulce cita. Acusavam-nos de serem relativistas e darem muita importância ao vil metal. O relativismo pode ter consequências muito graves. Acho que há coisas objectivamente certas e coisas objectivamente erradas.
Como em tudo na natureza dos homens e das coisas, Bal.
Provavelemente as cobaias vivem nos ministérios, de certeza e até devem fazer RGAs a meio do fim de semana.
Gosto um imenso do professor António Carlos Cortez; essencialmente porque, quando não concorda, o diz e apresenta os motivos. Foi meu professor e é óptimo profissional. Além disso, consegue fazer nascer entusiasmo nos alunos pelas matérias que ensina, e isto é pouco comum nos dias que correm. E digo o que vi, também já assisti à forma como leva os alunos a conferências e colóquios onde têm trabalho a fazer. Dá, mas também exige.
O que me pareceu da sua intervenção não foi tanto que os alunos de 7 ou 8 anos não sabem como teclar ou realizar uma prova digital mas sim que as provas e o ensino digital digitais inibem a verdadeira aprendizagem, o saber escrever manualmente importa, o trabalho de redigir e de pensar criticamente, também. Porque, como frisou, o ensino digital formata as mentes e a liberdade de pensamento pode não ser treinada ou desenvolvida. Ou seja, o que afirmou foi um outro conjunto de necessidades e mesmo prioridades do desenvolvimento intelectual que o digital não permite ou podem facilmente ser evitadas com este tipo de ensino. Porque toda a aprendizagem exige memória e ela tem um papel na vida dos homens. Mas não pareceu que o professor seja contra o digital e sim contra a formatação mental que limita as potencialidades da mente humana.
Contra o digital em idades verdes de 7 e 8 anos, se bem entendi e concordei, Bea. É demasiado cedo para criar dependências.
O uso de computadores pelos alunos na escola elementar deveria ser pontual. Os meninos nessas idades estão ainda a aprender as bases para que possam mais tarde usar os computadores de forma judiciosa. Ditados e composições deveriam ser realizados todas as semanas com papel e caneta. O treino da memória é absolutamente essencial e não acarreta prejuízo algum para a compreensão crítica das matérias. Tenho por evidente que já na escola primária em matemática a escrita em cursivo é absolutamente fundamental para que os alunos saibam justificar de forma sucinta e precisa os cálculos e os raciocínios efectuados na resolução de problemas de complexidade crescente. O conhecimento intimo dos números e da geometria exigem o uso do papel e do lápis; o domínio da lingua, bem como o apelo à memória, são condições essenciais para saber pensar e ser capaz de relacionar os diferentes saberes.
Quanto aos testes de resposta múltipla em plataforma digital realizados em presumíveis escolas de topo, bom, presunção e água benta cada um toma a que quer, como diz o povo. Bem podem limpar as mãos à parede, essas universidades “de topo”.
É miito cedo para criar dependências. A desculpa de oportunidades iguais é muito esfarrapada.
Aliás, devo acrescentar que por detrás desta apologia do “progresso” está a secular e atávica aversão pela ciência experimental e pelas actividades manuais tão característica do nosso atraso cultural e científico. A escrita em cursivo é uma actividade simuultaneamente manual e intelectual. Fala-se muito em computadores e pouco em laboratórios. Para ensinar matemática às crianças deve-se recorrer à experiência e aos trabalhos manuais. A título de exemplo. Medir a razão entre o perímetro e o diâmetro de objectos circulares de vários tamanhos (pi = 3.14…) ; aproximar o perímetro de uma circunferéncia por un número N crescente de segmentos de recta usando um transferidor e uma régua; recortar depois esses triângulos e dispô-los num rectângulo para descobrir, aplicando a fórmula da área de um rectângulo de lados pi*R e R, que a área do círculo é pi*R^2, etc etc …. Isto remete para ideias profundas, para a descoberta do cálculo infinitesimal, para a História da CIência (arquimedes) e para a História tout court.
De acordo.
Tem toda a razão.
Tem sim.