Enquanto decorre a novela


Paulo Sousa,

A novela da CPI sobre a TAP vai batendo recordes de audiência. Mesmo quem não costuma acompanhar os assuntos políticos, anda pregado ao écran. Cá em casa, até já se sugere que se encomendem os serviços da Daenerys Targaryen, e de um dos seus dragões, para tratar deste governo.

Ao mesmo tempo, António Costa observa, silencioso e incógnito, os combates de vida e de morte entre diferentes membros do seu governo. O mote do mestre dos analgésicos é “doa a quem doer”, desde que não olhem para ele.

O ruído mediático é tanto, que facilmente passará despercebido os números divulgados sobre o SNS. O número de utentes sem médico de família aumentou 29% num ano.

A IL propôs uma alternativa ao colapso do actual SNS e os beneficiários da ADSE desataram-se a rir.

Imaginemos que as banais e frequentes análises ao sangue, realizadas por privados que competem entre si pelo serviço, dependiam também de um qualquer centro de saúde, ou hospital. Alguém acredita que receberia por email os resultados, meia-dúzia de horas depois da recolha de sangue? Agora imaginemos que o mesmo se aplicava a uma normal consulta médica.

O enquistamento ideológico das forças conservadoras não lhes permite imaginação para tal. Eles, os ditos humanistas, estão bem e os outros que se amanhem. Os números confirmam que Portugal é dos países onde a as despesas com saúde privada mais pesa no bolso das famílias, o que mostra como é deficiente o Serviço Nacional de Saúde e como se banalizou a lógica de que uma assistência médica eficaz depende da capacidade financeira.

Hoje, o walking dead Galamba vai ser ouvido na CPI sobre a TAP. Continua a novela e por isso esqueçamos as centenas de dias necessários para se conseguir uma consulta no SNS.

17 comentários em “Enquanto decorre a novela”

  1. nem imagino o que galamba sabe do costa.
    quem não tem seguro de saúde e uns €, está na fila para ‘jazigo de família’ ou sns

  2. Com gente do nível do galamba à frente dum ministério, até quase que dá para ter saudades do Cabrita (mas só quase).

  3. É o Galamba dos blogues, o que é que estavam à espera?! De profissionalismo e competência?!
    O que é significativo é perceber como é que um tipo destes chega a ministro. E como é que o povo português, de tão miserável que é, vota nestes mafiosos do PS a troco de uns euros no final do mês.
    Nunca senti vergonha de ser Portuguesa. Até ontem. Somos a república das bananas da Europa.

    1. Se ele fosse uma pessoa com consideração por si próprio, e não colocasse o estar “no poder” acima de tudo, já não seria governante há muito.
      É exactamente por isso que lá está e é exactamente por isso que o escolheram para lá estar.

    2. Nunca senti vergonha de ser Portuguesa. Até ontem.

      Aquilo que me faz sentir vergonha de ser português são as alocuções do Presidente Marcelo. Dá-me vontade de me enfiar pelo chão abaixo de cada vez que o vejo. Marcelo faz figuras tristes, deploráveis, confrangedoras.
      O que se passou ontem foi duas pessoas a defenderem o seu, contradizendo-se uma à outra. Uma delas, possivelmente ambas, mente ou, no mínimo, exagera. Nada mais que isso. Em qualquer processo judicial sobre um acidente de tráfego observa-se o mesmo. As pessoas mentem, é tudo.

  4. A malta é engraçada e então quando se põe a ajuizar, cuidado.
    Quer dizer nas outras CPI’s, quem lá ia prestar depoimentos mentia com os dentes todos, nesta não, o Frederico é um anjinho e incapaz de meter uma peta.
    A cegueira ideológica é brutal.

    1. o Frederico é um anjinho e incapaz de meter uma peta

      Eu conheço (mal) o Frederico, por motivos familiares. É claro que não será um anjinho, mas parece-me uma pessoa bastante honesta, pacífica e decente, quiçá um pouco ingénua. Não o estou, de forma nenhuma, a ver cometer as violências de que o acusam. Sendo uma pessoa tendencialmente vegetariana, mais depressa o imaginaria a atuar com excesso de pacifismo do que com excesso de agressividade.

      1. No melhor pano cai a nódoa.
        Eu não estou a dizer que ele é o meu da fita o que eu estou a dizer é que não podemos ajuizar sem ouvir todas as partes, e mesmo assim se queremos ser sérios temos de ter alguns conhecimentos de direito senão a única coisa que fazemos é aumentar o ruído.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *