Nos escritórios do blokhaus denominado Berlaymont, na praça Schuman, em pleno centro da eurocracia bruxelense, todos se servem generosamente. Qualquer intérprete novato começa com 4190 euros por mês. Para os altos funcionários, chega-se facilmente aos 16 mil euros por mês. A isto vêm juntar-se subsídios de expatriação, abono de lar, abono de família, subsídios escolares e pré-escolares. As crianças frequentam escolas europeias privadas, financiadas pelos contribuintes europeus num montante anual de cerca de 100 milhões de euros.
Para os altos responsáveis políticos, o salário é, naturalmente, um pouco mais elevado: um comissário europeu recebe um salário base de 19 910 euros. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, mete ao bolso 304 mil euros todos os anos. A maioria dos altos responsáveis europeus recebe, além disso, um subsídio de residência. A nova Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, a britânica Catherine Ashton, recebe cerca de 323 mil euros por ano, acrescidos de complementos para o seu orçamento privado e despesas de representação. Resultado: esta senhora trabalhista ultrapassa de longe as suas colegas Angela Merkel e Hillary Clinton. Em contrapartida, muitas vezes regressa logo na quinta-feira a Londres, para ver os filhos.
Devemos, no entanto, reconhecer que os comissários europeus não são de nomeação vitalícia. Em geral, são substituídos ao cabo de um ou dois mandatos de cinco anos. Contudo, a seguir não ficam logo sem um tostão, porque continuam a receber entre 40 e 65% do seu salário de base – ou seja, cerca de 10 mil euros por mês – durante três anos, para os ajudar a “gerir a transição para o mercado de trabalho”. Mas não parece que tenham grande dificuldade em se reconverter.