Empreendedorismo.


Luís Menezes Leitão,

 

Como é bom ser empresário em Portugal, especialmente na área das energias renováveis. Anunciamos um simples projecto para criar uma fábrica de painéis solares e logo o Estado nos auxilia, acarinhando o nosso projecto. Precisa de dinheiro? Não se preocupe. O Estado disponibiliza-lhe desde já 128 milhões de euros no âmbito do QREN. Faz-lhe falta um terreno para instalar a sua fábrica? Não se preocupe. A Câmara Municipal compra já o terreno por um milhão de euros e a seguir vende-lho a si por uns módicos 100.000 €. E ainda há gente que acusa Portugal de não estimular o empreendorismo. Que enorme falsidade! Em Portugal os poderes públicos estão sempre disponíveis para ajudar os empresários empreendedores. Uma perguntinha apenas: não deveriam os mesmos sujeitar-se às regras de mercado como todos os outros e suportar do seu bolso os investimentos necessários? Não é isso o que acontece por esse mundo fora?

15 comentários em “Empreendedorismo.”

  1. Mas desde quando os intitulados e auto-intitulados empresários conotados com o poder político, sobretudo “vermelhos”, se sujeitam a regras de mercado?
    Jamais!

  2. Concordo inteiramente com o post. Aliás, sempre considerei que os dinheiros alocados ao QREN deveriam ter uma estratégia de investimento subjacente – assim como um modelo de gestão – muito diferente do que tem ocorrido.

  3. Caro Luis Menezes Leitão
    Essas práticas a que se refere são comuns em todos (ou quase) países europeus. Há mesmo argumentos económicos para isso: o benefício (criação de riqueza, impostos, postos de trabalho) pode ser superior aos custos.
    Nos países de mercado livre (EUA, Canadá, Austrália e Nova-Zelândia) isso não se passa. O estado não pode intervir.
    Não duvido que em Portugal, para além do argumento económico, também haja corrupção, compadrio, etc.
    Ouvi há alguns anos uma palestra dada por um economista americano que referia, com humor, qual a atitude que “alguém que tem um sonho” deve ter, consoante o país:

    Nos EUA: é necessário “vender o sonho”, captar investidores particulares e/ou capitais de risco. É necessário usar a palavra lucro, retorno, etc.
    Na Europa: convencer os governos, centrais e autárquicos, dos benefícios sociais que a sua empresa trará, e conseguir dinheiros públicos. É necessário usar muito a palavra social, nunca falar em lucros próprios.
    Nos terceiro mundo: estar muito caladinho e meter dinheiro nas mãos de políticos ou “influentes”.

    Talvez Portugal seja, neste aspecto, do 3º mundo, com alguns laivos europeus.

  4. É isso que acontece normalmente. Exceptuando quando existe um governo socialista (e quando se lhe junta uma câmara) liderado por sócrates cuja bandeira das renováveis servia para tudo… Até para a pior estratégia de política energética de sempre que vamos pagar anos a fio. Esta é só mais uma das heranças socialistas…

  5. Vi a entrevista que Alexandre Alves deu na TVI, onde o mesmo depois de todas as benesses que teve assume que não recebeu qualquer apoio… até aqui tudo bem.
    Depois assume que não precisa do Estado, embora tenha pedido reuniões para tal e prossegue dando lições de moral dando a ideia de que é um empresário que gosta de pagar bem aos seus trabalhadores, que é contra esta política de baixos salários e onde se deduz que a sua estratégia é que garante o sucesso… só não percebi como com tanto palavreado por que não justificou como a FNAC foi à falência?
    Nem me apercebi de o jornaliste lhe ter questionado este aspeto.

  6. Tirando honrosas e corajosas exceções, ninguém se opôs ao colossal investimento nas sagradas energias renováveis. Se alguém ousasse levantar uma voz crítica era logo apelidado de defensor dos interesses do petróleo ou do nuclear, e condenado por heresia contra a natureza. A ditadura do ecologicamente correto que transformou o ambientalismo num dogma, anestesiou a capacidade das pessoas de questionar qualquer investimento que tivesse os rótulos de “verde”, “sustentável” ou “renovável”. Os paineis solares e as torres eólicas são as catedrais da religião do século XXI – o ecologismo

  7. O poder socialista sempre apoiou o “empreendedorismo” dos amigos. Os outros é que tinham de sujeitar às regras do mercado. Este caso é um ESCÂNDALO. Ter-se-á evitado um roubo (nunca chegava a sair nenhum painel daquela “fábrica”) mas o que é mais preocupante é o desperdício sistemático do investimento do Estado. É frequente estes números, devido à falta de qualidade e escrúpulos de muitos “empresários” portugueses, que com as ligações políticas certas, conseguem sacar dinheiro ao Estado à descarada sem retorno algum para o país.

    1. Concordo com tudo o que o Lionheart diz, excepto “socialista”.

      “O poder sempre apoiou o empreendedorismo dos amigos.”

      nota: nunca fui nem sou “socialista”

  8. Isto de empreendedorismo, não tem nada! este “projecto” megalomano, não passava de mais um golpe dado por autenticos profissionais.
    Depois do que se passou na FNAC, acreditar que as pessoas ligadas a isto pudessem fazer um investimento desta natureza, ainda por cima com exigencias tecnologicas que não são propriedade deles, é o mesmo que acreditar no pai Natal.
    O ex presidente socialista da CM de Abrantes que comprou um terreno por um milhão, e depois vendeu por 100 mil, hoje é funcionario da empresa bafejada por tanta generosidade.

  9. E, depois, o empresário convida o presidente da câmara que lhe facilitou o terreno para consultor…
    E a presidenta sucessora afirma na câmara que havia garantias bancárias – que não havia…

  10. Já uma vez disse e reafirmo:

    O anafado Basilio Horta, gastou mais dinheiro em croquetes de lançamento de primeiros calhaus, do que em investimento real…
    Ele Socratres & Mendonças são os maiores embustes da história recente portuguesa!

  11. !? O Socialismo está em todo o lado.

    Veja-se os EUA. Um nome Solyndra.

    E ainda bem que esta não chegou a ser uma Solyndra.
    É que o prejuízo para os contribuintes americanos foi mais de 500 milhões de dólares.

    Como os jornalistas portugueses não querem/podem dizer mal de Obama e das renováveis nada se sabe por cá.

    O Caso Solyndra só aparece em blogues portugueses. O jornalismo português silencia o inconveniente.

    Aperitivo:
    http://www.washingtonpost.com/politics/venture-capitalists-play-key-role-in-obamas-energy-department/2011/12/30/gIQA05raER_story.html

  12. A economia e a política andam, andaram e andarão sempre de braço dado, em tudo o Mundo. A começar pelos Estados Unidos. Há milhões de exemplos de forte interacção entre empresas americanas e os seus governos ao longo da história. E é assim que deve ser, lá e cá. A economia “é demasiado importante para ser entregue entregue exclusivamente aos empresários”. Não sei se este empreendimento tem pernas para andar ou não. O que sei é que não é o facto de o Alexandre Alves ser ou ter sido “comuna” que interessa. Aliás, todo o Mundo faz alegremente negócios com a China, apesar de se tratar de uma execrável ditadura comunista. O Estado deve estimular e financiar a economia (aliás, neste caso trata-se sobretudo de verbas do QREN). A questão é saber fazer as coisas com honestidade, competência e critério.

    “Congresso norte-americano garante apoio de 15 mil milhões dólares ao sector automóvel”
    http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1056744
    http://www.lusomotores.com/index.php/automoveis/312-noticias/3991

    “Governo dos EUA assume o controle de gigantes hipotecárias para evitar colapso financeiro”
    http://www.wsws.org/pt/2008/sep2008/port-s15.shtml

    O nosso “banqueiro mais internacional”, defendeu recentemente que as instituições em dificuldades devem ir à falência, apesar de o banco a que preside (Lloyds, o maior banco britânico) ter sido intervencionado pelo tesouro britânico, que é detentor de 41% do seu capital, na sequência da crise financeira de 2008. Já este ano, pediu ao Banco Central 11,4 mil milhões de euros.

    1. “Governo dos EUA assume o controle de gigantes hipotecárias para evitar colapso financeiro”

      Mário Pereira. A Fannie Mae e Freddie Mac já eram semi estatais, foram fundadas pelo Governo dos EUA para impulsionar o mercado da habitação, foram colocadas em bolsa para terem ainda mais recursos. A sua função de estimuladores do mercado mostra até onde vai o intervencionismo estatal. Que no caso do imobiliário foi bem mais forte nos EUA que na Europa.

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