Empreendedorismo 2


Teresa Ribeiro,

Foram cinco os empreendedores cujo percurso, por razões profissionais, acompanhei de perto. Ao primeiro faltou-lhe carácter. Quando o seu projecto começou a falhar não hesitou em roubar a própria empresa para se pôr a salvo antes de declarar falência. O segundo revelava o que de  pior podemos identificar no perfil de um típico self made man. Era desconfiado, intolerante e prepotente. Ao longo de décadas, foram muitos os que passaram pela sua empresa, mas poucos os que gostaram de lá trabalhar. Resistiu décadas no mercado, mas sucumbiu à crise. Está agora em processo de falência.

O terceiro foi pioneiro em vários projectos. Tinha boas ideias, mas faltava-lhe talento para a gestão. Após diversas tentativas falhadas desistiu de trabalhar por conta própria. O quarto, um homem que ganhou muito dinheiro na especulação bolsista, decidiu investir num negócio que lhe desse visibilidade e prestígio para o qual não tinha a menor preparação. Correu-lhe mal. Para sobreviver não olhou a meios e se acabou por falir não foi à falta de bajular gente com dinheiro e influência, mas nem assim escapou ao seu destino.

O quinto é, em todos os aspectos, uma pessoa extraordinária. Admiro-lhe o carácter, a perseverança, a criatividade, o optimismo e a paixão que põe em tudo o que faz, mas é um peixinho num aquário de tubarões. A ética granjeia-lhe respeito mas não o ajuda a evoluir num mercado minado por lobbies que só deixam crescer quem tem cartão partidário ou um apelido que pertença à nossa PSI 20 social. São estes D. Quixotes que dão bom nome a uma raça de gente tão diferente entre si.

Empreendedores são como os chapéus: há muitos.

0 comentários em “Empreendedorismo 2”

  1. Não podia estar mais de acordo, com a tua definição de empreendedor, têm ideias completamente fora da caixa, mudam tudo á sua volta, mas em geral não costumam perdurar nos negócios que criam, o que têm de mais em criatividade, falta-lhes definitivamente em outras áreas, como gestão ou relacionamento. O Steve Jobs e a defunta U.R.S.S., são dois exemplos acabados, o 1º tinha um feitio que não interessava a ninguém, os segundos inventaram o tanque T34 da II Guerra Mundial, os caças MIG 15 e 25, que deixaram os Norte-Americanos á beira dum ataque de nervos nas Guerras da Coreia e do Vietnam e acabaram por se tornar os primeiros a colocar um satélite em órbita e isto numa época que os Americanos se sentiam os reis da cocada preta.
    No acabaram por implodir por não saberem gerir a economia, nem tirar proveito civil das invenções militares,
    Portanto sim, concordo que as ideias geniais são essênciais e muito importantes, mas a realidade demonstra sem margem para dúvida, que é necessário muito mais do que isso para sobreviver e persistir na selva que é o Mercado.

    1. Também há por aí gente criativa, que leva tudo à frente e sabe gerir, mas não é fácil reunir todas estas qualidades, por isso nem todos os empreendedores são aquilo que idealmente deveriam ser.
      É importante reter esta ideia para que não se confunda empreendedorismo com sucesso garantido.

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