As sondagens parecem apontar para um empate técnico entre PS e PSD nas próximas eleições europeias. Mas um empate técnico não significa necessariamente que PS e PSD dividam os louros da vitória ou partilhem os deméritos da derrota.
É certo que Vital Moreira não é José Sócrates nem Paulo Rangel é Manuela Ferreira Leite, mas a verdade é um e outro têm sobre os seus ombros a responsabilidade de marcar o rumo futuro do cenário político, embora essas responsabilidades pesem de forma diversa sobre cada um dos candidatos.
Assim, se Vital tem de manifestamente convencer que um equilíbrio político está longe de poder acontecer nos próximos meses, Rangel tem manifestamente de convencer que esse equilíbrio está a começar a acontecer.
É por isso que, em caso de empate, e por mais que os socialistas procurem desvalorizar a coisa, será o PSD a vencer estas eleições. Não que o resultado se repita necessariamente nas eleições legislativas, mas porque equilibra o jogo político e coloca, aos olhos dos eleitores e da opinião pública, o PSD e Manuela Ferreira Leite num plano de igualdade com o PS e José Sócrates.

Adolfo, concordo. Análise certeira e perspicaz do que está em causa e das consequências directas para as legislativas.
O Adolfo erra neste post porque desconsidera totalmente aquilo que está à esquerda do PS e aquilo que está à direita do PSD.
Suponhamos que – como me parece provável – o empate entre PS e PSD se fique a dever ao esvaziamento do CDS, por um lado, e ao reforço do PCP e do BE, por outro. Então, não haverá um novo equilíbrio político, ao contrário daquilo que o Adolfo afirma neste post, pois que o PSD, ainda que mais forte, estará sozinho, incapaz de realizar coligações.
O Luís erra neste comentário porque pressupõe que o PSD, uma vez equilibrado com o PS (que fica obrigado a ir buscar os votos à esquerda para ganhar), é incapaz de seduzir os eleitores do centro que votaram no PS. No fundo, o Luís acha que o PSD só pode crescer à direita. O que é errado.
O equilibrio de que falo neste post é entre PS e PSD e o que isso provoca no espectro político. Não falo em equilbrio entre esquerda e direita.
A queda é significativa
nas hostes socialistas,
é uma consequência objectiva
com discursos miserabilistas!
As esquerdas fortalecidas
e bastante combativas,
as tendências são merecidas
com campanhas atractivas.
Os populares resistem
embora com dificuldades,
os centristas insistem
contra as imoralidades.
O PSD é afirmativo
e com expressividade,
o discurso é apelativo
com base na assertividade.
Estou de acordo. A existir o empate técnico, a “mais valia” será claramente para quem não está no poder, porque apesar de todo o desequilíbrio de forças – incluindo nestas os recursos de todas as naturezas e ainda os estilos -, terá conseguido passar a mensagem e furar o ‘embargo’.
Daí que (e aqui já estou a extrapolar para o domínio das minhas convicções), nesse estrito sentido, as europeias sejam mesmo uma antecâmara das legislativas. Um termómetro sobre o estado de alma dos portugueses.
Justamente por isso é que a escolha de Rangel foi muitíssimo inteligente.
Chapeau, para o escolhido e para quem o escolheu e vê longe
(para irritação de muitos que já perceberam que dali não pingam benesses para ninguém).
Veremos.