Empate técnico


Adolfo Mesquita Nunes,

As sondagens parecem apontar para um empate técnico entre PS e PSD nas próximas eleições europeias. Mas um empate técnico não significa necessariamente que PS e PSD dividam os louros da vitória ou partilhem os deméritos da derrota.

É certo que Vital Moreira não é José Sócrates nem Paulo Rangel é Manuela Ferreira Leite, mas a verdade é um e outro têm sobre os seus ombros a responsabilidade de marcar o rumo futuro do cenário político, embora essas responsabilidades pesem de forma diversa sobre cada um dos candidatos.

Ora, o cenário político actual caracteriza-se por uma clara supremacia do PS. O sistema está desequilibrado para a esquerda e à direita existe pouca certeza quanto à melhor forma de o equilibrar.

Assim, se Vital tem de manifestamente convencer que um equilíbrio político está longe de poder acontecer nos próximos meses, Rangel tem manifestamente de convencer que esse equilíbrio está a começar a acontecer.

É por isso que, em caso de empate, e por mais que os socialistas procurem desvalorizar a coisa, será o PSD a vencer estas eleições. Não que o resultado se repita necessariamente nas eleições legislativas, mas porque equilibra o jogo político e coloca, aos olhos dos eleitores e da opinião pública, o PSD e Manuela Ferreira Leite num plano de igualdade com o PS e José Sócrates.

5 comentários em “Empate técnico”

  1. O Adolfo erra neste post porque desconsidera totalmente aquilo que está à esquerda do PS e aquilo que está à direita do PSD.

    Suponhamos que – como me parece provável – o empate entre PS e PSD se fique a dever ao esvaziamento do CDS, por um lado, e ao reforço do PCP e do BE, por outro. Então, não haverá um novo equilíbrio político, ao contrário daquilo que o Adolfo afirma neste post, pois que o PSD, ainda que mais forte, estará sozinho, incapaz de realizar coligações.

    1. O Luís erra neste comentário porque pressupõe que o PSD, uma vez equilibrado com o PS (que fica obrigado a ir buscar os votos à esquerda para ganhar), é incapaz de seduzir os eleitores do centro que votaram no PS. No fundo, o Luís acha que o PSD só pode crescer à direita. O que é errado.

      O equilibrio de que falo neste post é entre PS e PSD e o que isso provoca no espectro político. Não falo em equilbrio entre esquerda e direita.

  2. A queda é significativa
    nas hostes socialistas,
    é uma consequência objectiva
    com discursos miserabilistas!

    As esquerdas fortalecidas
    e bastante combativas,
    as tendências são merecidas
    com campanhas atractivas.

    Os populares resistem
    embora com dificuldades,
    os centristas insistem
    contra as imoralidades.

    O PSD é afirmativo
    e com expressividade,
    o discurso é apelativo
    com base na assertividade.

  3. Estou de acordo. A existir o empate técnico, a “mais valia” será claramente para quem não está no poder, porque apesar de todo o desequilíbrio de forças – incluindo nestas os recursos de todas as naturezas e ainda os estilos -, terá conseguido passar a mensagem e furar o ‘embargo’.

    Daí que (e aqui já estou a extrapolar para o domínio das minhas convicções), nesse estrito sentido, as europeias sejam mesmo uma antecâmara das legislativas. Um termómetro sobre o estado de alma dos portugueses.

    Justamente por isso é que a escolha de Rangel foi muitíssimo inteligente.
    Chapeau, para o escolhido e para quem o escolheu e vê longe
    (para irritação de muitos que já perceberam que dali não pingam benesses para ninguém).

    Veremos.

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