Emoções  #3


Maria Dulce Fernandes,

Vencer

Vivemos uma época de incertezas. Tudo o que temos como certo agora, pode ser dúbio, impreciso ou indeterminado nos minutos seguintes.

E de um momento para o outro, aquela fortaleza de determinação e firmeza que se construiu a vida inteira é abalroada pela confusão obscura da ambivalência dos dias em que tudo o que é deixa de ser e tende a oscilar no desconsolo da negatividade que continuamente nos assalta e nos arroga.

É imperativo usar todas as armas disponíveis para combater o mal dos dias, os temores, as noites insones, a ansiedade.

É sempre uma emoção ouvir  “ Nessum dorma” pela voz do Luciano Pavarotti .

Remete-me para outros tempos, tempos de paz, em que a música era união, era ternura. Era emoção.

É o desfibrilador preciso e necessário à regulação dos batimentos cardíacos e à recuperação da tranquilidade.

Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, principessa,
Nella tua fredda stanza,
Guardi le stelle
Che tremano d’amore
E di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
Il nome mio nessun saprá!
No, no, sulla tua bocca lo diró
Quando la luce splenderá!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
Che ti fa mia!

(il nome suo nessun saprá!…
E noi dovrem, ahimé, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All’alba vinceró!
Vinceró, vinceró!

 

“ Qual é o fantasma que nasce todas as noites, apenas para morrer quando chega a manhã?”

“O que é vermelho e quente como a chama, mas não é chama?”

“Qual é o gelo que te faz pegar fogo?”

As respostas estão dentro de cada um, porque a esperança não morre, o sangue é vida e o gelo derrete com a emoção da vitória.

Venceremos! Estou certa que sim.

16 comentários em “Emoções  #3”

  1. Obrigada pela música e pelas palavras, Dulce. Encontram eco dentro de cada um de nós, lembrando a esperança que faz falta. Acendem o caminho. Sabe Deus para onde. Mas fomos feitos para caminhar.
    Bom Dia.

    1. A minha bisavó Júlia, sábia e pragmática como ela só, dizia que para morrer , basta estar vivo e que para quem morre, acaba-se tudo. O fim do mundo de todos é de cada um acaba sempre por chegar, mais tarde ou mais cedo, por isso , arranquemos toda a emoção positiva possível, à vida que cada um tem.

  2. Vivemos dias tão cinzentos que facilmente nos esquecemos de tanta beleza ao nosso alcance.
    Adorei ouvir esta ária hoje que estava a precisar de um pouco de esperança prometida.
    Bom fim de semana
    Dno

  3. Não dorme não! Está,a maioria, viva e acordada! E a canalha, quando se aperceber, já viaja no camião do lixo,de regresso à sua génese…

    1. Seria interessante se assim fosse, mas o vídeo que publicita os filhos dos três tenores, apesar de bem feito e com vozes jovens de grande qualidade, não corresponde à verdade.
      O Pavarotti, por exemplo, só teve filhas mulheres.
      Qualquer um dos três tenores é um fabuloso cantor. O meu favorito é o Luciano Pavarotti.

  4. Na aldeia quando meu Pai fez 106 anos ouviram-se as badaladas do sino da igreja a anunciar a morte de um seu conterrâneo.
    AO ouvir, gracejou dizendo ” O outro lado não deve ser muito mau, pois ainda ninguém voltou para cá”
    Quase fazia 107 anos. Olhou »calmamente» para os que o rodeavam fechou os olhos e suspirou.

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