Emigrantes


Cristina Torrão,

Tiago Pinto Pais, editor do PT-Post, jornal português na Alemanha, na edição nº 341, Novembro 2022:

Na sexta-feira passada calhou conhecer, no âmbito de uma actividade profissional prestada a uma empresa lituana com actividade em Berlim, um jovem português que se mudou recentemente para a capital alemã. A equipa com que participou na actividade em causa conta com 16 elementos, que se dedicam exclusivamente à gestão das obrigações de protecção de dados dos utilizadores de uma aplicação. Em Portugal, o Paulo era o único elemento da empresa em que trabalhava encarregado de garantir o mesmo, com a consequência, bem conhecida no país, de extensas horas de trabalho adicionais sem lugar a qualquer tipo de remuneração. Em Berlim, aufere o triplo do salário líquido face à remuneração que obtinha no Porto. Como tal, refere-se com relativa indiferença às rendas elevadas nas cidades alemãs porque, no final de contas, a remuneração líquida disponível após o pagamento de despesas de habitação continua a ser, em termos comparativos, muito superior àquela que restaria na cidade do Porto.

(…)

Seria bom conhecer um governo português que se preocupasse em promover o investimento e o crescimento, em vez de motivar os seus cidadãos a procurar melhor sorte noutras paragens. No final de contas, o malvado do Passos Coelho já deixou de governar o país há 7 anos…

13 comentários em “Emigrantes”

  1. Passos Coelho deixou de governar há sete anos e Salazar há mais de cinquenta. Mas se, para tanta gente que opina e politica, o segundo ainda é culpado por tanta coisa, receio que terão de passar muitos anos até Passos Coelho também deixar de o ser.

      1. 🙂 Eu sei que ele usou a ironia. Mas cá no país, por cada um que o diz com ironia, ainda há dez que o parecem dizer com sinceridade (e quando não é com sinceridade, é por conveniência).

  2. criar riqueza para a população nunca fez parte da acção deste socialismo marxista.
    interessa-se tão somente pelos seus bóis e belezas femininas, sempre à espera de aumentar a conta bancária.
    dispõe a seu belo prazer daquilo a que chamam comunicação social

    1. “….nunca fez parte da acção deste socialismo marxista.”
      Quer dizer que fez parte doutro socialismo? Qual foi o socialismo que criou riqueza para a população ?

  3. “No final de contas, o malvado do Passos Coelho já deixou de governar o país há 7 anos…”

    É verdade, se tivessem feito a agência para a emigração como queria o Paulo Rangel a coisa estava mais organizada.

  4. Será que o Passos alteraria o hábito das empresas portuguesas, exceptuando aos cargos dirigentes, pagarem baixos salários?
    Recordo, no início do ano 2000 uma pequena empresa comercial com oito administrativos auferirem 500 euros em média e o chefe 2500.

  5. Pensava que ao Estado deveria estar vedado influenciar o mercado da iniciativa privada.
    O capitalismo português explora os seus trabalhadores e a culpa é do governo que cobra muitos impostos? Ou é o excesso de regulação da parte do governo português que leva a que as empresas nacionais paguem mal?
    Os nossos liberais não conseguem viver sem um governo “paizinho” que lhes diga o que fazer.

  6. Em Portugal usufruir das vantagens do socialismo -que até as tem- é simples e apenas exige 3 virtudes comezinhas. Aliás 1/4 do eleitorado já aderiu, diga-se.
    Ter o cartãozinho do PS, andar por ali e um apropriado “savoir faire”.

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