Emídio Rangel


fiodeprumo,

O jornalista Emídio Rangel faleceu hoje, vítima de cancro. Estava há já alguns meses a fazer tratamento e a reincidência da doença foi assumida publicamente pelo próprio em abril deste ano, em declarações à revista “Flash!”. “É muito duro lidar com esta situação outra vez. É outra vez um cancro na bexiga”, confirmou então o antigo diretor da SIC, numa alusão ao cancro que tinha conseguido ultrapassar há sensivelmente dez anos. 

O combate à doença fez com que Emídio Rangel se tivesse afastado do espaço mediático no último ano, depois de ter deixado de ser comentador político na RTP Informação. Desde aí, as últimas informações profissionais que tornou públicas foram o cargo de consultor do canal Afro Music Network para os paíseslusófonos, que aceitou no final de 2013. 

A sua carreira profissional foi iniciada em Angola – país onde nasceu -, como jornalista na Rádio Club de Huíla. Haviam de suceder-se cargos vários em que o reconhecimento pelo seu trabalho lhe valeria o convite de Francisco Pinto Balsemão para assumir a direção de informação da SIC, o primeiro canal privado de televisão em Portugal, que a Impresa se preparava para lançar. 

A liderança absoluta de audiências da SIC durante quase uma década foi uma das grandes coroas profissionais de Rangel. Mas o crescimento da TVI no virar do milénio, com o fenómeno Big Brother a potenciar o sucesso da aposta nas telenovelas portuguesas, viria a quebrar esse ciclo. E pouco depois, Rangel acabaria também por deixar a SIC. 

Depois de sair da estação, aceitou em 2001 o convite para o cargo de diretor-geral da RTP. Mas não ficou muito tempo na empresa pública e em 2002, negociou a sua saída da empresa. 

Em 2008 esteve ligado – com um grupo de outros profissionais que incluía Carlos Pinto Coelho – ao projecto de criação de um novo canal de televisão de sinal aberto, a Telecinco, onde estava previsto que assumisse o cargo de diretor. O projecto acabou, no entanto, inviabilizado com o chumbo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social aos dois projetos a concurso. 

A última iniciativa nos media em que esteve publicamente envolvido foi a tentativa de criação de um novo grupo de comunicação com o antigo administrador da PT, Rui Pedro Soares. 

Trabalhei com Emídio Rangel, quando da estreia da SIC, com um programa de entrevistas chamado “Segredos”. Guardo dessa época uma grata recordação.
Rangel era um homem polémico mas competente. Encarou a doença com uma enorme dignidade e, confesso, fui apanhada de surpresa com a notícia da sua morte. A televisão nacional perde alguém que sabia do seu ofício.

2 comentários em “Emídio Rangel”

  1. Cara Helena,

    O grande Fernando Alves, também na TSF, nos seus SINAIS, agora em férias, poderia interrompe-las para escrever uma grande cronica.

    Se tiver conhecimento de algo desse outro grande vulto da TSF, por favor, informe-me!
    Obrigado!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *