
Com o quartel-general estabelecido em Soligen, iniciámos um périplo pela Renânia do Norte: Wuppertal, Düsseldorf, Colónia…
A catedral de Colónia era imponente, maravilhosamente talhada na margem do Reno, com pores-do-sol do mais espectacular a que já assisti. Voltei lá em 1993; grande desapontamento o meu. É certo que quando somos mais pequenos as proporções mudam e tudo parece diferente aos nossos olhos, mas a catedral dos meus encantos não me pareceu grande de todo, apenas algo mais escura e mais alta, que se destacava no aglomerado de betão da paisagem urbana da cidade de Colónia.
Uma manhã, o pai madrugou com uma ideia brilhante: Então e que tal irmos almoçar a Amsterdam? Foi um toca-a-correr e a cáfila embarcou na Variant com a tralha às costas em direcção ao norte, rumo a Amstelveen, onde outros familiares nos aguardavam ansiosos.
Deslizando pelas fantásticas auto-estradas alemãs, a viagem de pouco mais de duas horas fez-se em três horas e tal, atendendo à quantidade de tralha e à população da Variant plus one.
Como todas viagens de automóvel, foi estopante… mas se valeu a pena? Claro que sim!! Elevada à enésima potência! A Holanda é um país bucólico, lindo, verde, florido, os moinhos são idílicos. E tem queijos fantásticos. O Gouda continua a ser um dos meus preferidos.
A sério que nunca tínhamos visto tanta bicicleta junta. Muitas até cestinho para cão tinham, caramba! Caminhar pela beira dos canais sim, mas com muita atenção para não ocuparmos a ciclovia, porque os holandeses são rápidos e furiosos.
E no final apoteótico dum dia em grande, a população da Variant bem equipada para as agruras do inverno no Mar do Norte, numa tarde soalheira dos idos de Setembro de 1970, com as calças arregaçadas até ao joelho, chapinhava nas águas geladas de Zandvoort, a comer arenque cru (que os indígenas ingeriam deitando a cabeça para trás e deixando deslizar inteiro para dentro da boca!), mexilhões, batatas fritas e maionese, com palitos de forquilha encimados por bandeirinhas holandesas a esvoaçar ao vento do Ártico, e gelado de mirtilo em pequenos copos de papel, deitados na areia ou sentados nuns cestinhos de verga com banquinhos dentro.
Tendo o frio como desculpa, os mais velhos perderam-se pelas noites do Dam, enquanto a população miúda se resignou a ficar em casa a assistir a desenhos animados non-stop do Tom & Jerry , dobrados em flamengo e a preto e branco, mas caramba! nós por cá tinhamos o Popeye, o Manda-Chuva, os Filintstones, o Zé Colmeia e pouco mais, e só ao domingo.
Foi a noite da luz vermelha, ideia que nos remetia de imediato para o sarampo, mas que foi deixada no limbo das coisas que eram tabu para as criaças de antes da revolução dos cravos. Foi seguramente um conceito de que só entendemos o significado mais de dez anos depois, mas naquela noite éramos apenas uns Hans Brinker, desolados e sós, com o dedo no botão da tv num bairro de funcionários da KLM junto ao Rio Amstel à espera que algum adulto viesse em nosso auxílio e nos desse permissão para crescer.

Amesterdão está na lista. E essa descrição da comida nórdica!!!!… . mnham… adoro badalhoquices, com vinagre
… e queijos… e cevada fermentada… Munique, Dulce, Munique.
Hei-de escrever sobre a Oktoberfest de Setembro, irmos todos “presos” e um alemão completamente encharcado, vomitar-me as botas todas e eu achar que tive muita sorte.
Festas Felizes, Pedro
Feliz Natal, Dulce e restante família (especialmente para o neto)
Obrigada!
Continuo a gostar. Sugiro-lhe que faça uma revisão do texto. Eu encontrei duas gralhas, uma delas que dificulta a leitura (resinou).
Aproveito para lhe desejar Boas-festas de Natal.
Obrigada Tiro ao Alvo. Já está resignado.
Festas Felizes.
Na Holanda ‘dobrado em flamengo’, não seria, antes, dobrado em neerlandês.
Todo o sul da Holanda e a zona da Flandres na Bélgica falam neerlandês, não existe propriamente uma língua ‘flamengo’, pode-se dizer que falam o holandês.
Na zona norte da Holanda, as chamadas províncias do norte, falam um holandês ligeiramente diferente, comparado ao do nosso português do norte e ao do sul, inclusive lá no sul têm ‘xj’ saloio, ex: zee (mar) tem uma pronúncia de ‘xjéí’,
É possível, sim. Na altura disseram- nos que o gato e o rato falavam flamenco, mas não lhe sei dizer na realidade se era esse dialecto ou neerlandês.
Festas Felizes
Credo ! Este corrector é mesmo levado da breca. Onde se lê flamenco, leia-se flamengo 🤣
É correcto. Poder-se-ia dizer que existe flamengo tal como se pode dizer que existe o limburgs (dialecto do Sul da Holanda).
Os belgas flamengos até costumam referir que falam “dutch” quando falam em inglês. Em holandês dizem mesmo “nederlands” e nunca referem à sua língua como flamengo (“vlaams” no original). Pelo menos na minha experiência.
Só não tenho memória de ter ouvido esse som do “xj”, mas posso ter sido eu que não prestei atenção. Tenho em geral alguma dificuldade extra com o sotaque deles, tal como tenho com o dos flamengos (apesar de ser bem mais agradável ao ouvido).
Obrigada pelo esclarecimento, João. Festas Felizes !
Não foi bem um esclarecimento, apenas umas notas curiosas :).
Obrigado e igualmente Dulce.
Ora Dulce, as gralhas não interessam nada, o que interessa mesmo é que escreveu com entusiasmo e com o coração 💖 e eu adorei ler.
Nunca tive oportunidade de viajar para o estrangeiro com os meus pais; por isso estou a gostar tanto desta série.
Feliz Natal para si e família!
Beijinho.
🎄
Maria
Em podendo escrever bem, não custa nada.


Obrigada querida Maria.
Festas Felizes e muitos beijinhos!
Maria, eu também gostei o post, tal como tinha gostado dos posts anteriores. Ao chamar a atenção das gralhas, sobretudo da que dificultava a leitura, o que pretendi foi ajudar a autora e não apontar-lhe erros, erros a que todos os que escrevem estão sujeitos.
Por favor, não deixe a Variant arrefecer. Continue, estamos a dar um belo passeio consigo. 🙂
Da Variant só me resta o regresso. Mas o pai teve outros automóveis, entre os quais um carocha cor de areia que em 1977… lá chegarei Isabel.
Festas Felizes !
Todo o tempo do mundo… para ler. Ainda por cima, vem aí um ano novinho a estrear. 🙂
E com 366 dias, Isabel. 🙂
Feliz Natal!

Maria
Sim, é bissexto. Esperemos que não traga maus augúrios, como dita a tradição popular. Certo, certo é que há mais um dia a gozar.

Feliz Natal e Excelente 2020 para as Marias e todos os restantes.