Em queda livre


Maria Dulce Fernandes,

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O Capital, o Poder e a Loucura, filhos ingénitos dos originais quatro cavaleiros bíblicos, apoderaram-se do pensar dos homens. Atulhados de ideais obsoletos e podres, debilitados pela Idade da Corrupção depois de eras de pecados em que os sete primordiais, os ditos mortais, se multiplicaram à velocidade da mutação de um SARS tresloucado e vingativo, não ofereceram os humanos qualquer tipo de resistência, deixando-se apoderar, almas negras invadidas pela Loucura do Poder que o Capital providencia aos quilolitros e cuja alcoologia ultrapassa qualquer graduação convencional e inebria até à total inconsciência.

Não há memória de tempos assim. 

Não há memória do valor duma vida humana não ter referência positiva, seja em criptomoeda, no NIKKEI, Dow Jones ou DAX: ou  está em queda livre permanente ou então é abatida, como tem acontecido desde há 147 dias, lá longe, onde as gentes são sofridas e os massacres são banais.

Vidas perdidas, esfumadas, desfeitas… vidas ceifadas antes de serem vividas… aquilo a que comummente se chama danos colaterais. 

Como poderemos ter sequer a veleidade de nos autoproclamarmos a raça superior? Nós os humanos, o único animal que mata pelo prazer do sangue e não por qualquer outro instinto inscrito no seu código genético que o impele a sobreviver? 

Assusta-me fechar os olhos e não sentir nada, nem pesar, nem raiva, só a apatia de quem já está habituado a estas corriqueirices.

 

(Imagem Google)

29 comentários em “Em queda livre”

    1. Claro que tem preço. A autora Maria Dulce quando sai de casa está sempre a por um preço na sua vida. E qual a resistência sismica da casa onde vive?

      Por outras palavras este é mais um texto, pensamento disney…

        1. Por isso afinal a Maria Dulce coloca um preço na sua vida.

          Quando faz uma viagem de carro escolhe sempre o percurso com menos risco?

          Quando voa, escolhe um avião com 4 motores ou com 2 motores – diga-se que os fabricantes de motores capitalistas reduziram drásticamente as falhas nos motores de avião que a diferença entre 2 e 4 é agora marginal. Nos anos 70-80 um avião de passageiros com 2 motores não podia fazer uma viagem entre Lisboa e Nova Iorque.

  1. Hoje tocou em mais um exemplo da falta que a filosofia faz. Na definição que graças a Deus aprendi, capital é trabalho acumulado. Com essa definição presente, não seria possível a alienação que hoje se verifica.
    Se capital fosse dinheiro, como hoje a maioria entende, então para quê duas palavras diferentes? Hoje processam-se aumentos de capital como injecções de dinheiro para cobrir prejuízos e assim se falseiam os valores reais das empresas e se distorce o mercado em favor de amigos ou de ideologias, venha o Diabo e escolha.
    A economia, em grego o governo da casa, era um conjunto de regras simples. Dizia-se com graça e verdade que o Portugal de Salazar tinha os melhores economistas do mundo: as donas de casa. Hoje temos diplomados em Ciências Económicas – que nem deviam ser ciências nem económicas mas humanas – que não previram a inevitabilidade da estagnação do crescimento após a adesão ao euro (com a única excepção entre os conhecidos de Ferreira do Amaral, um economista de esquerda, então assessor de Jorge Sampaio).
    Da mesma forma, o dinheiro, era a representação de um bem. Assim o dinheiro a circular devia ser a soma dos bens transaccionáveis. Agora e só agora é que alguns começam a perceber que o que o BCE e os bancos centrais andaram a fazer, à ordem da política e não da economia, vai-se traduzir na inflação que mais rapidamente atingiu os dois dígitos. Com os custos sociais terríveis que já os nossos antepassados tardomedievais reconheciam quando pediam ao rei que lançasse imposto mas não “quebrasse moeda”.

    1. Todos os mais proeminentes economistas do PCP previram o desastre da CE e da moeda única.
      A actual inflação é só mais um método de pôr os ricos ainda mais ricos.

      1. O PCP opôs-se à CEE porque se opunha à democracia. E a CEE não falhou até aos “saltos em frente”, moeda única, Schengen e o Tratado de Lisboa, sem aprovação popular mas apenas decisão de políticos, não eleitos uns, não mandatados os outros. O PCP acertou na moeda única por acaso ou porque um relógio parado até está certo duas vezes por dia. Exactamente como se opõe à NATO por ódio ideológico aos EUA e não por qualquer ideal de autonomia europeia.

        Nenhum membro do PCP pode ser um economista proeminente. Primeiro porque subordina a pessoa ao partido e, coarctando a liberdade pessoal, impede o funcionamento do mercado. Sem um mercado livre, fruto de escolhas individuais não há economia. Pode haver produção e distribuição. Mercado e economia não. Segundo porque é por definição, estatizante e o estatismo conduz à URSS de 1990 ou à Venezuela de hoje. Até a China o percebeu.
        O único economista com algum renome do PCP é Eugénio Rosa. Sofre de todas as limitações acima e também do apanágio da esquerda: a hipocrisia.
        Foi de tal forma evidente que que o PCP não podia incorporar economistas que os atirou quase todos para o MDP-CDE, onde não ameaçavam a ortodoxia. Dos conhecidos, foram os casos de José Tavares da Cruz, Herberto Goulart e do prof. Francisco Pereira de Moura. Silva Lopes, um “compagnon de route” nem no MDP-CDE teve assento.
        P.S. – Ia-me esquecendo que Carlos Carvalhas era economista mas obviamente, não era essa a profissão que exerceu.

      2. “A actual inflação é só mais um método de pôr os ricos ainda mais ricos.”

        Dá gosto ver um apoiante do PCP a defender o neoliberalismo que controlou a inflação nos anos 80, 90 e 00…reconhecer que isso foi uma grande ajuda para os pobres que com pouco património não têm vantagens na inflação…

  2. Mas é que somos mesmo superiores nas capacidades naturais e que desenvolvemos. Bom, no desenvolvimento já há umas manigâncias. O que nos enterra é a aplicação que delas fazemos. E lá se vai a superioridade. A responsabilidade está toda do nosso lado, não há outro a quem deitar culpas.

  3. «o único animal que mata pelo prazer do sangue»
    Sempre me irrita esta tirada por três motivos:
    – Insinua que o senciente agora em voga se pode equivaler ao amor e caridade dos humanos.
    – Afasta dos bichos brutos o que só o transtorno mental justifica no homem.
    – Finge ignorar que partilhamos com a bicharada um sentido de territorialidade, que sempre se vê reduzido à crueldade nos homens e à luta pela sobrevivência nos bichos.

    1. “Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”.

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