(AP/Adriana Cubillos)
O comunicado emitido pelo PCP, um dos partidos que sustentam a maioria parlamentar do XXI Governo, sobre o resultado as eleições parlamentares venezuelas fez-me recuar algumas décadas. O mesmo povo que deu dezassete vitórias eleitorais às “forças progressistas e revolucionárias”, algumas com acusações de fraude à mistura e violência contra os opositores políticos, resolveu, desta vez, esmagá-las nas urnas com um resultado que não deixou dúvidas a ninguém.
Do comunicado do PCP não se percebe como poderão aquelas forças, agora e até ver limitadas ao reduto presidencial e já sem o suporte das Forças Armadas, reverter a situação e encontrar “as soluções que defendam o processo revolucionário bolivariano e as suas históricas conquistas“. Não se compreende, aliás, a que conquistas se refere o PCP, se ao uso intensivo de fatos-de-treino, alguns de conceituadas marcas capitalistas, se à proliferação de filas e senhas de racionamento para acesso a bens de consumo essenciais – há dias numa reportagem televisiva uma cidadã queixava-se de há quatro meses não conseguir obter um pacote de leite – ou, ainda, se ao recurso ao nepotismo de Estado para garantir a ascensão social e a qualidade de vida dos “revolucionários” ligados ao poder chavista e madurista.
Não podendo a Venezuela mudar de povo, para grande desgosto do PCP, em especial depois da presidente do CNE (Consejo Nacional Electoral) ter saudado a demonstração de civismo e felicitado “al pueblo por la escogencia de sus representantes” e do ministro da Defesa ter afirmado que “[h]a sido un proceso impecable“, a solidariedade que manifesta servirá de muito pouco para impedir o afastamento definitivo de Maduro e da sua gente.
Leva sempre tempo, mas mais uma vez se provou que o poder não está na ponta de uma espingarda. Ainda que contra a vontade do PCP, que ainda não se apercebeu de que os calendários não pararam em 8 de Novembro de 1989, a democracia continua a fazer o seu caminho. Nos próximos meses se saberá por que trilhos seguirá.


Continuo sem perceber porque as pessoas ficam admiradas com o PCP.
O PCP sempre expôs a sua ideologia totalitária.
O PCP defende o Marxismo Leninismo, o Centralismo Democrático, a Unicidade Sindical, o que incluí o controlo dos meios de produção, o controlo politico da arte e da imprensa, um sindicato unico ligado ao partido.
Implica claro a criação do aparelho opressor para que essas coisas aconteçam.
Os exemplos que positivos que o PCP considera no mundo também são conhecidos. Vai de Assad ao Maduro passando por Castro e Putin.
Dá ideia que as pessoas querem enganar-se si próprias ignorando as profundas diferenças que existem na sociedade ou então conhecem um Comunista simpático e acham que aquela pessoa não cumprirá o que defende se tiver poder. No fundo acham-no desonesto.
Sérgio:
Aquilo (o PCP) não é gente que se cheire.
Eu sei do que falo, pois vivo há 34 anos numa autarquia de maioria absoluta do PCP (que repetiu nas últimas autárquicas de 2013 vencendo com 47,6%, mas que corresponde apenas a 17,88% do eleitorado, a abstenção foi 61,49%: o São Método de Hondt faz estes milagres).
Sei bem qual o nível dos impostos e taxas autárquicas: o IMI, por exemplo, desde que existe, em 2004, e até 2011, teve sempre a taxa máxima possível. Desde 2012 até hoje, pela crise e por pressão dos munícipes, as taxas lá foram baixando um pouquinho contra vontade, mas mesmo assim, continua muito alto: mas a receita aumentou 50% devido à reavaliação das casas que o malvado governo de «ladrões» do Passos promoveu.
O IMI no distrito de Setúbal, de esmagadora maioria de câmaras do PCP, tem tido desde sempre, 2004, a taxa média mais alta do país.
E este ano, entre as 308 câmaras, houve 217 que aplicaram o IMI Familiar para quem tem filhos.
Só uma do PCP no distrito o fez.
E vai continuar o distrito com a taxa média mais alta durante mais um ano.
As únicas câmaras que o PS tem (Montijo e Sines) aplicaram o IMI Familiar e as deste partido (o PS) ao longo dos anos (o PS já teve mais do que 2 câmaras) ainda têm sido as que tiveram taxas um pouco mais baixas.
E quanto à devolução dos 5% do IRS, nickles batatóides por parte das câmaras do PCP.
Ah grande PCP amigo dos trabalhadores e do povo (os trabalhadores pertencem a que categoria? Pelos vistos não pertencem ao povo).
Não percebo bem o golpe do Costa em puxá-los para apoiarem o governo, mas se lhe conseguir dar o abraço do urso, e se esfarelarem por aí abaixo nas próximas eleições, valeu a pena o esforço e o risco.
Mas percebo porque o PCP avançou para apoiar o governo do PS: por puro instinto de sobrevivência.
O João Madeira explica muito bem num livro em que faz a história daquela choldra, que desde 1941 apenas se guiou pelo instinto de sobrevivência.
Por isso é tão conservador, nunca quer que se reforme nada no Estado para não cortar lugares onde mete sempre alguém deles, nem que seja um secretário ou um contínuo.
E assim se alimenta indirectamente do OGE.
Tem razão, os dirigentes do PCP são, na esmagadora maioria, funcionários do próprio partido, sendo que muitos conseguem receber o seu salários directamente do Estado, ora da AR, ora das autarquias, ora dos sindicatos, sempre à custa dos impostos pagos por todos os portugueses, sobretudo os da classe média, com a conivência de muita gente que se julga inteligente.
“A democracia continua a fazer o seu caminho”.
Apesar de terem perdido as eleições agora, os chavistas apresentaram-se sempre a eleições. E mesmo com desagrado resignaram-se com os resultados.
Há qualquer coisa que leva a considerar que sempre que a esquerda ganha eleições ela é antidemocrática, e quando perde foi derrotada pelos verdadeiros democratas.
O que se diria de Maduro se ele pedisse para se alterarem as leis de modo a se poderem fazer novas eleições imediatamente. E se dissesse que as instituições resultantes destas eleições não eram legítimas. Chamavam-lhe logo um iluminado comunista.
Viu alguém considerar a vitória do Syriza anti-democrática?
O Syriza não tinha milícias paramilitares, intimidação e violência como o Chavez e o Maduro. Pelo menos no grau de intimidação.
Também até à recente “austeridade” que para a esquerda quer dizer: é mau fazer pouca dívida, cumpriu o que prometeu na campanha, que era tentar fazer o que a Nova Democracia e o PASOK tinham feito nos tempos dourados onde parecia que o cartão de crédito não tinha limite.
E a propósito é fantástico como os jornalistas intitulam anarquistas em vez de esquerdistas protestos violentos a favor de mais Estado.
Estava a pensar em partidos mais perto de nós.
Vi o PSD e o CDS, declararem antidemocrática a assembleia da república e pedirem que se altere a lei para se fazerem novas eleições, porque as de 4 de outubro não deram o resultado “certo”
Venho por este meio mostrar solidariedade aos únicos partidos legítimos em Portugal: PSD e CDS.
A ditadura fascista da Hungria estará sempre ao lado dos seus camaradas do Partido Popular Europeu.
Admiro a forma como durante 4 anos apoiaram o regime Angolano. Os petro-kwanzas valem mais que qualquer badameco a ler livros sobre a democracia.
O nosso muro já está pronto. Se precisarem de ajuda para fazer um aí entre o Norte e a mouraria, é só dizer.
PS: Fiquei com uma dúvida: vamos (PPE) apoiar o Sarkozy ou a Le Pen? Eu sei que vocês em público dizem preferir o baixinho, mas a mulher é cá das minhas. Se até eu entrei para o clube, porque é que ela não há de ser nossa camarada?