Este ano, rompendo um hábito antigo, farei férias em Agosto. Quero fugir de Lisboa – já hoje quase intransitável – na altura da grande enchente que se anuncia com a Jornada Mundial da Juventude.
Procuro o mesmo hotel onde fiquei no Verão passado, à beira-mar, a cerca de 40 km da capital. Com entrada a 29 de Julho.
Ainda há vagas. Mas pedem-me um preço absurdo: cerca do dobro do que paguei em 2022. «Efeito da inflação?», pergunto na recepção, com óbvia ironia.
«Não, é por causa do Papa.»
Questiono-me se Francisco fará ideia desta obscena espiral especulativa praticada em nome dele, que tantos exemplos de frugalidade e desprendimento material nos tem dado. É óbvio que não.
Alarguei o perímetro: vou distanciar-me ainda mais de Lisboa. A preços do ano passado, também junto ao mar. Já feita a reserva. Fico a ganhar com a troca.

a 28 de julho, como anualmente, oferecem-me casas no Nordeste e no centro da zona do Tejo por 2 semanas cada
ou seja retribuem
Espero que tenha boas férias.
O Papa Francisco sabe, mas faz prece pelo seu bondoso perdão.
O Papa tem mais em que pensar.
Há sempre o Douro, o Alto Minho, S. Miguel ou Porto Santo. São preferências muitíssimo subjectivas, bem sei (deixam Lisboa e o Algarve – o Algarve do Verão – a uma distância higiénica, desde logo, coisa para mim essencial), e não são destinos baratos. Porque já não os há, temo. Talvez por uma semana ainda se consiga coisa a preço que não seja de confisco.
Há muito que ando com vontade de conhecer a ilha de Santa Maria. Já não deve ser este ano.
Não a conheço. Apenas, e afirmar conhecê-las tem algum atrevimento, S. Miguel, Terceira e Faial. Das três, a primeira ainda a minha eleita. Se bem que o Faial, de que noutro local aqui se escreve, se revele belíssima. Por si mesma e pelas vistas do Pico.
Deve ser complicado, este ano, arranjar alojamento de férias barato, em relação ao ano passado, principalmente pela organização da Semana da Juventude e a vinda do Papa.
É bem à portuguesa e à lei da oferta e da procura, upa, upa, agora é o que vai dar.
Provavelmente o tempo continuará a ser seco no Verão e há boas e bonitas praias fluviais que talvez não sofram grande aumento com o preço/qualidade, bem pro interior para fugir à inflacção.
Nenhuma dúvida: é mesmo a lei da oferta e da procura.
Há quem não se importe de gastar o dobro pelo mesmo. Não é o meu caso.
Ja consegui oito dias em hotel idêntico ou superior a preço módico para a época do ano. Nem foi preciso procurar muito.
A lei da oferta e da procura só joga contra nós, consumidores, se nos rendermos ao primeiro preço especulativo que nos puserem à frente.
Bom dia Pedro
Concordo plenamente.
O Norte e o Alentejo, também são magníficos .
Abraço
Maria
Sem dúvida, Maria.
É uma bela desculpa, Pedro. Vou para Alvor todos os anos no início de Setembro há mais de 20 anos. A inflação tem “ajudado” na escalada anual dos preços. Este ano pedem praticamente o dobro do que paguei em Setembro passado. Não me parece que seja por influência da vinda do Papa Francisco no início de Agosto. É apenas ganância e cartelização.
Alvor está fora desse circuito da JMJ, Dulce. O fenómeno “inflacionista” ocorre na capital, nos arredores e pelos vistos abrangendo até um círculo de meia centena de quilómetros em redor de Lisboa.
Dou para alguns peditórios, mas não contribuo para a ganância de empresários hoteleiros. Muito menos a pretexto da visita papal.
Exactamente por Alvor focar fora do circuito da JMJ, é que não se entende a exagerada majoração dos preços. Até parecem hienas que se alimentam da desgraça da guerra na Ucrânia, que tirou muito turismo do leste da Europa e aplicam preços proibitivos para os nacionais. É que no resto da Europa, mesmo quem está no desemprego ganha qb para poder fazer grandes férias em Portugal. É muito triste.
A expressão ” grande roubalheira” tem vindo cada vez mais a assumir um papel preponderante no dia a dia dos portugueses. Ainda ontem a utilizei, não com grande espanto.
Pelo secretismo da praia é porque quer mesmo descansar. A 40 km era a Ericeira ou Sesimbra. Irá para o Sul ou Norte?
Não é secretismo. Falarei disso no momento próprio. Aliás costumo escrever sobre os locais em que passo férias.
Mas aqui o que me interessava era o aumento desenfreado de preços… a pretexto do Papa. Algo que me chocou. Creio que chocaria qualquer pessoa, crente ou não crente.
Procuro o mesmo hotel onde fiquei no Verão passado, à beira-mar, a cerca de 40 km da capital. Com entrada a 29 de Julho.
Ainda há vagas.
No local onde eu passarei férias há muito que deixou de haver vagas para agosto, a não ser por uma ou outra noite ocasional, jamais para uma estadia prolongada. Os sítios escolhidos pelo Pedro Correia devem ser muito seletos, para ainda terem vagas para agosto nesta altura.
Continua a haver vagas. Basta alargar o perímetro.
Fiz outra reserva, um pouco mais distante. Também à beira-mar. E a preços módicos para a época do ano e para a localização.
Nada tem de “selecto”: é entre Torres e Peniche.
Nada tem de “selecto”: é entre Torres e Peniche.
Seleta não é a localização, é o tipo de hotel. Entre Torres e Peniche deve haver hotéis de três estrelas ou menos, e esses já não devem ter vagas. Os que têm vagas devem ser os mais seletos, de quatro ou mais estrelas.
Não tem a ver com “estrelas”, mas com preços.
Muitos dos hotéis mais caros são os primeiros a esgotar.