Em louvor da sociedade


Pedro Correia,

Tenho ouvido, por estes dias, loas imensas ao Estado. O mesmo Estado, convém salientar, de que faz parte a directora-geral da Saúde, que a 15 de Janeiro declarava com todas as letras: «Não há uma grande probabilidade de um vírus deste chegar a Portugal.»

O mesmo Estado, convém não esquecer, de que faz parte uma ministra da Agricultura entretanto desaparecida em combate e que a 5 de Fevereiro – quando já havia 490 mortos e mais de 24.500 infectados na China – se ufanava perante a hipótese de o coronavírus poder vir a ter «consequências bastante positivas» para as exportações portuguesas.

 

Julgo ser tempo de elogiar não o Estado mas a sociedade. A que não precisou dos ditames estatais – incluindo a inédita declaração do estado de emergência a nível nacional, com a suspensão de direitos fundamentais – para se organizar e reagir à doença galopante.

Às empresas, aos clubes, aos ginásios, às colectividades, às igrejas (incluindo a supressão de missas e outras celebrações de culto).

Aos responsáveis da rede escolar privada que foram encerrando antes de um patético Conselho Nacional de Saúde, que ninguém conhecia, ter vindo a público, já no dia 11 de Março, recomendar que os estabelecimentos de ensino e os museu permanecessem abertos – precisamente na véspera de a Organização Mundial de Saúde proclamar o coronavírus como pandemia e de o Governo ordenar o encerramento de todas as escolas, mostrando a inutilidade daquele órgão de consulta criado sabe-se lá para quê.

 

Apetece-me, portanto, elogiar a sociedade. Onde se integram agricultores, assistentes de bordo, auxiliares de saúde, bancários, bioquímicos, bombeiros, caixas de supermercado, camionistas, carteiros, cientistas, comerciantes, controladores aéreos, cozinheiras, cuidadoras, distribuidores, educadoras de infância, empregadas de limpeza, enfermeiras, estivadores, farmacêuticas, ferroviários, informáticos, jornalistas, maquinistas, médicos, merceeiros, motoristas, operadores de máquinas, operários, padeiros, pastores, pescadores, pilotos, professores, psicólogos, revendedores, seguranças, taxistas, técnicos de informática, veterinárias, vigilantes, voluntários.

Gente que trabalha por vezes sem rede, sem horário, sem “direitos adquiridos”, sem pedir nada em troca, sem a perspectiva de poder ter emprego no mês seguinte.

Gente como vós, gente como qualquer de nós. 

50 comentários em “Em louvor da sociedade”

  1. Julgo que com esta crise iremos ver também as assimetrias brutais nos seus resultados. Mais precisamente entre quem trabalha para o sector público e quem trabalha para o privado.

    Portugal tem além de uma população envelhecida, um tecido empresarial muito frágil.

    Hoje, esforçamo-nos para “não morrer”. Amanhã faremos as contas para viver.

    1. A primeira e mais brutal dessas assimetrias relaciona-se com o desemprego.
      Todos os dias, já, muitos portugueses estão a perder empregos. Prevê-se que nos próximos meses centenas de milhares percam os postos de trabalho.
      Nenhum deles, claro, na administração pública.

      1. Não foi o que o senhor PM veio dizer ontem aos portugueses.
        Muito pelo contrário assegurou o emprego de todos mediante a disponibilização de ajuda financeira às empresas, assegurando essas a manutenção dos postos de trabalho.

          1. Para mim não preciso, estou na reforma que, diga-se em passando, não tivesse cuidado da minha vida a tempo há que tempos tinha morrido de fome.
            Mas foi o que ele disse. Ajuda do Estado às empresas, na obrigatoriedade dessas manterem os postos de trabalho. Acho que o Vorph também terá ouvido.

  2. Associo-me a esse louvor, não esquecendo que temos como Homens do leme ególatras a produzir decisões pusilânimes.

    1. Menos a jeitosona da minha vizinha.
      Fecharam o ginásio? Não importa, era o que mais faltava abdicar da minha corrida da manhã e da tarde.
      Lá passou mesmo agora ela. De fato de treino, que por sinal lhe cai muito bem, airosa e ligeira a calcar o passeio vazio na sua primeira corrida diária.

  3. Que confusão vai na sua cabeça. O Estado somos todos nós, está a citar membros do governo.

    De qualquer modo não quer Estado mas quer que o Estado mande os particulares fecharem-se em casa.Abomina funcionários públicos mas exige que o SNS trabalhe. Acha o Estado violento mas quer a polícia nas ruas. Clama pela liberdade empresarial mas exige que o Estado colete impostos para redistribuir pelas empresas.
    Tem de descobrir o que quer urgentemente.

    “o Conselho Nacional de Saúde, que ninguém conhecia, ter vindo a público, já no dia 11 de Março, recomendar que os estabelecimentos de ensino e os museu permanecessem abertos – precisamente na véspera de a Organização Mundial de Saúde proclamar o coronavírus como pandemia e de o Governo ordenar o encerramento de todas as escolas, mostrando a inutilidade daquele órgão de consulta criado sabe-se lá para quê.”

    Nunca lhe ocorreu que se calhar o Conselho deveria ter sido ouvido.

    1. Para o Estado e os seus empregados? Tudo. Os empresários, os trabalhadores por conta outrem, os trabalhadores independentes, os pensionistas, logo pagam.

      Não haverá nenhum funcionário público que não receba, na íntegra, os apoios estatais durante este período de quarentena, mais semelhante, para estes, a umas férias forçadas. Até será bom, vai dar para poupar, dizem já alguns artolas. No final da clausura voltarão às suas secretárias, ao seu trabalhinho, na maior parte das vezes, de faz de conta. Não haverá um funcionário público que perca o emprego. Quem não trabalha para o sector público poderá contar com :

      Desemprego, falência, e aumento de impostos para pagar os aumentos salariais automáticos da função pública, a ADSE, o SNS e o despesismo estatal, em nome da camarilha do costume.

  4. Concordância plena.
    E muito útil conservar a “memória histórica” das declarações produzidas por essas formas inferiores de vida ao longo desta crise – já que , com as preocupações e medos presentes , as actuações incompetentes/criminosas desta mesma cáfila se vão perdendo no tempo ( incêndios Verão 2017, Tancos,golpes de mão judiciais e um longo etc.).

    JSP

    1. Sim, nunca percamos a memória.
      Uma coisa é não manchar este período de emergência sanitária (que pode estender-se pelo menos até Junho, como o PM ontem admitiu) com tricas políticas absolutamente deslocadas, outra é lembrarmos a inconsciência e a irresponsabilidade de algumas figuras que ocupam lugares de responsabilidade e que andaram semanas ou até meses a desvalorizar o perigo.

  5. Excelente entrada.
    Estou, também, profunda e positivamente admirado com a capacidade de os Portugueses se auto-organizarem.
    Agora, resta saber quando é que o Governo diz que ninguém pagará bens essenciais à vida, como a água, a luz e as comunicações…
    Também espero que seja decretado que, todas empresas que despedirem empregados (sejam elas de que dimensão forem) aproveitando-se maleficamente desta pandemia, serão pesadamente multadas e penalizadas, em todos os aspectos: económicos, financeiros e sociais.

  6. Que no final, possamos estar todos vivos para dessa forma, fazermos nas urnas e através do voto, o merecido enterro a Costa, Marcelo e restante camarilha, banindo-os de vez do mapa político nacional.

  7. E, deixe-me acrescentar, Pedro, elogiar também os que escrevem, os que informam, os que comunicam. Por dever profissional, claro, mas também “meramente” por gosto, por impulso vital, por impulso cívico, por empatia, por partilha, por generosidade para com aqueles que mantêm a leitura virtual como uma das raras portas de acesso a um mundo exterior que hoje, e sabemos lá por quanto tempo, não lhes pertence mais.

    É bom manter alguns gestos normais, como abrir o laptop ou o iphone e ter acesso a pensamentos que nos habituámos a reconhecer como individuais e livres, e que embora hoje condicionados pelos pelos incontornáveis temas do momento, inevitavelmente, nos trazem perspectivas pessoais inteligentes, controversas, não raro divertidas. Sem o peso, a contenção e o drama, porque reais, dos canais oficiais.
    Bem hajam todos!

  8. Em tempos de ameaça séria,quem fomenta o divisionismo não presta!
    Quem presta sabe que muitas vezes se engana e tenta retificar a pontaria. Não ter dúvidas e raramente se enganar é a divisa de tratantes!
    Em muitos lados podemos ser úteis,só nos supermercados há diferentes estantes para diferentes produtos…na vida,creia, não há prateleiras para vivos!
    Tenha juízo e arregace as mangas: verá como lhe passa a má-disposição!

    1. Sabe onde pára a ministra da Agricultura? Se a vir, pergunte-lhe se ainda pensa que as mortes na China por coronavírus ainda podem ser “bastante positivas” para as exportações portuguesas.

      1. Já que estás numa onda de autocitação, podias ter citado este teu texto sobre o coronavírus:
        https://ventossemeados.blogspot.com/2020/03/saudemos-competencia-de-quem-nos-guia.html

        «Por estes dias os noticiários televisivos têm, inevitavelmente, o coronavírus como tema de abertura. À falta de um caso positivo em Portugal, que leve ao paroxismo as ansiedades das audiências, repetem-se as escassas atualizações oriundas das lonjuras asiáticas, tantas vezes quantas as necessárias..
        O sobressalto coletivo vai sendo alimentado por muito que a Organização Mundial de Saúde racionalize a situação com a evidência de não estarmos perante uma pandemia, que justifique tamanhos receios.»

        Um pouco patético, não?
        Ou pateta, melhor dizendo.

        Não te constipes, pá.

    1. Confesso-me algo cansado de autoflagelações, Isabel. A chamada “sociedade civil”, neste processo tão complexo, doloroso e com características inéditas, tem-se portado, no seu conjunto, de forma exemplar.

      De forma tão exemplar que exigiu o encerramento das fronteiras antes de elas terem ocorrido, que protestou contra a contínua atracagem de navios-cruzeiro infestados de turistas muito antes de ter sido decretada a proibição de tais desembarques, que começou a tirar as crianças e os adolescentes das escolas quando o incompetente e inútil Conselho Nacional de Saúde recomendava que os estabelecimentos de ensino permanecessem abertos, etc, etc.

      A sociedade à frente do Estado. Nisto também.
      Não merece elogio? Claro que merece.

  9. Gostaria que no final, e que este fosse próximo, se fizessem as contas.
    Desde os irresponsáveis que não queriam fechar escolas, aos tolos que viam no covid uma chance de negócio, terminando no tipo que se fechou em casa quinze dias

  10. Bem podem meter as linhas de crédito onde o sol não brilha.
    E uns layoffs de funcionários públicos? Isso é que era. Ou isso está reservado para o privado?

  11. Pronto, acabou a aventura socialista das vacas voadoras. Nos próximos tempos as vacas serão mais parecidas com aquela interpretação do barbeiro da prisão – magras e amargas.

    Smoreira

  12. Um vírus que tanto me pode infectar e matar a mim a ti e a ele, serve para alguns
    obtusos e saudosistas de passadas recentes fazerem ideologia politica.

    Eu bem vos percebo. Como têm uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma, voltam a velha táctica do divisionismo na sociedade portuguesa…no entanto o Povo Português já vos deu a resposta com o seu sentido de Responsabilidade…para mal da vossa urticaria no…bumbum.

    Eu bem vos entendo. Queriam ir à horta da vizinha mas ela não deixa, porque já vos topou a uma distância segura.

    Um abraço de muita Força e Coragem a todos os trabalhadores deste Portugal…

    James

    1. Essa da “horta da vizinha” vem mesmo a propósito de mais um dislate da simpática senhora que garantia aos portugueses que o coronavírus era uma coisa distante, lá da China, e seguramente não chegaria cá.
      Extraordinárias declarações. Como a do apelo público para todos irmos buscar legumes à “horta de um amigo”.´
      https://observador.pt/2020/03/10/dgs-nao-quer-ver-toda-a-gente-nos-supermercados-a-corrida-ja-comecou/

      Esta teve, pelo menos, o mérito de estimular a iniciativa privada, que continua a dar respostas que antecedem as do Estado: já existe um novo serviço de entrega de frescos ao domicílio intitulado precisamente “Horta do Amigo”.
      https://nit.pt/buzzfood/gourmet-e-vinhos/horta-do-amigo-novo-servico-entrega-frescos-inspirou-graca-freitas

      Valha-nos isto. E o bom humor, que nunca se perde.

  13. Este é o Estado de uma cultura socialista que se endividou até à loucura e agora numa emergência não tem recursos.

    lucklucky

  14. «Todos os dias, já, muitos portugueses estão a perder empregos. (…) Nenhum deles, claro, na administração pública.» – PC in https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/em-louvor-da-sociedade-11418551?thread=91639735#t91639735
    Palavras do PC e é assim que se percebe qual o sentido deste seu “post”, de todo esse seu «elogiar não o Estado mas a sociedade» – “sociedade”? Sim, claro, todos menos os famigerados que, como diz um dos seus muitos habituais decifradores das mensagens que ele vai colocando por aqui (só para os verdeiros iniciados na sua retórica!), «No final da clausura voltarão às suas secretárias, ao seu trabalhinho, na maior parte das vezes, de faz de conta»… sim, porque essa “malta do Estado”, mais conhecidos, hoje, por apenas “os funcionários públicos” (já alguém notou a tentativa de não fazer dos polícias, enfermeiros e médicos do SNS, etc, o que eles são: funcionários públicos!), na cabecinha estorvada de muitos dos nossos “liberais” (ie, pequenos patrões que se julgam grandes, das nossas PMEs e que não gostam de – na verdade, apenas detestam mesmo! – pagar taxas, impostos mas – principalmente as tais – outras obrigações sociais para com os “outros”… é que tudo o que ali construíram foi a seu custo; jornalistas falidos nos seus projectos pessoais, excluídos pelo/e ressabiados com, o “sistema” (eles, apesar da sua suposta superior inteligência, apenas continuam a descobrir infalíveis seguidores nas suas supremacistas posições); ou gentinha que odeia o, porque se vê ameaçada pelo, “politicamente correcto” que julga ver, ser promovido pelo “Estado”, etc, etc), “eles” acabam por se ver resumidos aos que estão para ali, numa qualquer secretária e, até pior do que no tal «de faz de conta» de que eles se queixam, na realidade, eles até apenas fazem o trabalho sujo (à imagem do que a sociedade na idade medieval tinha… dos carrascos!) do maldito “Estado”! É que “eles” são os malditos dentes das muitas rodas dessa maldita máquina que, cada vez menos até lhes impede de fazer o que querem como, por exemplo, não pagar as suas obrigações sociais, despedir os seus – como eles hipocritamente gostam de chamar de – “colaboradores” e até os que “travam”, por fim, numa suprema ironia, os que choramingam pela “miserável” ajuda que, reclamam, até lhes é devida pelo Estado… por tudo o que até fizerem pela “sociedade”, ao tal Estado que até querem ver reduzido a nada. Mas lá está, a sua lógica até é apenas racional para alguns dos tais iniciados.
    Desenganem-se os que julgam que o PC se mostra preocupado com os supostos “mártires” dos liberais: o que ele apenas exige é que, por parte do Estado haja um número de vítimas (ie, seus concidadãos desempregados, a viverem em miséria) igual ao que se verifica no sector privado e lá está, creio que até a sua mensagem encontre eco por aqui: é que ela está apenas a caminhar para entre a “aceitável” mensagem de vários discursos do Paulo Portas e a do “inaceitável” discurso do até, em tempos apoiado pelo PPC, André Ventura.

  15. De pé, ó vítimas do covid-19!
    De pé, isolados da terra!
    Da ideia o álcool já consome
    A pandemia bruta que nos encerra..
    Cortai o vírus bem pelo fundo!
    De pé, de pé, não mais bactérias!
    Se nada somos neste mundo,
    Sejamos tudo, estamos de férias!

    Refrão
    Bem unidos façamos,
    o almoço no quintal,
    Nesta terra sem restaurantes }bis
    Este novo Portugal

    PR, Primeiro Ministro, chefes supremos,
    Nada esperemos de nenhum!
    Sejamos nós que nos isolamos
    Para proteção do bem comum!
    Para não ter queixumes vãos,
    Para sair desta agonia,
    Lavemos as nossas mãos,
    Várias vezes ao dia.

    PS – Bem vistas as coisas, antes o Costa e o Marcelo, que o Trump, o Bolsonaro ou até mesmo o Boris.

  16. Quer-me parecer que a opinião que estava contra a decisão de instalar o estado de emergência está ligado ao facto de as pessoas já estarem a cumprir as medidas que foram tomadas.
    A declaração do estado de emergência tornou-se inevitável por uma questão política: com o número de casos a aumentar e os primeiros óbitos a aparecerem e a crescerem diariamente, seria um suicidio político não declarar o que quer que fosse.

    Deste postal salva-se a não-referência a Cuba: também ia parecer mal, logo agora que este país enviou um contingente de profissionais de saúde para ajudar a situação de desastre em Itália.

    1. A grande maioria dos países não decretou estado de emergência – o que restringe direitos fundamentais – sem deixar de dar combate ao coronavírus.

      É muito perigoso desvalorizar estas coisas.

      Quanto a Cuba, vive em confinamento permanente há décadas.

      1. Claro que é perigoso desvalorizar e os números da hecatombe em Itália e Espanha estão aí para o mostrar. Ou me engano muito ou o Brasil e os EUA ainda vão fazer o caso italiano parecer um pequeno acidente. Espero enganar-me.
        Parece-me que a desvalorização do que estava a acontecer foi mundial. Depois é que aparecem os totalistas de 2a feira do Euromilhões.

        As declarações dos responsáveis portugueses revelam-se agora infelizes. Não me diga que se devia ter declarado o estado de emergência em Janeiro?

        1. Essas declarações não se “revelam agora” infelizes. Revelaram-se logo nesses momentos. Nomeadamente as da ministra da Agricultura, ao congratular-se perante a hipótese de o coronavírus poder vir a ter «consequências bastante positivas» para as exportações portuguesas. Num momento em que já havia 490 mortos na China.
          https://eco.sapo.pt/2020/02/05/coronavirus-pode-ter-consequencias-positivas-para-portugal-diz-ministra/

          Foram tão infelizes que desde então a senhora não voltou a prestar qualquer declaração aos órgãos de informação.
          Anda desaparecida. E não se perde nada com isso.

          Quanto ao estado de emergência, serei certamente o último destinatário de tal pergunta. Na medida em que critiquei sem reservas esse cenário. Preencher o totobola à segunda-feira não faz o meu género.
          https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-degrau-do-alarme-ao-panico-11405812

  17. Não vou assumir nenhuma defesa do governo mas também não vou fazer nenhuma crítica. Apenas quero deixar uma questão.

    Esta situção de saúde começou em Dezembro na China e, suponho, terá sido acompanhada pela OMS. Entre essa altura e o início da escalada na Europa a OMS só declarou pandemia quanto já não era possível evitar a escalda da doença.

    Neste intervalo de tempo o que foi dito aos governos do Mundo pela OMS é que eu gostava de saber.

    O que me parece é que (desculpem o termo) foram todos apanhados com as calças na mão e a avaliar pela abordagem americana, brasileira ou inglesa, parece-me que a OMS terá desvalorizado e muito, o problema.

    Parto do princípio que os governos Europeus e a comunidade médica europeia não serão todos uns ignoros, imbecis ou estúpidos pelo que as declarações que são apontadas neste texto, terão sido uma imbecilidade de quem as produziu ou tinham informações muito diferentes da que temos hoje?

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