Andou o país inteiro a zurzir na PSP pela apreensão de um livro cuja capa reproduz um quadro de Courbet, mas refugiou-se no mutismo quando se tratou de sair em defesa de uma escritora portuguesa.
A GNR entra inopinadamente em casa de uma escritora de reconhecidos méritos, elogiada por milhões de portugueses pela qualidade e densidade programática da sua obra, e ninguém se revolta?
Ainda por cima a GNR entrou em casa da escritora num momento impróprio pois, como declarou aos jornalistas que expectantes a aguardavam à porta do Tribunal, onde chegou num jeep, devidamente escoltada, “Estava a vestir-me quando chegou a GNR”.
Considerada pela imprensa como a revelação literária de 2007, aplaudida em alguns meios judiciais que lhe concederam o direito a gozar de segurança privada e aclamada pela opinião pública, a escritora foi ouvida no tribunal do Bolhão, no Porto, onde normalmente são julgados alguns casos de pilha-galinhas.
Exigia-se que o tratamento indigno a que esteve sujeita a vencedora do Prémio Literário “Vidente do Monte da Virgem” fosse, no mínimo, alvo de uma forte reacção por parte da Sociedade Portuguesa de Autores, mas aquela entidade remeteu-se a um silêncio comprometedor.
Valha-nos a imprensa isenta e defensora dos valores culturais portugueses, como o 24 Horas, o Correio da Manhã, ou “A Bola”, que em momento oportuno denunciaram este tratamento aviltante a que a GNR sujeitou Carolina Salgado, a escritora da Nação benfiquista, “fetiche” de João Botelho, Luís Filipe Vieira, e do “Barbas” e muito apreciada por Maria José Morgado.

Na verdade, uma dualidade de critérios chocante! E depois ainda dizem que a “coltura ” está muito mal em Portugal. Pudera!,… com enormes vultos das nossas letras a serem assim ignorados, não vamos a lado nenhum, nem “à bola”, sequer…
Mas essa não é propriamente escritora. Ela alterna com outras actividades. É uma alternante…
Dizes que a segurança era privada, Carlos. Mas constou-me que era pública. Mesmo muito pública.
Já foi sorte a GNR não ter chegado quando a “escritora” estava a despir-se. Ou terá sido azar?
Seja como for, o tribunal do Bolhão parece-me muitíssimo adequado. 🙂
É deveras chocante essa dualidade de critérios,
o bolhão parece-me bem…
Então a GNR fez essa indignidade? Então a escritora não estava protegida pela polícia? Então não se moveu o céu e a terra e toda a nação benfiquista para vingar a humilhação da heroína? Então quase só os escribas dos títulos de A Bola e os zelotas chefes do jornal é que ensaiaram pálida reacção?
Inacreditável!…