Gosto desta foto da Nan Goldin. O pé sujo e bem desenhado da rapariga dá-lhe graça. Aliás, é o que resume a fotografia. Fico a perceber que uma planta de pé encardida pode exercer forte atracção num homem. Nota-se bem a tensão sexual entre os dois. Ela atrevida, badalhoca, displicente. Displicente na sua badalhoquice e ele a picar-se com o desleixo. Com a soberba que revela esse desleixo.
É uma imagem de assédio alternativo que encaixa bem no espírito do Doc Lisboa Digo-o sem ironia. É um excelente cartaz. E uma boa matéria de reflexão para quem gasta demasido na pedicure.


🙂
Achei dois pormenores extraordinários, Teresa. No texto e não no cartaz.
O primeiro é ler-se «tensão sexual» e não “tensão sensual”. Nada de escamotear, nada de aveludar. O cartaz convida a dizer o que é e só por dizê-lo já valeu.
O outro é o recurso à vastidão do nosso vocabulário, que nunca deixa de me tocar e que tão afunilado anda. «Badalhoca» e «badalhoquice» são impurezas do mais puro linguajar. Perfeito.
Pode ser curto e estender-se na reflexão, mas um texto à maneira tem sempre direito à garrafeira dos melhores tintos: lê-se com um copo de Vinho de Autor.
Eh!eh! Um brinde à tua verve e simpatia.
“Badalhoca” (e derivados) é uma palavra que eu adoro por ser tão expressiva e divertida.
Tem uma sonoridade que associo a pés descalços na terra. Não sei explicar de outra maneira.
Já agora (e agradecendo o teu brinde), não resisto ao ‘lead’ da notícia sobre esta exposição da Nan Goldin no Museu de Serralves. Atente-se.
«Esta é a primeira grande exposição retrospectiva da artista na Europa. Depois da sua apresentação no Centro Georges Pompidou (Paris), na Whitechapel Gallery (Londres) e no Centro de Arte Reina Sofia (Madrid) (…), o Museu de Serralves apresenta (…)»
Ou seja: esta é a primeira exposição da Nan Goldin… a seguir às três pré-ante-primeiríssimas em Paris, Londres e Madrid, que obviamente não contam. Portugal original, sempre.
Convenhamos que é mais próprio de ingleses esta tendência para ignorar as iniciativas dos outros. Vendo a coisa nessa perspectiva a atitude até tem um certo panache 🙂
Será que se percebe a ironia do meu comentário, João? É que se não, isto soa mal. Ai, ai ironia por escrito é um risco 🙂
Percebe-se perfeitamente. Até digo mais: uma das características mais marcadas dos portugueses é serem muito ‘british’! Hehe…
Bravo Teresa. “badalhoca” e badalhoquice ” caracterizam na perfeição todo o universo da foto. Excelentemente observado.
Também foram logo as expressões que me ocorreram. Obrigada, Ariel.
Por acaso, aquele pezinho badalhoco não será daquela ‘piquena’ brasileira Maitê não sei o quê? A saia, pelo menos, parece ser a dela…
A saia é igualzinha. Ele até está a dizer-lhe: “Saia dgi cima!”
Não será antes, ‘saia prá zimá’?…
Não. “Sai dgi cima” era outra série televisiva com piada e não era com a Maitê.