Em câmara ardente


Sérgio de Almeida Correia,

“O bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique recebeu hoje com “tristeza” a notícia da adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e questionou a utilidade da organização para os cidadãos dos estados-membros“

 

A CPLP morreu pela mão de Cavaco Silva e Passos Coelho para que alguns possam fazer os seus negócios com os torcionários de Malabo, como antes já faziam com a Indonésia de Suharto. Felizmente que os povos dos países que compõem a CPLP, as suas ainda incipientes sociedades civis e o seu sentido da História não nos confundem, a nós portugueses, com aquele trio de moribundos políticos que foi a Díli fazer figura de capacho. 

9 comentários em “Em câmara ardente”

  1. E viva a camarada Dilma Roussef, viva o camarada Eduardo dos Santos e viva o camarada Xanana Gusmão. Ah, e viva o camarada Xi Jinping.

  2. afinal não estamos no país dos vistos gold? tão habituado a isso, o tal “trio não-admira” nada admirado ficou com a adesão da guiné equatorial à cplp, porque o princípio que levou a essa adesão e a tem justificado é o mesmo princípio da atribuição dos vistos gold.

  3. Este caminho delineia-se aqui:

    «O entendimento entre todos os falantes da língua portuguesa e a sua divulgação constituem o instrumento indispensável na resolução de problemas de coesão social, desenvolvimento, democracia e segurança. Só assim poderemos participar, e a nossa participação é essencial na criação de um estado mundial de ordem baseada no direito e de progresso. (…) Por isso Portugal ratificou o acordo ortográfico da língua portuguesa e criou um fundo para o aprofundamento da língua nas regiões do mundo que contam com comunidades de portugueses e nos países da CPLP.»
    J. A. Pinto Ribeiro | Ministro da Cultura
    [ citado por Marco Antinossi | Agência Lusa | S. Paulo | 10-06-2008 | 16:01:33 ]

    E continua por estas sendas:

    “Considerando que, o trabalho da Fundação Geolingua – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola / CPLP&E, e que tem alcançado um grande sucesso desde 1996, com o apoio e reconhecimento de dezenas de empresas e instituições, em projectos de mútua-cooperação que estão dando corpo e alma aos fundamentos dessa Comunidade e que já existe desde 1214;

    Considerando que, este congraçamento de entidades culturais é de facto uma realidade, torna-se urgente e indispensável a promoção de um processo de auto-estima do cidadão Iberófono ao bilinguismo.

    E, para finalizar, GEOLÍNGUA poderá ser o nome adotado para ser o que as línguas criadas artificialmente não conseguiram, ou seja, ser a segunda língua de comunicação entre todos aqueles que só falam a sua língua materna.

    Estou convicto que, após as minhas pesquisas iniciadas em 1-1-1992, em Portugal, e não só, no âmbito da fundamentação científica para uma tese de doutoramento, sobre – Qual será a língua do futuro – uma espécie de “Esperanto II”, não tenho a menor dúvida que será o português, resultado de acordos ortográficos democráticos, futuros, porem, com o nome de GEOLÍNGUA – a língua da terra – um nome forte, neutro, de fácil assimilação internacional e, principalmente, o próprio nome já é um conceito e diz tudo.”

    O A. disto é Roberto Moreno, que o grupo de trabalho relativo ao acordo ortográfico da assembleia da república convidou para ser ouvido em audição.

    (Já o Dr. Vasco Graça Moura não foi convidado e teve de pedir uma audiência…)

    A língua portuguesa está nas mãos desta gente.

  4. pela mãode Cavaco e Passos? de certeza?
    é que nas actas consta a posição contra dum unico país = o governado por Cavaco e Passos.
    Ou será que me andam a mentir e eu, que não estive lá, sou o ultimo a saber?

  5. “A CPLP morreu pela mão de Cavaco Silva e Passos Coelho para que alguns possam fazer os seus negócios com os torcionários de Malabo, como antes já faziam com a Indonésia de Suharto.”

    Parece-me um bocado abuso este comentário: corrija-me se estou errado, mas não foi precisamente Portugal a exigir regras mínimas para a entrada da Guiné-Equatorial, quando a generalidade dos outros paises era assunto garantido trigo-limpo? Entre eles o lutador-pela-liberdade-mas-não-dos-outros Xanana Gusmão, que vê ali uma oportunidade de se livrar do peso da Australia no seu negócio do petróleo, nem que tenha de andar de mão dada. Uma mistura de sangue e petroleo não sai das mãos…

  6. Caro Sérgio,

    Tenho de concordar com os dois comentários anteriores: não me parece adequado criticar nem Passos Coelho nem Cavaco Silva pela adesão da Guiné Equatorial à CPLP. Pode-se criticar o facto de não termos dado um murro na mesa (e fi-lo já em dois comentários a outros posts), mas Portugal ainda foi dos poucos que tentou colocar entraves. E Cavaco, honra lhe seja feita, não aplaudiu o Sr. Obiang quando entrou na sala.

    O mais chocante no meio disto nem sequer é Timor (que é um país pequeno e tem outras considerações geo-estratégicas), mas sim o Brasil. Um país que se pretende candidato a lugar permanente no Conselho de Segurança não pode apoiar ditaduras.

    1. Caro Carlos,
      Era quem tinha a faca e o queijo na mão, quem tinha os meios para tornar o processo irreversível ou detê-lo. Entraves para “inglês ver”, peço desculpa de discordar, mas não me parece argumento aceitável quando estão em causa valores tão importantes e inegociáveis como a pena de morte ou a protecção de direitos humanos. Apontar o erro aos antecessores é desculpa de mau pagador, falta de visão e de coragem política (aliás normal nesses cavalheiros) e tentativa de limpar uma folha de serviços sofrível.
      Mas esta, como é evidente, é a minha opinião e só a mim vincula. E quanto aos ziguezagues dos outros, o problema é deles. Só eles ficarão mal na fotografia.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *