Elogio a sete deputados do PS


Pedro Correia,

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Sérgio Sousa Pinto, um dos sete

 

Nesta data em que se assinalam 44 anos do fim da perversão do ideal do 25 de Abril pela esquerda totalitária, inscrevo aqui os nomes dos sete deputados do PS que aprovaram um voto de saudação ao 25 de Novembro na Assembleia da República:

Ascenso Simões

Hortense Martins

João Ataíde

João Paulo Pedrosa

Marcos Perestrello

Paulo Cegonho

Sérgio Sousa Pinto

 

Cumpre salientar que estes parlamentares socialistas honraram a melhor tradição histórica do seu partido, contrariando a orientação de voto da bancada, que os mandava imitarem o gesto de Pilatos, abstendo-se.

Os restantes acobardaram-se. Faltou pouco para alinharem com o PCP, o BE e o Livre (e a deputada socialista Isabel Moreira) na condenação do 25 de Novembro. Como se nada soubessem das lições da História.

Acontece que a 25 de Novembro de 1975, data crucial para o estabelecimento da democracia em Portugal, o PS de Mário Soares, Maria Barroso, Salgado Zenha, Jaime Gama, Sophia de Mello Breyner Andresen e Manuel Alegre não se absteve: estabeleceu uma linha fronteiriça entre a democracia representativa e a extrema-esquerda política e militar que queria implantar em Portugal a réplica de uma ditadura cubana, albanesa ou soviética.

 

Há 44 anos, Soares era o inimigo n.º 1 dessas forças extremistas, que o comparavam a um girondino da Revolução Francesa ou a Aleksandr Kerenksy, o efémero líder social-democrata russo destituído pela insurreição bolchevista de Lenine em 1917. O fundador do PS esteve à altura do seu papel histórico, assumindo-se como um resistente de primeira hora a uma ditadura de esquerda. Com a mesma fibra de lutador que revelara no salazarismo.

Esta lamentável abstenção do PS, traindo o legado do partido, foi também um voto contra Soares e os restantes socialistas que travaram o passo ao comunismo em Portugal.

24 comentários em “Elogio a sete deputados do PS”

  1. Nem me tinha apercebido desse voto!
    Só se falava de violência doméstica!
    E morreu gente para dar nos cornos a essa tropilha esquerdalha.

  2. O problema, Pedro, é que alguns, ao mesmo tempo que votam a saudação ao 25 de Novembro, depois sejam os primeiros a colocarem-se de cócoras quando está em causa Macau, a fiscalização da Declaração Conjunta e o cumprimento da lei Básica, e sigam em alegre romaria para Pequim, aproveitando para de caminho confraternizaram, mais o Cesário dos licores, com Chan Meng Kam.

    Algumas vezes aqui recordei o 25 de Novembro, porque continuo a considerar ser esse um momento fundamental, diria estruturante, da nossa democracia. E por isso entendo que deva ser recordada e celebrada.

    Mas naturalmente que não me revejo nalguma dessa rapaziada, só porque votou favoravelmente o voto de saudação ao 25 de Novembro. E de magníficos…

      1. Meu caro Sérgio, como creio ter ficado claro no que escrevi, o meu elogio a estes deputados circunscreve-se ao voto do 25/11.
        Quanto à situação de Hong Kong e aos legítimos receios existentes em Macau face ao regime de Pequim, salvo distracção da minha parte, ninguém pestanejou até agora na AR. A solidariedade dos deputados é muito selectiva e em questões internacionais predomina ali a agenda política do PCP, que jamais poderia afrontar um país governado há 70 anos por um “partido irmão”.

  3. Foi com decência que os referidos deputados do PS homenagearam a decência que o 25 de novembro trouxe aí nosso regime.
    O socialismo é actualmente o causador dos mais severos problemas do nosso país.
    Mesmo estando convicto disso apresento os meus sinceros agradecimentos aos referidos deputados do PS.

    1. Já a deputada Isabel Moreira renegou em absoluto o 25 de Novembro, votando ao lado da esquerda radical.
      Logo ela, que a 25 de Novembro de 1975 vivia exilada com a família no Brasil, para onde tinham “fugido dos comunistas”.

  4. Muito bem! Concordo em absoluto.

    Mas, Pedro, já fez o enquadramento do 25 de Novembro de 1975? Meses antes, em 11 de Março de 1975, Spínola, mais um conjunto de fachos (ELP, MDLP) , onde se incluíam algumas figuras gradas, como democrata José Miguel Júdice, tentaram primeiro tomar conta do poder (a Inventona da Páscoa), e fracassada a operação dedicaram-se ao bombismo e assassinato político, como mais tarde as FP e, julgo que a Ara.

    Quero com isto dizer. O 25 de Novembro foi a reacção ao 11 de Março (lei de causa/efeito de Newton).

    Já agora alguém se lembra , na TV e jornais, da efeméride do 11 de Março?

    Livro do dia

    Portugal a Arder

    https://youtu.be/Plox4ao7ZS8

    Cumprimentos

  5. O 25 de Novembro travou o extremismo de esquerda mas possibilitou a reciclagem de alguns fascistas que passaram então a apresentar-se como democratas desde pequeninos, não há bela sem senão.

  6. A esquerda apropriou-se do 25 de Abril (logo eles que são contra a propriedade individual), o único feriado que celebra a democracia.
    O 25 de novembro é uma data semi-fascista.

      1. Escreve o Pinto ‘. ditadura à …., Albânia…’
        Albânia? E por que não a China?
        Ah! estas não que eram dos ‘amigos educadores de ocasião’..

  7. «(…) se assinalam 44 anos do fim da perversão do ideal do 25 de Abril pela esquerda totalitária (…)»
    Ultrapassando a grandiloquência e a esporádica “esperança vã” do texto do PC, confesso sinceramente desconhecer se o CDS até, «ano após ano» a 11 de Março, exige na AR que esse «é um dia que não deve ser esquecido»!?! E, claro, nem estou a pretender comparar esses 2 acontecimentos históricos que, ideologicamente, até têm mais de comum do que muitos gostam de aceitar: é que ambos foram “justificados” com o “papão vermelho” do «fim da perversão do ideal do 25 de Abril pela esquerda totalitária».
    Lá está, até estou a imaginar uma conversa de café, entre o Telmo Correia e o Paulo Portas, sobre porque raio o “papão vermelho” até nem foi ilegalizado, quando afinal a «extrema-esquerda política e militar (…) queria implantar em Portugal a réplica de uma ditadura cubana, albanesa ou soviética*»…
    Para mim, a única coisa interessante nesta votação até foi a declaração do (agora aqui promovido a “herói”) Sérgio Sousa Pinto «contra a amálgama e o revisionismo histórico», numa suposta alusão (nada “cobarde”, digo eu: «numa alfinetada que acertou em cheio na sua bancada») à (habitual) posição do seu partido nesta data, apoiada pela maioria dos seus (agora “cobardes”) deputados: confesso desconhecer que capítulo da nossa História até foi revisado pelo PS, sendo ele (o tal capítulo!) tão complexo que 2 dos “vitoriosos” (que, geralmente, são os que fazem a história na ausência da História), «Vasco Lourenço e Ramalho Eanes, defendem que não se deve comemorar o que divide».
    * – PC, eu sei que a vasta maioria dos que aqui o lêem até nem estão para minuciosidades quando afinal, o que estava em questão, até era/é (insiste V.) que eles iam/iriam sendo/ser obrigados a “comer a sopa” sob a ameaça do “papão vermelho” (lá diria qualquer “cowboy” representado pelo John Wayne, “vermelho é vermelho e só há um vermelho bom, o morto”), mas esclareça-os sobre se a ameaça do “papão vermelho”, na altura, era «cubana, albanesa ou soviética»? E porque não a chilena? Ou V. é um “dos” john waynes?

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