As generalizações são tramadas, mas — tendo consciência ou nem por isso — mantemos essa necessidade de assumir o rótulo, de catalogar, de definir em bando para concluirmos coisas, em teoria, pertinentes e que devem algo à inteligência.
Os portugueses assumiram há muito tempo que existe essa figura de papão que os trama e designam o mesmo bicho mau e careca de uma forma quase incolor: eles.
Eles comem tudo e não deixam nada, pois lá diz a canção. O drama é que o Eles — vamos colocar em maiúscula para lhes dar um pouco mais de corpo, solidez, pertinência — não existem enquanto criaturas reais que tomam decisões. São apenas os que prejudicam, os que nos tiram os dias de sol, os que falharam, os que podiam ter feito melhor, mas que não fizeram porque nunca fazem. Quase como uma versão castigadora da professora de matemática que prolonga o tempo de aula para massacrar os alunos que anseiam pela aula de português. Ou como uma entidade que procura vingar-se da Humanidade e que tem um desígnio maléfico que nos inflige um fado que, afinal, é apenas um fardo.
Seja qual for a metáfora usada, uma coisa é certa: a culpa é toda Deles. E Eles não se acusam, por não ser nomeados, e quando o são, já se sabe, estão no governo ou no partido A ou B.
Prezamos a democracia, já cá andamos há uns anos e sabemos que é infinitamente melhor do que tínhamos antes da revolução dos cravos em 1974, mas será que ainda sabemos apreciar o sabor dessa democracia e a valorizar a importância do debate público?
Ah, Eles tratam, mesmo mal, resolvem, pensam e fazem com que a máquina se tenha instalado, criado raízes e se mantenha no seu movimento perpétuo. Ora, Eles, sejam lá quem forem, podem muito, têm as costas largas e não se importam com as críticas.
Alguns fazem parte dessa massa anónima do Eles há tanto tempo que encaram as críticas com a placidez com que algumas pessoas vivem uma hora de boca aberta para desvitalizar um dente. Não se importam nada com as críticas, as queixas, os comentários de fel nas redes sociais, os factos, isto ou aquilo. E estão instalados a ver a paisagem e a dormir sossegados porque são Eles e sendo Eles não são como Nós, os deste lado que, apesar da queixa, não queremos ir para ali.
Eu, para a política? Eu, ter de votar? Eu, ter de perceber a função exacta de um vereador, deputado, ministro? Eles comem tudo e não deixam nada, têm o poder.
O Nós não entendeu ainda que Eles têm o poder por lhes ter sido dada essa oportunidade. Ninguém quer fazer parte do Eles.
A fragilidade da democracia é a maior falha do Nós que, assobiando e cuscando o vizinho para o maldizer, está muito entretido a olhar para o seu umbigo em detrimento do Outro. O Outro é o bem comum. Nem Eles, nem Nós percebemos isso.
Por isto, e mais umas tantas coisas, vem aí a silly season e teme-se o pior. Ou então sou eu que estou especialmente pessimista. A culpa é Deles.

A Culpa é Sua, Minha e de Nós Todos que nunca quisemos, sequer, pôr a hipótese de ser verdadeiramente Livres (excepto um curto e bem localizado fenómeno, no espaço e no tempo, onde quem fugia da Europa, chegava à América, não para receber subsídios mas, para poderem ser, realmente Livres, para conduzir o seu próprio Destino, a única época áurea na economia americana porque, mal foi criado um Governo Federal, a seguir apareceram uns “Eles” e, espero que não pense em filmes de cowboys de Hollywood, outra criação de uns “Eles” e, nem confunda, esforço próprio recompensado, com submissão para, com a preguiça aceitar ser dependente). Mas o melhor é resumir porque, aqui, podia dar-lhe a explicação do economista Milton Friedman que, numa das suas Conferências, explicou esse pormenor, tão importante porque, hoje em dia, nem sequer temos um comércio livre de troca de bens, chamando capitalismo àquilo que não passa de uma “Oligarquia” de Corporações a nível Global mas, as Palavras, estas, até vão mudando de significado para melhor nos controlarem, o “Eles” a quem demos sempre poderes que não temos e, entre monarquias, ditadores, grupinhos caseiros ou, presentemente, um Grupo bem específico internacional que, ao longo do tempo, apenas se aproveitou do Conhecimento de como funciona a Mente Humana. A Natureza sempre teve o suficiente para nós todos mas, quando 8 têm a riqueza equivalente a 3,6 biliões de pessoas, há algo que está, definitivamente, muito errado.
Portanto, temos apenas o Resultado, Causa/Consequência do que se escolhe e do que deixamos que nos façam, em vez de cada indivíduo ser responsável e responsabilizado pelas suas próprias escolhas e acções, na construção da sua própria Vida, nesta Realidade ou Dimensão, onde só teríamos as únicas Leis que a Natureza nos impõe, as únicas Verdadeiras e iguais para todos, em que somos carne e espírito, usando aquilo com que todos nascemos, Consciência Moral e Livre Arbítrio (todos sabemos a diferença entre certo e errado e, se não soubermos a Vida ensina, através das consequências) mas, começam imediatamente a moldar-nos desde a nascença, com conceitos pré-definidos, sejam Culturais, Religiosos ou Políticos, todos eles moralmente relativos e com verdades relativas e, em vez de se Ser e, assim, crescer individualmente, aprendendo a Tolerância em vez de obediência e, sempre obrigados a escolher, uns amos que controlem as nossas Vidas, na ilusão de que, um dia, podemos ter a sorte de escolher uns amos bonzinhos mas, ao dar esse Poder e Direitos que não temos, como o de controlar outro Ser Humano, mais cedo ou mais tarde, esse Poder atrairá os piores entre os piores que, só assim, conseguem ter mais poderes que Todos os outros (kakistocracy)
Parece confuso mas não é e, quem tem filhos até sabe intuitivamente que não pode controlar as suas escolhas para poderem ser eles a encontrar a sua própria Felicidade e, se transpuser esse conceito de… carinho ou empatia alargada aos restantes Seres Humanos, serem donos de si próprios, sem querer impôr nada, só desejando que, nesta breve passagem, cada um, consiga encontrar a sua própria Felicidade, crescendo, aprendendo com sucessos e fracassos mas, para isso, só o podem conseguir, como Seres Livres e não com a mentalidade de escravos ou com medos a qualquer coisa, em que precisem de um amo externo a si próprios.
Se queremos um Mundo melhor, ele tem de começar a ser construído nas ideias, nunca em trocas casuais do mesmo de sempre mas, pensar num Paradigma completamente diferente porque, este, está mais que visto que não resulta porque esquecemos o mais importante, Liberdade verdadeira de Escolher e de Ser.
Já há muitos a pensar, a questão é ultrapassar os nossos Egos e, pelo menos, ouvir outros que pensam “fora da caixa” e, ficar a meditar no que se ouve e, com todos, passar para um plano intermédio de Referendos, coisa que a nós nem permitiram, caso raro na U.E.
Quem hoje nos controla, já por aqui expliquei e, cidadania sem Liberdade, é uma fantasia ou mera ilusão.
Vídeos, entre todos, no mínimo dois e, o último, até ao fim… 2 vídeos “fora da caixa”:
https://www.youtube.com/watch?v=0k4pXwmi s7A
The Myth of Authority (Video Contest Winner)
https://www.youtube.com/watch?v=_8e41iXn 4qI
Mark Passio – Street-Wise Spirituality – St. Louis, MO
Eles foram prá praia!!!!
Eles foram prós festivais!!!!
Eles foram pràs Caraíbas!!!!
Eles foram pró campismo!!!!
Eles foram prá queima dos eucaliptos!!!!
Eu…vou prá romaria a Santa Comba!!!!
Alguém virá fazer as vindimas!!!!