
«Putin pretende (e a Alemanha aceitou) construir um gasoduto directo entre a Rússia e a Alemanha, sem passar pela Polónia. O que evidentemente permite à Rússia fazer chantagem com a Polónia (como já fez, por exemplo, com a Ucrânia). O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, protestou. Angela Merkel tenta tratar o caso – um caso eminentemente político – como se fosse uma questão económica. Por outras palavras, solidariedade europeia ou não, a Alemanha prefere negociar com a Rússia à custa da Polónia. Pior ainda: planeia um monumento aos “deslocados” do Leste, garantindo que ele não “relativiza” a guerra do III Reich. Faz, de facto, muito mais do que isso: põe em causa a legitimidade da Polónia tal como ela hoje existe. Por enquanto, estas querelas não são graves. Mas servem para lembrar de onde vem o grande perigo para a “Europa”. E não vem da América.»
Vasco Pulido Valente (Público, 16 de Dezembro de 2007)

E só não sabia que a chefiar a ONU estaria o picareta falante.
Sorte do actual titular do palácio de vidro novaiorquino. Podia ter perdido a eleição para Greta Thunberg. (A propósito, o que será feito da moça?)
Boa pergunta.
Nem em Davos esteve. Se calhar porque seria difícil de lá chegar de veleiro
Que saudades!
1 – Mas, no final, se esse acordo entre Alemanha e Rússia não se tivesse desmanchado pela interferência dos EUA, o resultado não era a paz, a estabilidade e o desenvolvimento, possibilitando construir um «bloco euro-asiático» capaz de competir a médio e longo prazo com os outros grandes blocos (americano, chinês, indiano, etc.)?
2 – Com o desaparecimento de Merkel, não desapareceu a liderança europeia, em prol de uma Europa singular, autónoma e viável?
3 – O que vemos hoje desfilar, aqui na Europa, não são umas dezenas de pseudo-lideres, autênticos zombies, de cócoras a lamberem os EUA, que nos envergonham?
Os “amaricanos” não permitiram, por duas vezes, na I e na II Guerra Mundial, o destino que esperava aos “europeus”: estariam hoje muito unidos “num poderoso bloco euro-asiático”, todos a falar alemão. Heil Hitler! e “Peace in our time”.
Agora há quem proponha reorganizar o destino dos “europeus”, muito unidos, num poderoso bloco euro-asiático, todos a falar russo. Xbana Putin?. H. Kissinger e não só.
Gostos.
1 – Mas não estamos condenados a falar a língua dos “Impérios”, além da de cada singularidade ou identidade étnica-cultural?
2 – Não foi assim com o “latim”, o “francês”, o “inglês”? E no futuro não será igual?
3 – O cérebro está-se marimbando para qual é a codificação que usamos para conseguirmos discernir, conhecermos, e sobrevivermos na Continuidade.
4 – Trata-se de Adaptação, e de capacidade para continuarmos a Existir.
5 – Tanto faz ser este ou aquele, o que é preciso é um líder competente que nos conduza à eternidade.
6 – A «deusa das sinapses e dos neurónios» não se enamora sempre do mais forte, do mais líder, do que tem mais poder?
Estão bem um para o outro com olhos de amor eterno.
VPV era admirado por uns, odiado por outros. Percebe-se porquê. Visão clara da actualidade e previsão invulgar.
Em “express.co.uk” vários qualificados analistas mencionam que Putin não tem acesso ilimitado ao botão do disparo nuclear. Por outro lado a Ucrânia assinou um contrato com a Federação Russa, trocando Paz por entrega do seu armamento nuclear. Aparentemente, sabendo com quem negociava, não terá entregado todo o armamento nuclear, muito menos o “know how”. Submarinos nucleares do RU zarparam à semanas. Quanto aos subs dos EUA nem é necessário mencionar. Frágil equilíbrio nuclear.
Sobra uma guerra de progressiva destruição mútua, até à exaustão de um dos adversários?. Mal ou bem brevemente será novamente o clássico “todos contra um”?.
Boa tarde Pedro Correia
….solidariedade europeia ou não….
Respeito, sempre, as opiniões de outrem.
Isto para dizer que, a minha, relativamente à Alemanha, sempre foi muito diferente da maioria que por aí leio. Quanto a Merkel, com defeitos e qualidades, nunca me encantaram as loas que sobre ela escorreram, sem deixar de confessar que no seu período final atenuei um pouco as minhas desconfianças.
Mas quer ela, formatada na RDA comunista, quer Schroeder, quer outros antes deles, sempre pensaram (legitimamente) exclusivamente no seu país.
Repito, legitimamente.
Depois, douravam a coisa com grandes e eloquentes tiradas que sempre convencem políticos como vários que conhecemos.
O embaixador José Cutileiro escreveu em tempos, salvo erro no Expresso (2009 ? ) um artigo que intitulou “A Hora da Europa?” onde a dada altura escarrapachou esta frase – ….dado que os seus membros vão desde uma Alemanha “à la Schroeder” pronta a vender a alma ao diabo por gás russo…-
A Alemanha tratou de se fortalecer e esteve-se borrifando para a solidariedade Europeia, e para preparar e garantir a independência energética da Europa ou, pelo menos, assegurar a diversificação e forte quanto a fornecedores de gás e petróleo. Agora há quem pense em Sines. Veremos se será do agrado Alemão.
Bom fim de semana. Saúde.
António Cabral
Sim, pensar que Schroeder e Merkel colocam a Alemanha em segundo plano e estiveram acima de tudo preocupados com a dita União Europeia é não perceber o que é esta UE. Ingenuidade confrangedora ou oportunismo caricato.
Agora a própria Alemanha, a França e o Reino Unido já se interessam em recuperar o conceito de energia via centrais nucleares. Por cá a infantil Greta impôs-se e o governo PS fechou as centrais “poluentes”. Assim a poluição fica para os outros e a despesa por cá. Alguém está a ganhar com o negócio.
Sines não pode concorrer mesmo que muito baratinha. Os nossos vizinhos com sete terminais LNG devem-se estar a rir.