Elas na TV


Patrícia Reis,

Há cerca de dez anos, era comum lerem-se entrevistas a actrizes norte-americanas sobre a falta de papéis interessantes. Hoje, as actrizes têm papéis interessantes e estão a mudar a face de uma certa forma de se fazer televisão. Há dez anos, fazer televisão não era considerado prestigiante. Hoje, é um caminho.

Shonda Rimes (produtora) é uma das protagonistas da mudança. Começou com a Anatomia de Grey (o nome deriva do apelido da personagem que faz voz off e conta a história, Meredith Grey, interpretada por Ellen Pompeo), depois Scandall (com Olivia Pope – a actriz Keira Washington – a dar cartas no mundo da política e da espionagem) e agora surge com How to get away with murder ( Viola Davis a fazer de Annalise Keating, advogada e professora). Além destas séries, podemos ainda ver (abençoado cabo e internet) Madam Secretary (Tea Leoni na Casa Branca, Bess McCord) e Segurança Nacional (Claire Danes a fazer de Carrie Mathison e a lutar na CIA para que o mundo seja mais… qualquer coisa).

O mais pertinente não será entrar na discussão sobre o género, será reconhecer que é possível entregar a actrizes, produtoras, guionistas, todas com com enorme qualidade, séries de televisão que conseguem ter boa audiência e que reflectem o mundo na perspectiva das mulheres. Os maridos (personagens!) podem, ou não, sentir-se ameaçados com o poder que as mulheres têm; os filhos podem compreender ou nem por isso; os receios e as expectativas não são menores por serem personagens mulheres. As personagens prinicipais, mulheres, têm poder, são más, são boas, são interessantes. E a televisão, de acordo com os homens cá da casa, torna-se mais apelativa.

7 comentários em “Elas na TV”

  1. todas séries muito interessantes ( que eu sigo, claro) cada qual no seu género, com interpretações de valor. Este nova temporada de Homeland foca-se onde começou e ainda bem, porque nos traz a realidade encenada do que se passa nos bastidores das guerras político religiosas… E posso garantir que só por não terem zombies, já valem muito a pena. Quem gosta de coisa mais tétrica, tem Intruders, uma série diferente, também com uma atriz oscarizada.

  2. Esta tua amiga – cada vez com maiores dificuldades na adesão à televisão e cada vez mais satisfeita com um bom filme numa sala de cinema sem pipocas – deleita-se com uma série policial pouco conhecida, chamada Midsomer Murders, em que todas as histórias se passam numa pequena aldeia do country britânico. Mesmo com crimes, é uma delícia!

    1. Sabe, D. Helena, fiquei inconsolável com o on-hold ( fim ?) dos Midsomer Murders e confesso identificar-me muito mais com as séries policiais Britânicas do que com as americanas. Pérolas como Foyle’s War, Vera, até Waking the Dead… Luther também, porque não ?
      Midsomer Murders foi um caso sério de longevidade e creio que agora entrou em queda livre, com a saída do carismático DCI Tom Barnaby, substituído no comando pelo primo… que não é nem de perto nem de longe tão castiço.
      Boa semana e um abraço para todos os criminólogos de sofá.

  3. Concordo, Patrícia. E acrescentaria à lista que aqui deixas mais umas quantas: Julianna Margulies no papel de Alicia Florrick (The Good Wife), Robin Wright no papel de Claire Underwood (House of Cards), Diane Kruger no papel de Sonya Cross (The Bridge) e Kelly Reilly no papel de Catherine Black (Black Box).

  4. Sim, Patrícia, é refrescante. A norma de ver o mundo quase sempre através de personagens masculinos (no cinema e na televisão) é tão avassaladora que leva-nos a esquecer que estamos sempre a enviesar o olhar para o mesmo lado.

  5. Há mais séries, claro, e boas e muitas com actores extraordinários. A percepção do trabalho das mulheres mudou? Parece que sim. Helena, Midsummer também é uma das minhas manias:) E as outras séries que nomeam aqui, nos comentários, são igualmente boas. Ainda bem. Dito isto, a experiência do cinema é sempre outra e muitas vezes gratificante, muitas vezes nem por isso. Beijos e boa semana

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