Esta notícia é, à partida, muito boa. O estado deixa de perder tempo e dinheiro com coisas que não funcionam e concentra-se nas que têm utilidade. Assim fosse com tudo. Há especialistas com reservas e dúvidas, mas tocam aspectos sobre os quais não tenho conhecimentos. Levanto apenas duas outras dúvidas.
1. No caso de cancros, parte dos tratamentos de quimioterapia passam por um sistema de tentativa e erro, não se sabendo muitas vezes à partida qual o medicamento que poderá ter sucesso. Segundo me explicaram no passado, alguns há que têm uma enorme taxa de sucesso em casos específicos e são completamente inúteis noutros, aparentemente semelhantes. Esperemos que a avaliação do sucesso seja competente.
2. Para mim preocupante é o ênfase na questão dos novos medicamentos, ditos inovadores. Em muitos casos os novos medicamentos nada têm de novo a não ser uma pequena modificação da fórmula, a qual nada traz de novo a não ser uma patente. São introduzidos porque a patente anterior está a expirar e o componente activo poderá passar a ser vendido como genérico. O novo medicamento é apresentado como sendo uma inovação mas nada acrescenta ao anterior. Esperemos bem que, ao avaliar novos medicamentos, o Sinats e o Infarmed se preocupem mais com as bolsas dos pacientes do que com as dos laboratórios.

eu acrescentaria uma outra : será que se introduz na pratica diaria as novas tecnologias que permitem que desde rastreio até divulgação de praticas inovadoras, mais baratas e eficazes possamos beneficiar tambem a nivel economico ?
Isso entra noutro campo. Só seria tangencial a este no caso de se fazer a selecção das mesmas de acordo com a sua eficácia.
O Ministro da Saúde está a caminhar, de forma não declarada, para dar ao Infarmed competências semelhantes à NICE britânica. No meu entender é uma excelente medida, mas trará cada vez mais problemas no futuro.
O SNS não é nem pode ser um recurso ilimitado e deve ser alvo de um racionamento cuidado, especialmente nos casos em que o custo/benefício é reduzido. Infelizmente e na maioria dos casos isso aplica-se a drogas oncológicas com efeitos “life extending” e os jornais vão vender muito papel à custa de medos e tragédias alheias.
O grande problema nesses casos é que, quanto ais específico for um medicamento, em menor quantidade ele será produzido. Assim sendo, o seu preço aumentará exponencialmente e isso poderá levar a que não seja comparticipado ou sequer receitado.
Nada tenho contra uma racionalização de custos do SNS, mas há que ter em consideração que a saúde pública não é um negócio, mesmo que haja quem faça negócio com ela.