
Depois de França e Itália terem aprovado legislação que pune os cidadãos nacionais que prestem auxílio a imigrantes ilegais, chega a notícia de que a Holanda se prepara para dar a maioria ao partido de Greet Wilders (conhecido pelas suas posições xenófobas) nas próximas eleições europeias.
Ao reflectir sobre isto, lembrei-me de “DOGVILLE”, o filme de Lars Von Trier onde Nicole Kidman encarna a personagem de uma jovem que chega à cidade e precisa, desesperadamente, de arranjar trabalho para sobreviver. Olhada com desconfiança pela pequena comunidade, acaba por ser aceite a contragosto no seio de algumas famílias que decidem dar-lhe trabalho quase como esmola. A verdade, porém, é que passado algum tempo a jovem se torna tão imprescindível para toda a gente que já ninguém a quer deixar partir.
Lembram-se como acaba o filme?

Os primeiros tempos na comunidade foram tão desesperados que ela no fim, se a memória não me falha, pega numa metralhadora e vinga-se dos antigos opressores…
Caro,
não vejo qual a surpresa da aprovação de tais medidas.
Afinal apenas copiam o «bom aluno» que é Portugal que desde 2007 (sim , aprovada pelos socialistas), já tem na sua lei a previsão de condenação até 3 anos a quem auxiliar imigrantes ilegais (ou até 8 se for com fitos lucrativos), e multas para os imigrantes ilegais, e penas de prisão para os que não acatarem ordem de expulsão.
assim, em vez de «Depois de França e Itália terem aprovado….», seria mais correcto escrever: «Depois de Portugal, França e Itália, » .
O Gabriel sabe bem ao que me refiro neste post… Nunca é demais lembrar que em Portugal ainda não há lugares nos transportes só para portugueses ( como a Liga Lombarda pretende fazer em Milão) e creio que não é crime alugar uma casa a um imigrante ilegal (como em França).
de qualquer modo, como estou certo que percebeu, o objectivo do post centra-se mais sobre as questões levantadas em torno da imigração. do que sobre as puniçõesd. Tal como acontece em Dogville, a maioria dos imigrantes que chega à Europa não vem roubar postos de trabalho a ninguém; vem fazer trabalhos que os europeus rejeitam. Foi assim que começou a emigração portuguesa para a Europa, (é bom não esquecer) causa de grande admiração por parte dos portugueses que não se cansam de falar sobre a presença de emigrantes portugueses em qualquer parte do mundo. Às vezes, era bom que os portugueses pensassem nisso…
Há gente que prefere ignorar que o nosso país sobreviveu duas décadas à custa de emigração ilegal, a “salto”, e com esses emigrantes a viverem em péssimas condições, apenas a tentar sobreviver, direito legítimo de qualquer ser humano.
Pois é Salvo, muitas pessoas têm memória curta e de vez em quando é preciso lembrar-lhe algumas coisinhas, para ver se páram de dize disparates.
Muito bem escolhido o Dogville para ilustrar esta melindrosa questão. A natureza humana é mesmo abaixo de cão.
Pois é, Ariel. Há gente muito desmiolada e com cérebro de lagosta
Caro Carlos
Ao ler este teu post muito significativo, lembrei-me do blogue DOGVILLE onde escreve malta que sabe muito de cinema
http://wwwdogville.blogspot.com
Olá João!
segui a tua dica e gostei do que li ( ainda pouco,mas vou lá voltar…) dei logo de cars com o filme da minha vida: Cinema Paraíso!
Lembro-me bem como acaba o filme. Acaba mal. Deixou-me uma enorme sensação de frio.
Eu senti alguma amargura…
É um filme duro, o Dogville. Bem escolhido neste contexto, Carlos.
Como quase todos os filmes do Lars Von Trier. Estou curioso para ver o “Anticristo”.
Estive uns dias fora e não vi sondagens nenhumas a dar vitória ao PVV de Wilders (a propósito, é Geert, e não Greet, suponho que seja gralha, mas o nome Greet, já agora, é feminino e usado por muitas mulheres holandesas). Tenho de dar uma vista de olhos, mas tal resultado surpreender-me-ia.