A recandidatura de Cavaco Silva corre-lhe bem. A conjuntura já lhe era favorável. Alegre, o principal opositor, apresenta-se sem base de apoio coerente. A clivagem política não se faz, em Portugal, entre esquerda e direita. Faz-se entre partidos do arco da governação e partidos do arco-da-velha (PCP e Bloco). Embora ocupem, aparentemente, espaços contíguos, PS e Bloco estão à distância desse fosso profundo que os separa. Alegre dedica-se ao esforço inglório de saltar de um lado para o outro. Em cada viagem, desbarata credibilidade. E, desta vez, não tem uma história de injustiça para contar. Em 2011, não existe um moinho com bochechas ao vento contra o qual um bardo quixotesco possa espetar a barba. Sem moinhos não há crónicas épicas de cavalaria. A Nobre, por seu lado, não faltam causas. O seu problema é esse. No fundo, os portugueses têm sobre o seu destino uma avaliação racional. Nobre será muito mais útil dedicado às causas humanitárias do que enredado em jogos políticos em Belém. Ocorre-me agora que Nobre daria, por exemplo, um excelente Presidente da AMI. Os portugueses também acham que o futuro dele será por aí. O candidato do PCP é a cara do partido. Não lhe tira uma vírgula mas, também não lhe acrescenta um ponto. Muito menos uma exclamação. É, portanto (não resisti), muito útil a Cavaco. Impede a consolidação de votos num candidato de esquerda. Essa que, em termos de projecções e sondagens, poderia criar a ilusão de uma onda de vitória. Estas coisas fazem-se de momentos. Uma desistência à boca da urna não vai provocar um momento de entusiasmo à esquerda. Pelo contrário. A acontecer, vai certificar o desespero da causa. De Defensor de Moura dizia-se não apresentar desígnios óbvios de candidatura. Até ao debate com Cavaco Silva. Ali se percebeu que a sua presença tem como objectivo ajudar o actual Presidente a vencer a eleição. Uma parte dos portugueses não gosta especialmente da auto-suficiência de Cavaco. Mas, têm um lugar no coração para todos os injustiçados. Sugerir que Cavaco tem uma ligação nebulosa ao BPN é dar-lhe uma oportunidade de vitimizar-se, bater no peito e proclamar a sua indignação. Em tudo isto, só faltava uma Estrela que indicasse ao actual Presidente o caminho de Belém. Pois ela surgiu por alturas do Natal. Estas declarações da auto-intitulada madrinha de Sócrates (tens aí um afilhado porreiro, pá!), insistindo na tecla do BPN, reforçam a ideia de um Cavaco acossado. Num campo onde a sua robustez é de betão: o da idoneidade pessoal. Edite Estrela torna-se, assim, mais uma apoiante improvável de Cavaco. Afastando-se da crítica à forma como este exerceu o mandato presidencial que termina, esta gente dedica-se a bater com a cabeça na parede. Quando se pensava que iríamos assistir a uma vitória do actual Presidente por falta de comparência, eis que os adversários entram em campo para marcar golos na própria baliza.
Edite Estrela apoia Cavaco
Rui Rocha,

boas Festas
Festas felizes!
acho que sim, a Edite e companhia já deviam saber que esses ataques em Portugal têm efeito contrário (Sócrates continua no poder muito por isso…).
só não concordo com a “robustez de betão” e a “idoneidade pessoal”.
o que não faltam à sua volta são rabos de palha.
por exemplo nas nomeações que tem feito, os “amigos” e “familares” estão sempre à frente da competência e da idoneidade, faz exactamente o que é hábito fazer no nosso país, privilegia o compadrio, com os resultados que todos sabemos.
Poderá ser, Luís. Mas, essa não é a percepção geral. Neste caso, o que parece é.
EXCELENTE POST
Obrigado, João.
Do melhor que tenho lido nesta pré-campanha presidencial.
Perspicaz, certeiro, isento.
Rui, “esta gente” (edites e c.ª) não aprende nada?
(www.odivademaquiavel.blogspot.com)
É mais cego quem não quer ver, Núncio.