
Não é de agora, nos últimos anos observo o mesmo, nos mais variados sectores de actividade. As pessoas com mais de 50 anos parecem ter desaparecido do mapa. Muitas estarão desempregadas, ou com pré-reformas, mas por mais elevada que seja a percentagem dos que se encontram fora do mercado de trabalho, não explica esta ausência de cabelos brancos nas empresas. Aos 50 anos está-se ainda longe da idade da reforma, além de que o país está a envelhecer, portanto a percentagem de população activa dentro desta faixa etária só pode ser elevada.
Quando não havia tanto desequilíbrio populacional entre velhos e novos não se observava isto. É estranho. Onde estão eles? No front office é que não, claro está, mas mesmo nas fileiras mais discretas onde pára esta geração, porventura a mais invisível de sempre?!

Reestruturação. Despedem os velhos e contratam novos que segundo dizem estão mais bem apetrechados (ganham metade, vivendo em casa dos pais). Segundo a minha experiência é a experiência que filtra o conhecimento acessório, de vanguarda, do basilar, o antiguinho, fundamental para um bom desempenho laboral
Sim, a lógica é essa. Mas a questão é: onde é que eles estão? Não podem estar todos no desemprego ou na pré-reforma. Escondem-nos numa cave escura?
Teresa, não me assuste!
Será que fazem como os chineses? Aquela história, decerto mito urbano, de nunca, por terras de Camões, se ter visto, com tantos descendentes de Han, nenhuma marcha fúnebre Confuciana… afianço-lhe recusar-me a acreditar….
Uma pessoa que conheço foi há uns anos, aina com menos de 45 anos de idade, colocada na reforma pela PT. Comprometeram-se a pagar-lhe (e têm pagado) o ordenado até à idade da reforma, sem que ela já seja funcionária.
O Sr. Lavoura deve conhecer os de la créme de la créme…ser reformado antes dos 45 com a reforma por inteiro, numa empresa falida …..ah, patrão!!!!
caramba !
numa proxima encarnação …
uma qualquer PT não me escapa !!!
palavra de cinquentão.
Na livraria Bertrand da Picoas Plaza trabalham duas senhoras que parecem ter mais de 50 anos de idade, à vontade. E estão a atender o público, não estão escondidas no back office.
É a excepção. Até o Lavoura, com o seu reconhecidíssimo espírito de contradição não o pode negar.
Olha!, Sinto-me mais acompanhada, agora que o L. Lavoura fez tamanha revelação/excepção/etc.
Já deu uma olhadela pelas lombadas? O Back Office é a livraria.
é entrar numa escola… felizmente.
Também estão atrás de balcões, como é o meu caso – e de muita gente que conheço que, na área da “Cultura”, desde o Socas, perdeu o trabalho para o qual queimou (com imenso prazer) durante anos, todas as pestanas. Nem por isso lacrimejamos, antes lutamos…

Na minha área – Comunicação Social – são espécimes raros. Entra-se em qualquer redacção e é só miúdos. Os “seniores” estão na casa dos 40. Enfim, mas na minha área há muito desemprego e também muitos desistentes que tiveram de se “requalificar” e enveredar por outros caminhos.
Felizmente não é bem assim pelo menos no Continente de Viseu. …
Não creio que isso se verifique na minha terra. A percentagem de gente a partir dos 45 existe na mesma. E tenho certeza que noutros lugares se mantém; suponho que pintem o cabelo e pareçam mais jovens já que ser velho neste momento tem pouco charme – apesar de ter chegado às mulheres a moda de exibir o cabelo branco que será sol de pouca dura – e afasta qualquer hipótese de emprego. Mas, com a crise, a emigração massiva de jovens e o consequente afunilar de nascimentos, é possível que, um dia destes, de um lado e outro do balcão, só haja cabelos brancos, mesmo que pintados. E isso sim, é triste de verdade; os velhos têm experiência mas somos por natureza e contexto pouco dados a inovação criativa; sangue novo precisa-se. Se já é tão triste que os nossos olhos festejem, como rara preciosidade, uma grávida…