É tudo um problema de gestão


Sérgio de Almeida Correia,

 

Começa a parecer um caso bicudo, mas não creio que seja. Nem se trata de qualquer “maldição” ou de um problema de sorte. Tudo se resume a um problema de gestão. Não da que estão a pensar. De gestão de activos, é claro, porque oportunidades de golo e grandes penalidades também são activos, mas também de expectativas, de emoções, de substituições e de cartões. Parabéns ao Sevilha, em especial ao Beto pelo jogo que fez. Também ao Maxi Pereira, que correu que nem um cavalo, criou oportunidades e fez a equipa mexer-se. Quanto aos outros, espero que domingo rectifiquem o resultado da época passada e aproveitem as férias para ver uns vídeos. Há para aí alguns sobre a melhor forma de marcar grandes penalidades sem displicência na hora da verdade.          

4 comentários em “É tudo um problema de gestão”

  1. Jorge Jesus no final do jogo: “os penaltis não são apenas sorte… são também qualidade de quem os marca”.

    Bofetada de luva branca a quem o obrigou a manter Cardoso como jogador (activo) do Benfica?

  2. Parabéns também ao André Almeida. E ao Ivan Cavaleiro. Não é por acaso que os juniores são os melhores do mundo e arredores carregadinhos de títulos. Pelo menos numa coisa há coerência. Perdem todos finais.

  3. Do que consegui ver do jogo (tinha outra actividade e não vi tudo), deixo estas notas:

    1. Defender penalties não é tudo. Beto pode ser excelente nesta parte, mas do que lhe vi no jogo não encontrei razões para lhe dar a titularidade sobre Patrício na selecção.

    2. Cardozo tem das piores percentagens de marcação de penalties que conheço. Está recheado de falhanços, especialmente em momentos importantes. Não compreendo a mania de o colocar nisto.

    3. Jesus irrita com a sua forma de pensar muito “inglesa”: penalties é para os pontas de lança. Durante o jogo talvez, nos desempates são para quem esteja calmo. Veja-se a diferença entre Luisão e Cardozo e Rodrigo.

    4. Qual foi a ideia de colocar Cavaleiro no final do jogo? Marcar um dos penalties, suponho (acho que marcou um na final da taça da liga), mas não teria valido a pena fazê-lo jogar o prolongamento?

    5. André Gomes faz-me lembrar Matić quando chegou ao Benfica. Muito calmo, com excelente posicionamento e distribuição, mas pouco agressivo. Se melhorar neste aspecto será um médio fabuloso. Pena que já esteja vendido sabe-se lá a quem.

    6. Os penalties do Sevilha foram todos excelentes. Só por milagre um guarda-redes, fosse ele quem fosse, os defenderia.

    7. É verdade que faltaram jogadores, mas foi por culpa própria. Vi o vermelho de Peréz no jogo com a Juventus como exagerado e o amarelo de Sálvio idem, mas a verdade é que a agressividade e por vezes estupidez dos jogadores do Benfica convida aos cartões. Aqui também convém atribuir responsabilidades a Jesus.

    8. Mais uma final perdida. Não existem maldições, mas existe o efeito psicológico de falar delas. O cérebro humano procura respostas e padrões em tudo. Se não as encontra de forma lógica (oito finais europeias perdidas), acaba por as atribuir a factores ilógicos, mesmo que de forma inconsciente. A única forma de quebrar esse pensamento teria sido discutir o ponto abertamente e sem traumas, a ponto de os jogadores nem poderem ouvir as palavras “maldição” e “Gutmann” sem se sentirem enjoados. Ver Cardozo durante os penalties a beijar a sua braçadeira como que pedindo a Eusébio que os ajudasse demonstrou a fragilidade psicológica dos jogadores.

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