No dia em que anunciam o Nobel toda a gente gosta de mostrar que conhece a obra do premiado. Falam, falam, mas aposto que nunca leram um romance do Bob Dylan.
É sempre a mesma coisa
Rui Rocha,
No dia em que anunciam o Nobel toda a gente gosta de mostrar que conhece a obra do premiado. Falam, falam, mas aposto que nunca leram um romance do Bob Dylan.
É, realmente, pouco fácil de ler. Mas existe e chama-se “Tarantula”.
Para o Rui Rocha
«Nota ao Moço de Recados enquanto Jovem Desertor do Exército
interrogas-te por que é que o vovô fica para ali sentado a ver o zé colmeia? interrogas-te por que c que ele fica para ali sentado & não ri? pensa nisso, puto, mas não perguntes à tua mãe. interrogas-te por que é que o elvis presley sorri apenas com o lábio de cima? pensa nisso, puto, mas não perguntes ao teu cirurgião. ínterrogas-te por que é que o carteiro com uma pena mais curta que a outra deu um pontapé no teu cão com muita força? pensa nisso, puto, mas não perguntes a nenhum carteiro. interrogas-te com quem é que o ronald reagan terá falado sobre a situação no estrangeiro? pensa nisso, puto, mas não perguntes a nenhum estrangeiro, interrogas-te por que é que o mecânico, cuja mulher se matou com uma pistola que lhe arranjara o seu melhor amigo, odeia tanto o castro? interrogaste por que é que o castro odeia rock n roll? pensa nisso, puto, mas não perguntes a nenhum rolo. interrogas-te quanto é que o tipo que escreveu o white christmas fez? pensa nisso, mas não perguntes a nenhum fez. interrogas-te sobre o que é que o bobby kennedy tem realmente contra o jimmy hoffa? pensa nisso, mas não perguntes a nenhum bobby. interrogas-te por que é que frankie matou johnny? vá, interroga-te, mas não perguntes ao teu vizinho… interrogas-te quem serão os aventureiros de tapete? pensa, mas não perguntes a nenhum tapete, interrogaste por que é que estás sempre a usar as roupas do teu irmão?
pensa nisso, puto, mas não perguntes ao teu pai. interrogas-te por que é que a general electric diz que a coisa mais importante numa família é manter-se unida? pensa nisso, puto, mas não perguntes a nenhuma unida… interrogas-te sobre o que será um depósito de minério? vá, interroga-te… interrogas-te por que é que os outros rapazes te querem dar uma valente tareia? pensa nisso, puto, mas não perguntes a ninguém
sim. ok. acho que és uma doçura.
sim, é verdade que me referi a ti como ‘aquela
miúda chinesa’ tens o direito de ficar
chateada, mas o que eu quero saber
é o que é que tu tens afinal
contra os chineses?
pode ser que ainda consigamos dar
a volta
extremamente teu,
príncipe goulash»
DYLAN, Bob – Tarântula. 1ª ed. Vila Nova de Famalicão : Quasi, 2007.
iihihiiiiihiih. Duplamente subtil.
Bem, eu acabei de ler um pouco sobre os romances de Dylan e até achei interessante.
Dizem que ele tem um fraquinho por mulheres de pele escura…
The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind
“:O))))))))))))))))
“Romance” na sua génese é uma composição poética para ser cantada. Corresponde à balada medieval. É a génese de toda a literatura. Pode ser boa ou má, mas é literatura. O primeiro registo literário da língua portuguesa é a cantiga da Ribeirinha dedicada a uma amante de D. Sancho.
Alguém leu algum romance escrito pelo Sr. Theodor Mommsen, 2º premiado com o Nobel da literatura? Quando Tolstoi ainda era vivo e tinha já publicado Karenina e Guerra e Paz?
O Theodor Mommsen foi simplesmente um dos maiores historiadores que existiu com uma obra que é um monumento à cultura clássica.
Azar de quem a não conhece. Nessa altura o prémio ainda tinha algum sentido. Agora é uma palhaçada qualquer. Até o nosso ilegível e inaudível Saramago o ganhou.
Ilegível?
Azar de quem não o consegue ler…
🙂 Antonieta
Boa resposta
😉
Há uma diferença na dificuldade de um e de outro. Um é para especialistas e dá trabalho; o outro é enfadonho.
O que é este cara comparado como o nosso imortal Ary dos Santos ?
O suecos estão loucos!
Até nq atribuição do Nobel o português é invejoso ! Só a dinamite!!!!
Eu cá: achava graça ao Lopes-Graça.
Sendo certo que a sua música não tinha graça.
Como aquele “Requiem para as vítimas do fascismo em Portugal”