E se eles gostarem de circo?


realmagic,

Há umas semanas, durante um jantar com amigos, apercebi-me de uma questão interessante que me fez pensar… Os meus amigos têm filhos, que são crianças enérgicas e curiosas. Os pais têm muitos interesses que partilham com os filhos e, como hoje em dia, há tantos meios e facilidades para organizar actividades entre pais e filhos, é recorrente irem ao cinema, ao teatro, ao zoo, à quinta pedagógica, ao oceanário, e até a museus.  No meio da conversa durante o nosso jantar, e porque ouvia atentamente a descrição do leque de actividades, indaguei: “Então e o circo?”. Ao que me responderam peremptoriamente: “Nós não gostamos de circo!”. Não muito convencida, ainda perguntei: “Mas e se eles gostarem?”. A resposta, acompanhada por um sorriso algo trocista: “Mas nós não gostamos.”

Resolvi não insistir no assunto, mas fiquei a pensar… O circo é uma das recordações que tenho da infância. Hoje em dia não vou ao circo, mas também não tenho filhos, mas se os tivesse iria certamente com eles ao circo, porque é na infância que certas experiências fazem sentido. Os meus pais não são apreciadores de ópera e nunca me levaram à ópera. No entanto, já em idade adulta, comecei a ouvir ópera e gosto de assistir a um espectáculo sempre que tenho oportunidade. Mas o caso do circo é diferente, se os meus pais não me tivessem levado ao circo em criança, não era agora em adulta que eu iria começar a gostar de circo, porque há coisas que são próprias de crianças, faz parte da aprendizagem. Os filmes e os livros estão repletos de referências a circos e, a meu ver, é importante que se tenha este conhecimento ao vivo e a cores, para que passe do sonho à realidade e assim, quer se goste ou não, a recordação ficará para sempre.

A educação dos filhos é um tema complexo, que não deve ser abordado de ânimo leve. Respeito as convicções do pais, porque acredito que têm argumentos que justificam as suas escolhas e, mesmo que não os tenham, porque são pais e devem saber o que é melhor para os seus filhos. Contudo, ainda assim, se fossem os meus filhos, eu gostaria de os levar ao circo.

6 comentários em “E se eles gostarem de circo?”

  1. A imagem do circo é má pois o circo nos filmes e séries foi ganhado uma conotação negativa.

    Um exemplo do problema com os palhaços a desaparecerem na Inglaterra. :
    http://www.dailymail.co.uk/news/article-2592359/Its-not-funny-Clowns-Britain-fear-soon-job-work-dries-fewer-100-entertainers-left-country.html

    1. É uma questão interessante, porque de facto os filmes e as séries têm muita influência na opinião pública. Os palhaços sofrem desse mal, com a conotação negativa que lhes foi sendo associada e que tem vindo a destruir a figura de entertainers privilegiados das crianças.

  2. Sem o conhecimento do circo, e do imaginário a ele associado, muitas obras-primas da cultura clássica e contemporânea tornam-se indecifráveis. Lembro-me, por exemplo, dos filmes de Chaplin e de Fellini.
    Essas bempensâncias tão politicamente correctas deviam reflectir um pouco sobre isto, Joana.

    1. Muito bem visto, Pedro. O circo tem uma importância, a meu ver, indiscutível no imaginário do ser humano. Quem não tem conhecimento do circo é mais pobre, porque o conhecimento é riqueza, e o circo fornece-a em duplicado, ao apelar ao nosso lado criativo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *