O que é que a forma como nos rimos diz de nós?
Vários estudos provam que o riso espelha a nossa personalidade, como uma impressão digital. Os mais extrovertidos, sociáveis e emocionais tendem a ter um riso mais desinibido, enquanto os mais introvertidos e individualistas são mais discretos. Por exemplo, piadas sobre loiras ou muitos outros estereótipos têm tipicamente uma punchline (conclusão) inesperada. Quem gosta deste tipo de piadas tem geralmente uma ideologia de direita, prefere a simplicidade e vê o mundo a preto e branco. São pessoas que detestam o caos e fazem tudo para que a ordem impere.
E quem não gosta deste tipo de humor?
Por exemplo, se for fã dos Monty Python ou de Gary Larson, estamos perante uma pessoa que prefere o nonsense. Gostar de piadas absurdas implica que se aceite que a realidade é distorcida. Os fãs deste tipo de humor são, normalmente, pessoas mais de esquerda, de mente aberta. Terminei recentemente um estudo sobre preferências musicais e humor e concluí que quem gosta dos Monty Python prefere música clássica e jazz. Os amantes de piadas sobre loiras optam normalmente por música pop mais simplista e previsível. Ou seja, as piadas acabam por ser uma resposta às exigências das pessoas. E isto estende-se à música, pintura e literatura.
Da entrevista de Ana Catarina André a Willibald Ruch, psicólogo austríaco, «um dos maiores especialistas do mundo em riso», na Sábado desta semana.
A ver se percebi: como o pessoal de direita gosta de ordem e de simplicidade, aprecia anedotas de louras, enquanto o de esquerda, mais dado à mudança, prefere os Monty Python (és de esquerda, Rui Rocha, e eu também); por outro lado, quem gosta de Monty Python também gosta de jazz e de clássica enquanto quem gosta de anedotas de louras prefere música pop/rock. Ou seja: direita = organização e simplicidade = pop/rock; esquerda = rebeldia = jazz e clássica. É capaz de ter lógica. Afinal, a velha expressão Sex, Drugs and Wagner’s Meistersingers sempre foi conotada com a esquerda. Resta-me apenas uma dúvida: de que quadrante político será uma pessoa que (e isto mesmo aceitando que a Sábado lhe possa ter simplificado as respostas), pesquisa temas tão subtis, fluidos, passíveis de mudanças e de evoluções, como gostos e sentido de humor e depois encaixa as respostas em categorias simplistas e organizadinhas?

Aqui há uns anos um reitor de uma universidade americana, creio que Harvard, caiu na asneira de dizer que as mulheres tinham menos jeito para a Matemática do que os homens. Cairam-lhe em cima os Carmos e as Trindades lá do sítio. Ele limitou-se a constatar um facto estatístico. Que não excluía que houvessem mulheres que se destacavam na Matemática e na Física.
Get my drift?
‘Getto’, claro. Mas vai-me permitir que desconfie tanto dos «factos» como da estatística aplicada a estudos deste género… Já para não falar de que nada me impede de execrar o estilo tão extrema-direita de «intelectuais» como este.
aparentemente, o autor do estudo também prefere coisas simples e vê o mundo a preto e branco… (que cretinice, jesus)
Inês: certamente não na opinião dele. Já nas palavras…
que medo. E é gente desta que é ouvida seriamente como “especialista” (que se tornou um belo saco onde cabe tudo e um par de botas)…
Confirmo que o estudo é credível. Aliás confesso que é muito cansativo ser o único tipo verdadeiramente de esquerda do blogue.
Deve ser cansativo ser tu, deve…
(Por nos aturares, quero eu dizer.)
Continua a confusão infantil entre direita/esquerda e conservador/progressista. O mundo a preto e branco.
Não, Hugo, agora são «estudos científicos».
“Sex, Drugs, and Wagner’s Meistersingers” CY
… perfeito, o Ian Dury era mesmo conservador:
http://www.youtube.com/watch?v=dMKjx8ilL
Claro que sim, pelo menos ao lado de Hans Sachs, esse sapateiro espertalhão. 😉
Ooops… escaparam-me os Sapateiros da Candosa.
Afinal Goldman vem do Rheingold e Sachs dos Meistersingers.
Sachs, Dragons, e enrolam-nos a todos…
Caramba, eu já escolhi o Wagner por causa das conotações com a direita e mais especificamente da apropriação que um certo partido alemão liderado por um austríaco baixote de bigodinho ridículo fez da música dele – até ponderei usar Parsifal em vez dos simpáticos Mestre-Cantores – mas você ainda está a tentar ligá-lo ao Goldman Sachs…