Percebo o seu ponto. Mas tenha em conta que não faltam para aí situações em que ainda é mais difícil de acreditar. Veja-se, por exemplo, que Isaltino Morais ainda não foi preso.
Às vezes fico surpreendido com o tipo de doutrinação que pretende vir a público. Como cristão, católico, creio que, acerca de Jesus, existem questões substantivas para serem debatidas, estudadas e divulgadas, para além daquilo que se designa como “pilares da fé”. O pilar da fé cristã é Jesus e não o dogma; O pilar da fé cristã, deve ser o Jesus histórico e na história do Homem; O pilar da fé cristã deve ser o Homem Novo, o novo “Adão”, que em Jesus se revela: pela carne é filho do Homem e pelo Espírito é filho de Deus: a nova Criação e a nova Criatura; o pilar da fé cristã atinge-se exactamente ao descobrir como se pode ser construída essa nova Criação e Criatura; o pilar da fé cristã dever ser também a ressurreição, a ressurreição da morte ontológica. Quanto à morte de Jesus, o Cristo por antonomásia: Jesus morre às mãos da tradição e do poder: quer o poder da lei judaica quer pelo poder da lei romana.
Claro está que aquilo que Bento XVI refere como sendo o “pilar da fé” só terá expressão se se avançar para além do dogma e do rito, descobrindo a Verdade que liberta: Ele mesmo, Jesus. Com isto não estou a contrariar ou a criticar aquilo que cada um entende ser a sua visão sobre Maria, virgem e Mãe. Há uma frase, que citarei de seguida, que considero bastante importante para crentes e não crentes. Aqui vai: “A religião precisa do exercício da razão, mas com os outros, todos habitantes da mesma polis. Em conjunto, cristãos e não cristãos, devemos levantar a questão antropológica: QUEM É O HOMEM? Para onde vai? Como pode viver numa sociedade que luta contra a barbárie e a favor da humanização? Das respostas que cada qual, a partir do seu património espiritual, souber dar depende o nosso futuro, mas também, já desde hoje, a qualidade da nossa vida pessoal e da convivência civil”. (fim de citação) – Enzo Bianchi in Para uma ética partilhada. Se depois disto, para atingir essa grau de humanidade, quisermos ver Jesus como o primogénito dessa nova Humanidade, cada um ciente da sua condição divina, pois que assim aconteça. Amem, mermão Rui! 🙂
Ah, passou-me a lembradura sobre o Papa ser alemão e não prescindir do Gaspar: Tão não vê que estamos em contenção? Alguma coisa tem de ser suprimida!. Isto não pode ser só impostos!. Se vai o burrito e a vaquita então tamos mesmo sem bife.
Mermão, agradeço o seu caridoso elogio. Mas devo confessar-lhe que isto é superficial, profundo é o trabalho que dá chegar aqui. Vá lá, não seja modesto com a profundidade de seu post. Abraço
Não sou católico, mas acho esta notícia e o modo como foi feita parte de um parti pris contra a Igreja completamente estúpido. Vejamos:
1) É evidente que o Papa não escreveu um livro sobre o presépio e sobre questões como a presença de animais ou do who’s who da altura; é evidente que tudo isto é uma parte de um discurso destinado aos crentes e com o objectivo de centrar as ideias sobre a encarnação no essencial, deixando de lado o misticisimo e o folclore, mas, e até com a ajuda dos nossos conhecimentos científicos actuais, tentando realçar o que há de histórico num acontecimento sobre o qual pouco sabemos e no qual o Papa acredita. É ridículo ridicularizar assim um Papa (já sobre o Dalai Lama, por exempo, ah…). Vivi em vários países, mas só aqui vejo este anti-clericalismo muito básico.
2) É inacreditável que a Wikipedia seja mais séria do que o Público. Vejam o que está lá sobre o livro: http://en.wikipedia.org/wiki/Jesus_of_Nazareth:_The_Infancy_Narratives ah, sim, deve ser uma entrada escrita por católicos…
3) Um bocadinho de cultura não fazia mal a ninguém. O presépio foi criado por Francisco de Assis e esculpido pela primeira vez por Arnolfo di Cambio. E, atenção, desde essa altura que sempre foi em todo o mundo um boi e nunca uma vaca. Só em Portugal. Entrando no jogo do presépio e aceitando as suas regras, cabe perguntar, qual a utilidade de uma vaca. Para o leite? Mas afinal quem amamentaria o menino? A vaca? Aliás, basta ver a entrada para presépio na Wikipedia nas diversas línguas, para ver que em todas se refere ao BOI e nunca à vaca. Cito da Wikipedia: em italiano: “dai Re Magi ai pastori, dal bue e l’asinello agli agnelli” em espanhol: “La tradición los acompaña de una mula y un buey” em inglês: “A donkey and an ox are typically depicted in the scene” em alemão: “mit den zwei Tieren Ochse und Esel” em francês: “avec la Vierge Marie, Joseph, l’âne et le bœuf, faite de statues”
Podia continuar, mas acho que chega. É importante? Talvez não, mas se calhar mostra como não conseguimos raciocinar sorbe as coisas mais básicas (uma vaca?) e mostra como o anti-clericalismo entre nós é ainda presente e um sinal de atraso cultural. É pena.
Creio que o que sublinha, e que me parece absolutamente pertinente, poderá partir, de facto, de algum pré-juízo. Mas, mais do que isso, parece um traço permanente da época que vivemos. Demasiada informação, sempre a grande velocidade, e nenhuma profundidade. Os fait divers sucedem-se e, no fim, nada fica.
Meu caro bitaites, cada um constroi o presépio à sua maneira. Quanto ao anticlericalismo permita-me referir Karol Woytila, posteriormente João Paulo II, aquando da sua intervenção na fase preparatória do Concílio Vaticano II. O orador, com termos escolhidos, censura alguns de seus pares ao colocarem a Igreja «acima do mundo», a que ela parece «dar lições» e que espera «obediência», em vez de a mostrar, «caminhando com o mundo em direcção à verdadeira solução para as difíceis questões do destino humano». Mais valia convencer através de argumentos, e não refugiar-se atrás de exortações moralizantes. E este mesmo, Karol Woytila, «denuncia», de passagem, a vaidade de toda a «mentalidade clerical». Já agora, leia também isto: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=81935 Repare que os próprios ordenados andam um bocadito anti-clericais.
Eu acreditava mais na vaca e no burro do que na virgindade…
Percebo o seu ponto. Mas tenha em conta que não faltam para aí situações em que ainda é mais difícil de acreditar. Veja-se, por exemplo, que Isaltino Morais ainda não foi preso.
E Almeida Santos acha que o Vara dos robalos será absolvido…
… e tendo em conta a austeridade até o Gaspar vai passar a chamar-se Par… para não gastar o Gas!
Eheheh.
E o Papá também 🙂
Às vezes fico surpreendido com o tipo de doutrinação que pretende vir a público. Como cristão, católico, creio que, acerca de Jesus, existem questões substantivas para serem debatidas, estudadas e divulgadas, para além daquilo que se designa como “pilares da fé”. O pilar da fé cristã é Jesus e não o dogma; O pilar da fé cristã, deve ser o Jesus histórico e na história do Homem; O pilar da fé cristã deve ser o Homem Novo, o novo “Adão”, que em Jesus se revela: pela carne é filho do Homem e pelo Espírito é filho de Deus: a nova Criação e a nova Criatura; o pilar da fé cristã atinge-se exactamente ao descobrir como se pode ser construída essa nova Criação e Criatura; o pilar da fé cristã dever ser também a ressurreição, a ressurreição da morte ontológica.
Quanto à morte de Jesus, o Cristo por antonomásia: Jesus morre às mãos da tradição e do poder: quer o poder da lei judaica quer pelo poder da lei romana.
Claro está que aquilo que Bento XVI refere como sendo o “pilar da fé” só terá expressão se se avançar para além do dogma e do rito, descobrindo a Verdade que liberta: Ele mesmo, Jesus.
Com isto não estou a contrariar ou a criticar aquilo que cada um entende ser a sua visão sobre Maria, virgem e Mãe.
Há uma frase, que citarei de seguida, que considero bastante importante para crentes e não crentes. Aqui vai:
“A religião precisa do exercício da razão, mas com os outros, todos habitantes da mesma polis. Em conjunto, cristãos e não cristãos, devemos levantar a questão antropológica: QUEM É O HOMEM? Para onde vai? Como pode viver numa sociedade que luta contra a barbárie e a favor da humanização? Das respostas que cada qual, a partir do seu património espiritual, souber dar depende o nosso futuro, mas também, já desde hoje, a qualidade da nossa vida pessoal e da convivência civil”. (fim de citação) – Enzo Bianchi in Para uma ética partilhada.
Se depois disto, para atingir essa grau de humanidade, quisermos ver Jesus como o primogénito dessa nova Humanidade, cada um ciente da sua condição divina, pois que assim aconteça.
Amem, mermão Rui!
🙂
Ah, passou-me a lembradura sobre o Papa ser alemão e não prescindir do Gaspar: Tão não vê que estamos em contenção? Alguma coisa tem de ser suprimida!. Isto não pode ser só impostos!. Se vai o burrito e a vaquita então tamos mesmo sem bife.
Mermão, este meu post não é digno da qualidade e densidade do seu comentário.
Mermão, agradeço o seu caridoso elogio. Mas devo confessar-lhe que isto é superficial, profundo é o trabalho que dá chegar aqui.
Vá lá, não seja modesto com a profundidade de seu post.
Abraço
Não sou católico, mas acho esta notícia e o modo como foi feita parte de um parti pris contra a Igreja completamente estúpido. Vejamos:
1) É evidente que o Papa não escreveu um livro sobre o presépio e sobre questões como a presença de animais ou do who’s who da altura; é evidente que tudo isto é uma parte de um discurso destinado aos crentes e com o objectivo de centrar as ideias sobre a encarnação no essencial, deixando de lado o misticisimo e o folclore, mas, e até com a ajuda dos nossos conhecimentos científicos actuais, tentando realçar o que há de histórico num acontecimento sobre o qual pouco sabemos e no qual o Papa acredita. É ridículo ridicularizar assim um Papa (já sobre o Dalai Lama, por exempo, ah…). Vivi em vários países, mas só aqui vejo este anti-clericalismo muito básico.
2) É inacreditável que a Wikipedia seja mais séria do que o Público. Vejam o que está lá sobre o livro: http://en.wikipedia.org/wiki/Jesus_of_Na zareth:_The_Infancy_Narratives
ah, sim, deve ser uma entrada escrita por católicos…
3) Um bocadinho de cultura não fazia mal a ninguém. O presépio foi criado por Francisco de Assis e esculpido pela primeira vez por Arnolfo di Cambio. E, atenção, desde essa altura que sempre foi em todo o mundo um boi e nunca uma vaca. Só em Portugal. Entrando no jogo do presépio e aceitando as suas regras, cabe perguntar, qual a utilidade de uma vaca. Para o leite? Mas afinal quem amamentaria o menino? A vaca?
Aliás, basta ver a entrada para presépio na Wikipedia nas diversas línguas, para ver que em todas se refere ao BOI e nunca à vaca. Cito da Wikipedia:
em italiano: “dai Re Magi ai pastori, dal bue e l’asinello agli agnelli”
em espanhol: “La tradición los acompaña de una mula y un buey”
em inglês: “A donkey and an ox are typically depicted in the scene”
em alemão: “mit den zwei Tieren Ochse und Esel”
em francês: “avec la Vierge Marie, Joseph, l’âne et le bœuf, faite de statues”
Podia continuar, mas acho que chega. É importante? Talvez não, mas se calhar mostra como não conseguimos raciocinar sorbe as coisas mais básicas (uma vaca?) e mostra como o anti-clericalismo entre nós é ainda presente e um sinal de atraso cultural. É pena.
http://noticias.uol.com.br/ultimas-notic ias/efe/2012/11/20/papa-jesus-nasceu-de-u ma-virgem-e-no-presepio-nao-estavam-o-bo i-e-o-jumento.htm
Pois.
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2 236195/New-Jesus-book-reveals-donkeys-cr ib-lowing-oxen-definitely-carols-Christm as.html
Creio que o que sublinha, e que me parece absolutamente pertinente, poderá partir, de facto, de algum pré-juízo. Mas, mais do que isso, parece um traço permanente da época que vivemos. Demasiada informação, sempre a grande velocidade, e nenhuma profundidade. Os fait divers sucedem-se e, no fim, nada fica.
Meu caro bitaites, cada um constroi o presépio à sua maneira. x?fid=29&did=81935
Quanto ao anticlericalismo permita-me referir Karol Woytila, posteriormente João Paulo II, aquando da sua intervenção na fase preparatória do Concílio Vaticano II.
O orador, com termos escolhidos, censura alguns de seus pares ao colocarem a Igreja «acima do mundo», a que ela parece «dar lições» e que espera «obediência», em vez de a mostrar, «caminhando com o mundo em direcção à verdadeira solução para as difíceis questões do destino humano». Mais valia convencer através de argumentos, e não refugiar-se atrás de exortações moralizantes. E este mesmo, Karol Woytila, «denuncia», de passagem, a vaidade de toda a «mentalidade clerical».
Já agora, leia também isto:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.asp
Repare que os próprios ordenados andam um bocadito anti-clericais.
Isto é que vai haver uma crise na venda e montagem de presépios…
Para além do mais, a própria estrela fica em causa. Vai ser complicado fazê-la passar por uma supernova.