É pena que a Laura não perceba nada de suspensórios…


Sérgio de Almeida Correia,

… Pois que, quanto ao resto, a rapariga até não esteve mal. E a ti, Adolfo, havendo muita coisa discutível, bastou-te uma frase para estares bem melhor: “Freedom is the most important political value for me. It comes before anything else“

Esta é a frase que muita gente, à direita e à esquerda, no teu e no meu partido, e pelo que se lê nas caixas de comentários de muitos blogues, continua a não entender. É ela que marca as diferenças; mas é também por causa dela, apesar dessas diferenças, que aqui continuamos.

7 comentários em “É pena que a Laura não perceba nada de suspensórios…”

  1. A questão é o que significa “liberdade”. Os liberais gostam muito da “freedom from” e ignoram a “Freedom to”. POr isso dizer que a liberdade é um valor, sem a qualificar, significa tudo e nada.

  2. Obrigado pelas palavras, Sérgio.

    Tenho rejeitado todos os convites semelhantes da imprensa para este género de perfis e apenas aceitei este porque me pareceu uma oportunidade de promover e de falar de turismo em Portugal para o público americano. O resultado só confirmou as minhas razões em rejeitar tais convites pelo que me serviu de lição 🙂

    Um abraço,
    a.

  3. Seria interessante o Sérgio explicar o sentido que dá à liberdade, que ficou altamente ambíguo no seu comentário.

    Já quanto ao Sr. Adolfo, é clara a sua postura face à liberdade: «“Freedom is the most important political value for me. It comes before anything else,” he says. “So when somebody comes to me, my first question is never, ‘How can I help?’ but ‘What can I do to let the market do what it wants?’”» a única liberdade que comentou foi a liberdade dos mercados. E isso é visível um pouco mais abaixo: «Mesquita traces his “love of freedom” back 20 years to his grandfather’s library, in the small city of Covilhã, where he grew up.
    Browsing through the shelves at age 14, a title caught his eye: Free to Choose by Milton and Rose Friedman, in which the couple argue that capitalism and the free market are the solution to all economic problems. “I got it. It all made so much sense to me after reading it,” he recalls. “Ever since, I’ve been wanting to fight for my freedom to do what I want and let others to do the same.”»

    Ao mesmo tempo que afirma que a liberdade dos mercados para fazerem o que lhes apetecer, o mesmo não se aplica ao sector público: «“Often, whatever you let the state rule, the state will ruin,”» – o que, vindo de um membro do Governo, parece estranho.

    Isto pode ter um grande impacto, pois os “mercados” querem construir e operar complexos turísticos em zonas protegidas, ou fechar percursos pedonais para praias públicas (tentando-as deixar nas mãos de operadores turísticos privados). Como sempre, o papel do Estado seria a moderação dos interesses privados que não se coadunam com a Lei nem com os interesses da maioria dos cidadãos portugueses, sempre que existam falhas de mercado ou externalidades às acções individuais dos agentes económicos.

    No restante (e que é muito!), só tenho que louvar a atitude de lutar pelos interesses dos portugueses, em vez de observar a disciplina de voto do seu partido (algo que jogará sempre contra o sr. Adolfo – a integridade é algo que não ganha amigos na política!).

    E desejo boa sorte para o seu trabalho!

    1. Adolfo Mesquita Nunes descobriu a beleza da liberdade lendo um livro escrito por um homem que foi conselheiro económico do ditador Pinochet , que implementou todas as suas teorias económicas através da repressão e da violência? Olha, eu descobri a hipocrisia e desdém pela liberdade de Friedman lendo The Shock Doctrine , de Naomi Klein .

      É por isto que os livros são tão bons, toda a gente aprende algo deles.

  4. Tudo muito bonito, mas o facto visível a cada passo é que Portugal está enxameado de turistas que não fazem aqui grande falta, por serem à vista desarmada pessoas que cá gastam pouco ou muito pouco – é vê-los de chinelas e garrafa de cerveja ou coca-cola na mão, passeando a empurrar malas com rodinhas durante horas (já encontrei mais de uma vez por Lisboa pessoas a fazer isso, pessoas essas com que voltei a deparar passadas horas na mesma prática), que se alojam em casas particulares onde não se passam facturas nem se paga IVA, que compram a alimentação nos supermercados mais baratos, e tudo isso porque se promove um turismo baratucho que enche mas pouco interessa.

  5. Pois permita-me dizer-lhe, meu caro Sérgio, que a Liberdade não é um assunto político, é uma questão ontológica e antropológica. Sim, é algo que diz respeito à polis (cidade, cidadania), local onde o valor deve habitar. Mas antes de um conceito ela é um caminho, um caminho que se percorre custe o custar e não por qualquer preço.
    É necessário reflectirmos sobre qual o valor que colocamos neste Ser Liberdade. Quem não nasce para servir não serve para viver.

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