No recorte noticioso da alocução do primeiro-ministro da Grécia sobre o orçamento para 2011, ouvi-o falar na recuperação de confiança: «confiança dos mercados internacionais», «confiança dos parceiros europeus» e «confiança dos cidadãos, de quem dependemos». Aqui está algo que nunca ouvimos nem ouviremos ao actual primeiro-ministro português: uma palavra de humildade perante os cidadãos, os seus concidadãos, de quem depende, não condiz com a sua arrogância habitual e casa mal com aquela pose insuportável que serve de defesa aos fracos, por muito ferozes (!) que sejam.
É pena que ele olhe o nosso país de cima para baixo, enviesado e sem dar pelo erro de paralaxe, ao ponto de estar menos preocupado em governar e mais apostado em calar os que discordam da sua altíssima sabedoria. É pena, mas pode limpar as mãos à parede com a confiança que inspira.

Eu tenho confiança que o sujeito já não nos vai aborrecer por muito mais tempo.
Ao menos isso é certo.
Sr. João Carvalho
Continuo a não concordar consigo acerca do Sócrates. Eu que toda a vida fui “alérgico” à arrogância, não consigo vê-la neste homem. Usa duma certa habilidade política que ronda, é certo, a desonestidade. Mas temos à vista alguém, no PS ou na oposição, melhor para a situação actual?
Não sei se temos, meu caro. Mas eu sou um conservador, sabe? Ainda sou daqueles que não discutem uma multa de estacionamento quando os outros não foram multados. Isto é: não ter melhor não faz dos medíocres gente boa. E a desonestidade também não ajuda, não é? Porque, afinal, é de confiança que estamos aqui a falar, não se esqueça.
Com a dupla JS/TS nem sequer temos direito ao optimismo minimalista do slogan do Tiririca: “pior do qui tá não fica”.
A propósito, e por falar em confiança, não seria possível incluir aqui no blog um contador relativo ao número de dias que passaram desde que JSócrates prometeu pela última vez que não são necessárias mais medidas de austeridade? Cá por coisas…
Deve ser difícil. O contador fica maluco só por actuar em relação ao avança-não-avança do TGV…
Bem, não devia ser preciso um contador com mais de 2 dígitos… Mas percebo a dificuldade técnica!
Pois é isso mesmo: o contador fica chocado. Tratando-se de Sócrates e companhia, atordoa-se sempre com o “choque tecnológico”.