É obra


Pedro Correia,

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Em apenas uma semana, António Costa afastou as atenções de uma campanha eleitoral que lhe estava a correr mal, meteu os dois partidos da oposição na algibeira, pôs a esquerda “radical” em sentido, perturbou o inamovível Mário Nogueira e até silenciou o Presidente da República.

Sai da pseudo-crise com imagem reforçada: moderado, “centrista”, zelador das contas públicas e do equilíbrio orçamental, sem ceder à demagogia nem atirar dinheiro para cima dos problemas. Deixando Rui Rio ainda mais atarantado e até a sagaz Assunção Cristas a tropeçar no próprio pé. Com os deputados do PSD e do CDS, desautorizados pelas próprias direcções partidárias, aturdidos com tanta cambalhota.

É obra.

0 comentários em “É obra”

  1. Bom dia Pedro Correia
    Concordo plenamente consigo, é obra.
    Mas, para mim, naturalmente, a sociedade portuguesa vê passar os dias as semanas os meses e, que real progresso, que real resolução dos problemas concretos, enquanto uns quantos se gabam, por exemplo, de achincalhar titulares de orgãos de soberania?
    Valha a verdade, opinião minha, alguns desses titulares mostram permanentemente uma descarada e completa irresponsabilidade e ausência de sentido de Estado.
    Bom fds.
    António Cabral

    1. Caro António. Desta mini-crise ressaltou uma evidência: há governo, mas não há oposição.
      É o que pode concluir-se do que aconteceu: o chefe do governo falou grosso e foi quanto bastou para deixar apavorada a pseudo-oposição.
      Toda a democracia exige um governo forte e uma oposição também forte. A democracia portuguesa, neste momento, enfrenta uma evidente debilidade.

  2. Eu diria antes que costa meteu na algibeira praticamente todos os jornalistas e políticos/comentadores que, nos media, manipulam as opiniões. Ou, se preferem, fabricam o consentimento. Falavam todos pela mesma cartilha.
    A maioria acha que costa foi brilhante? Pois se até o Mendes acha, qual é a admiração?

  3. É a ilusão bem conseguida do verdadeiro artista. Temos que convir que é de se lhe tirar o chapéu.
    Como já referi, fez bluff com uma mão cheia de nada, todos passaram ele ganhou a partida. Bem jogado.

  4. Mas se recuar no tempo,não é só ele,ainda ontem no “Governo Sombra”, o Pedro Mexia disse que Sá Carneiro era exímio nisso,e não via mal nisso. Ridículo é o Rui R.,não assumir o erro,e dizer que a culpa é dos jornalistas. Ele não ouviu as declarações da deputada do PSD? Devia era ter ficado calado. Que decepção… Já perdeu o meu voto.

    1. Rui Rio foi de uma deselegância inacreditável com todo o grupo parlamentar, dizendo em entrevista à TVI que ele nem sequer é deputado (atirando as culpas para cima deles) e sobretudo para Margarida Mano, que foi ministra da Educação, é vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e sempre colaborou lealmente com o actual líder do partido.
      Rio tirou-lhe o tapete: mal ouviu Costa fazer voz grossa, ficou apavorado.

  5. os deputados do PSD e do CDS, desautorizados pelas próprias direcções partidárias

    Isto não é verdade. Os deputados votaram de acordo com as instruções que receberam das suas direções partidárias. No caso do CDS isso foi desde o princípio evidente (a própria líder do CDS é deputada), e no caso do PSD isso também se veio a tornar claro.

    Não houver desautorização nenhuma. Houve é direções partidárias (não deputados) que meteram os pés pelas mãos.

  6. Não era esta a ideia que tinha dos políticos. Sonhava que eles caminhavam na política para se dedicarem à causa pública fomentando o bem – estar social e a tranquilidade dos seus concidadãos e se possível evitar o o sobressalto, a gritaria e uma certa desordem emocional.
    Já agora que não pensassem demasiado em si próprios.
    Uma miragem.

  7. Sim. Uma das interpretações que ocorre será essa: a habilidade do PM A. Costa em dar a volta a toda uma classe política, à direita, à esquerda, em cima e ao lado.

    Outra será: toda a actual classe política é tão frágil na origem do seu poder político que basta uma falaciosa irrevogável demissão -mesmo que obviamente teatral- para que todo o castelo de cartas político português se demoronar.
    Dir-se-ia que este Rei vai nuzinho.

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