A frota pesqueira portuguesa só captura cerca de 1/4 do peixe que consumimos, o resto tem de ser importado para não se exceder a quota que a UE nos impingiu, lembra um relatório hoje divulgado nos jornais. Os donos da UE, sempre tão lestos a apontar os nossos vícios de governação, esquecem, como é óbvio, as responsabilidades que também tiveram no desconcerto da nossa economia, obrigando-nos a desmantelar boa parte da nossa frota e a abrir mão do nosso pescado, um dos melhores do mundo e uma das nossas grandes riquezas. Na agricultura os efeitos das políticas comunitárias também foram devastadores, condenando algumas espécies autóctones, hortícolas e frutíferas, à extinção.
Como eu gostava que os nossos queridos mentores da Europa civilizada fossem confrontados com isto, quando se discutisse mais uma vez a ajuda a Portugal. Era mesmo fish!


Era mesmo… fishy!
Creio que foi o “cavalheiro” da triste figura que tratou disso e raramente se engana…..xiça !
Isso são águas passadas. Agora o senhor diz que é no mar que está o futuro.
Boa tarde,
Face a este aparente “desperdício” dos nossos recursos marítimos, valeria a pena, antes de lançar farpas à UE (como sempre…), perguntar: alguma vez fomos auto-suficientes no consumo de peixe? Apenas umas pistas: se tivéssemos peixe em abundância, não haveria justificação para navegar meio mundo para pescar bacalhau e depois voltar, em tempos mais recentes, em meados do sec XX, ter apostado na pescada da Namíbia. Temos sem dúvida peixe de excelente qualidade e muitas espécies – infelizmente não temos quantidade na maior parte dessas espécies. Temos 1230 km de costa e, para usar outro número bombástico, somos o terceiro consumidor mundial per capita de peixe, depois do Japão e da Islândia, mas é assim mesmo: nunca fomos auto-suficientes nesta matéria. Existe uma solução: comer menos peixe (ou, pelo menos, não comer bacalhau).
Quanto ao bacalhau, que infelizmente não navega nas nossas águas, temos mesmo que ir pescá-lo para longe, não é? Já a questão da quantidade do peixe disponível leva-nos a outra discussão, desta feita sobre a sustentabilidade dos sistemas de pesca mais adoptados. Tal não invalida, muito pelo contrário, o que comentei no post sobre o desmantelamento das nossas frotas.
Tem toda a razão quanto à questão da sustentabilidade – essa é uma questão fundamental para o consumo futuro de pescado.
Quanto à frota, houve de facto uma redução do número de embarcações, mas o rácio de tonelagem e de potência aumentou (para de terem sido melhorados sistemas de captura, de conservação do pescado a bordo, e do controlo – em prol da conservação). Portanto aqui as estatísticas fazem aquilo para que são melhores: servem para qualquer argumento. Já a questão da sustentabilidade e défice crónico de capturas para o nosso nível de consumo não se altera.
O comissariado euroburocrático, na sua umbigolatria, deveria limpar as mãos à parede com o que nos originou.
E o pessoal político doméstico também.
Pois.
Na mouche, Teresa. Ou melhor, no fish.
🙂
a quota não esgota num dia por falta de capacidade dos pescadores . quem fala do que não sabe induz os outros em erro , e grosseiro , por sinal .
Quem lê tudo às avessas também comete erros grosseiros de interpretação. É a vida.