E não se pode exterminá-los?


Teresa Ribeiro,

As regras são simples: eu desconto e eles, com o meu dinheiro, pagam as dívidas que herdaram e acumularam em consequência de anos de péssima gestão. Há um nome rasca para isto, inspirado na prática daqueles profissionais que se vêem muito pelo Intendente de poupa e carro desportivo. De gravata laranja ou rosa, tanto faz, estes senhores para quem eu trabalho e a quem tenho de entregar a massa toda que ganho até meados de cada ano, ainda têm a lata de me dizer que é por minha causa que se têm endividado. 

Essas figuras que emergem sob a tutela dos partidos têm o desplante de apontar a quem os sustenta vícios de comportamento como a subsidiodependência, a começar pela subsídiodependência do subsídio de desemprego. Como se não fossem eles próprios, produtos de referência do sistema que criaram, mais dependentes que ninguém.

Tolhidos por compromissos que neutralizam a vontade política de mudar (vide o que aconteceu a João Cravinho, só para citar um exemplo, e ao seu famoso pacote anti-corrupção), nestes últimos dias, quando apontam o dedo aos que têm financiado o seu magnífico estilo de vida, só me ocorre o título daquela peça de Karl Valentin: E não se pode exterminá-los?

Mas o que me lixa é saber que a pergunta é retórica. Não se pode porque eles são eternos. A cada acto eleitoral fazem uma pirueta e caem de pé. Umas vezes com a face laranja virada para a ribalta, outras vezes com a cor-de-rosa. A perversão é essa. Conversa de taxista? Para memória futura guardo sempre comigo algumas notícias e opiniões de gente respeitável que me ajudam a perspectivar a realidade e a relativizar a poeira de que se fazem os noticiários do dia. Algumas já trouxe aqui, numa série de posts a que chamei Deep Shit. Conversa de taxista? Ou argumentos incómodos, que fogem aos raciocínios maniqueístas que servem o discurso politicamente alinhado?

Será um exercício estéril, atirar nas duas direcções? Dizer que a responsabilidade está repartida pelos dois partidos de poder? Lamento, mas para mim estéril é o discurso pretensamente independente dos “analistas” alinhados.

14 comentários em “E não se pode exterminá-los?”

          1. Era uma expressão da minha mãe em relação a uma terra em particular, mas acho que se aplica agora ao país inteiro. Infelizmente.

  1. Estimada D Teresa

    Apoio e acompanho o seu lucido pensamento…
    Menos… perdoe-me…
    A referência ao D.Quixote Cravinho, porque duvido que a corrupçao, nos fique mais cara de que as SCUTS…
    “Amande-lhes”
    Felicidades

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