As regras são simples: eu desconto e eles, com o meu dinheiro, pagam as dívidas que herdaram e acumularam em consequência de anos de péssima gestão. Há um nome rasca para isto, inspirado na prática daqueles profissionais que se vêem muito pelo Intendente de poupa e carro desportivo. De gravata laranja ou rosa, tanto faz, estes senhores para quem eu trabalho e a quem tenho de entregar a massa toda que ganho até meados de cada ano, ainda têm a lata de me dizer que é por minha causa que se têm endividado.
Essas figuras que emergem sob a tutela dos partidos têm o desplante de apontar a quem os sustenta vícios de comportamento como a subsidiodependência, a começar pela subsídiodependência do subsídio de desemprego. Como se não fossem eles próprios, produtos de referência do sistema que criaram, mais dependentes que ninguém.
Tolhidos por compromissos que neutralizam a vontade política de mudar (vide o que aconteceu a João Cravinho, só para citar um exemplo, e ao seu famoso pacote anti-corrupção), nestes últimos dias, quando apontam o dedo aos que têm financiado o seu magnífico estilo de vida, só me ocorre o título daquela peça de Karl Valentin: E não se pode exterminá-los?
Mas o que me lixa é saber que a pergunta é retórica. Não se pode porque eles são eternos. A cada acto eleitoral fazem uma pirueta e caem de pé. Umas vezes com a face laranja virada para a ribalta, outras vezes com a cor-de-rosa. A perversão é essa. Conversa de taxista? Para memória futura guardo sempre comigo algumas notícias e opiniões de gente respeitável que me ajudam a perspectivar a realidade e a relativizar a poeira de que se fazem os noticiários do dia. Algumas já trouxe aqui, numa série de posts a que chamei Deep Shit. Conversa de taxista? Ou argumentos incómodos, que fogem aos raciocínios maniqueístas que servem o discurso politicamente alinhado?
Será um exercício estéril, atirar nas duas direcções? Dizer que a responsabilidade está repartida pelos dois partidos de poder? Lamento, mas para mim estéril é o discurso pretensamente independente dos “analistas” alinhados.


Subscrevo já, já.
🙂
E eu também. Deep shit , Teresa. Ou, para quem prefere o francês, Portugal-sur-merde.
Portugal-sur-merde c’est merveilleux :)))
Era uma expressão da minha mãe em relação a uma terra em particular, mas acho que se aplica agora ao país inteiro. Infelizmente.
Estimada D Teresa
Apoio e acompanho o seu lucido pensamento…
Menos… perdoe-me…
A referência ao D.Quixote Cravinho, porque duvido que a corrupçao, nos fique mais cara de que as SCUTS…
“Amande-lhes”
Felicidades
Perdoe-me também o senhor Artur Mendes por discordar desses seus cálculos. Se a corrupção nos custasse o mesmo que as SCUTS éramos um país feliz.
Hum… infelizmente não, Teresa. 🙁
Mas podemos sempre emigrar. 🙂
Nem mais, Mike. Aproveitamos e seguimos o exemplo dos imigrantes que vieram para cá ao engano e já nos deixaram ou estão a preparar-se para isso.
O problema, como dizes, Teresa, é a pergunta ser de retórica.
O Mike tem razão, o melhor é fazermos a trouxa, Leonor 🙂
Parafraseando o ilustre socialista Almeida Santos, presidente do PS, “o povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre”.
Sofrer a crise como o Governo as sofre? Mas isso seria excelente para o povo!
Quem nos dera!