Vasco Graça Moura sempre disse o que pensava do coiso. E agora que assumiu novas funções, agiu em coerência com as suas convicções. Digam o que quiserem sobre o enquadramento de tal acto no âmbito da gestão de uma fundação de direito privado e interesse público. Repito, fundação de direito privado. D-i-r-e-i-t-o p-r-i-v-a-d-o. Repitam as vezes que quiserem até, por muito que custe, se convencerem. Digam o que quiserem. Sobre um ponto penso que estaremos de acordo. Sim, de acordo. Um acordo desses que pressupõe o encontro de vontades livres e esclarecidas. Um acordo a sério. Em matéria de acordo Vasco Graça Moura não é mudo. Nem é consoante.
E já agora, se não for utilizado o acordo ortográfico cai algum “C” ao Centro Cultural de Belém?
Rui Rocha,

Se não fossem os Vascos a fazer alguma coisa por esta gaita, não sei onde é que isto ia parar.
Nas vascas?
De direito público fosse! As normas ilegais não obrigam ninguém!
Não andem a dizer que o acordo está em vigor quando, por MUITOS motivos não está!
É assustadora a cultura de subserviência, de demissão cívica, de medo, que perpassa nos comentários! Nem no tempo de Salazar que viu muito despacho assinado por ele anulado pelos tribunal administrativos e acatou as sentenças!
Até esse respeito e confiança no papel da Lei – e que tanto ajudou a oposição ao regime antes do 25 de Abril – parece hoje quebrado!
Será que somos mesmo talhados para a ditadura, como Eça escreveu?
Estamos pelo menos, e ainda, talhados por ela.
Neste aspecto houve uma pioria, com a entrada da justiça em autogestão e a dissolução do prestígio do estado e confiança na administração.
Com aquela história do carro sem roda, cá me parece que em breve vai cair o “c” a Joe “fuck you” Bernardo…
Antes isso que tirarem o “c” à Superbock.
uma fundação de direito privado onde a nomeação é feita por um governo que quer aplicar o Acordo Ortográfico. Graça Moura até pode estar a ser coerente, mas ficou mal na foto.
Pelo contrário. Deu muito boa impressão de si e valorizou a independência da sua nomeação. E defendeu-nos a todos.
a todos não. Eu não pedi nada ao senhor Graça Moura.
Deixe lá, beneficia na mesma – grande sortudo.
Não tem de pedir nada. Não pode é exigir que o Dr. Graça Moura viole a lei e imponha uma ortografia parida num tratado que não foi ratificado e, por isso, não está em vigor.
Aliás, isto da ortografia ser um assunto de estado é mais uma tristeza luso-brasileira.
Não é assim, por exemplo, em Inglaterra ou Espanha – o digno Acordo da Língua Castelhana em que se modifica 7 ou 8 palavras e se tratam de questões de nomenclatura é, evidentemente, facultativo. Uma questão de respeito para com os utentes.
De Espanha separam-nos, em índice de analfabetismo, 21 países e vê-se que, infelizmente, não em vão…
tem razão. Devemos falar como deve ser segundo Vasco Graça Moura. Sim, já que até este português que temos foi uma evolução que desvirtuou o verdadeiro português de Afonso Henriques.
“Rosa das rosas e fror das frores,
dona das donas, senhor das senhores.
Rosa de beldad’ e de parecer
e fror d’alegria e de prazer,
dona em mui piadosa seer,
senhor em tolher coitas e doores. “
Isto sim é que eram tempos.
De direito privado e dinheiro público.