“É inevitável Portugal sair do euro”.


Luís Menezes Leitão,

Quem o diz é um ex-director adjunto do FMI, que acha que Portugal deveria tomar a dianteira e sair do euro quanto antes. Curiosamente esta semana eu próprio já tinha defendido aqui a mesma posição. Estes programas de ajustamento são totalmente irrealistas e só servem para agravar a recessão nos diversos países em que são aplicados. O mais tardar daqui a dois anos ver-se-á que nada conseguiram e a saída do euro será a única opção viável. Mas os Governos que alinharam nisto terão prestado um péssimo serviço aos seus povos e serão responsabilizados por terem embarcado neste processo. Há uma regra de ouro na política segundo a qual o que tem que acontecer é melhor que aconteça já.

15 comentários em ““É inevitável Portugal sair do euro”.”

  1. Ou seja não percebeu nada e ainda quer dar mais poder aos políticos…
    Parece que não se lembra que as desvalorizações do Escudo não resolveram nada…em 1983 chegou o FMI e a “austeridade”.

    A moeda é irrelevante para os nosso problemas.

    Que este governo(e a oposição) não vão resolver coisa alguma também é claro. Pois escolheram a economia socialista aumentando o Estado.

  2. Creio que agora é tarde. Não sei se reparou, mas o périplo que a senhora Merkel tem feito pelos países em colapso não é para suportá-la nas próximas eleições. A Alemanha sabe que terá um forte tombo se começarem todos a sair do euro; e tão bem o sabe que eles mesmo querem permanecer. O que os impediria de regressar ao marko?

  3. A saída do Euro é o grande tabu nos dias que correm. Muitos dizem que a Grécia devia ter saído, mas ninguém se manifesta da mesma maneira no que concerne ao nosso país. Acho de uma tremenda hipocrisia aqueles que alegam o rompimento do memorando da troika, sem mostrarem o reverso da medalha, i.e., a saída da moeda única. Uns (penso que para os lados do BE há quem pense assim) defendem uma moeda única para os países do Sul da Europa, o que seria mais do mesmo, embora a uma escala diferente. O PCP sempre foi contra a UE e o Euro, mas sabe que não pode advogar a saída do Euro em público. O PS, também uma quanto ou tanto utópico, pensa que o federalismo e a agregação das dívidas soberanas, a emissão de títulos de dívida comuns, mesmo através da emissão monetária, nos tirarão do buraco em que estamos metidos. Os partidos que estão no governo tentam fazer de tudo para que Portugal não seja obrigado a abandonar o Euro, sem pensar sequer que está provado que não nos conseguimos enquadrar na moeda única, pelo menos se quisermos manter a nossa independência e que estes problemas se irão suceder, cada vez com mais frequência. Posto isto, não vale a pena fazer referendos, pois toda a gente vai pedir o fim da austeridade e a manutenção dentro do espaço da moeda única, pois é das poucas coisas, se não a única, que nos faz sentir igual aos países mais ricos da Europa, sem percebermos que a riqueza se mede pelo valor daquilo que conseguimos produzir. Penso que a saída de Portugal e de outros países do Euro seria um golpe muito grande na UE, do qual poderia nunca recuperar. Acredito que só há dois caminhos daqui para a frente: a federalização ou a fragmentação. E com o reforço da união, consequente ao Bailout dos países em risco, vamos ter controlo externo permanente às nossas contas. Nestes termos é que se devia esclarecer as pessoas.

  4. 1.- Se o euro serve como uma espécie de padrão-ouro limitando os desmandos dos tiranetes eleitos, é sempre benvindo.

    2.- Se o euro serve para saber quem é o soberano, isto é, quem manda em estado de exceção (C. Schmitt)…saímos fora.

    3.- De qualquer forma, é na cobertura política que está a solução. Rumo a uma maior União Monetária, Bancária, Fiscal ou, voltemo-nos para Brasil, Angola, Marrocos, EUA, Tailândia, China…pois aí há grandes festas, há dezenas de milhares de trabalhadores que observam as suas condições de vida a melhorarem (sem “parole” dos tiriricas que se plantam nos comités ou nos piquetes e que ainda se chamam de sindicatos aqui na Lusitânia falida)

  5. Exacto, é sempre preferível sair pelo próprio pé do que sermos empurrados.

    Isto é tão ridículo, é que mesmo que consigamos voltar aos mercados, algures num futuro próximo e com juros a rondar os 6% ou 7%, isso vai ficar assim quanto tempo? 6 meses? 1 ano? E depois quando houver nova escalada nos juros? Pedimos mais bailouts?
    Regresse o escudo que sempre nos conseguimos defender melhor e deixamos de depender da “bondade” dos nossos supostos parceiros europeus.

  6. Mas a pergunta que se impõe é a seguinte: está o Luís Leitão verdadeiramente consciente do preço a pagar nas horas, dias, semanas, meses subsequentes à saída do euro?
    E, em caso afirmativo, está o Luís Leitão a dizer, com todas as letras: “Pague-se”?
    E, por fim, para avaliar da coerência: está o dinheiro do Luís Leitão e seus dependentes já quase todo depositado no estrangeiro e convertido em divisa estrangeira?…

  7. “Isto é tão ridículo, é que mesmo que consigamos voltar aos mercados, algures num futuro próximo e com juros a rondar os 6% ou 7%, isso vai ficar assim quanto tempo?”

    Quer voltar aos mercados para endividar-se ainda mais?

    Mais, com o nosso valor de dívida 120% do PIB e a aumentar via troika não vamos voltar aos mercados nunca.

    Há dezenas de países que não vão aos mercados…

  8. “Quando olho para os números de Portugal não percebo como é que o país irá conseguir ao mesmo tempo pagar a divida e aguentar um programa de austeridade imposto pelo FMI”
    -Qualquer parvo percebe isso.

    “É mais pessimista em relação a Portugal do que em relação à Grécia?”
    “Sim. São países com problemas diferentes,(…)”
    -Pois, a Grécia tem petróleo, mas nem tem dinheiro para o explorar, nem quer privatizar o sector (creio que este é o maior entrave ao fim da recessão na U.E)

    “Nesta altura, parece-me evidente que a Grécia não vai ficar conseguir cumprir com o pagamento da dívida e consequente saída do Euro. E se a Grécia falha não há forma de Portugal sobreviver às pressões dos mercados.”
    -Sinceramente, numa altura destas ainda há alguém que acredite nesta frase?
    -SE A GRÉCIA FALHAR?! Tenham dó, querem meter a mão no petróleo mas alguém nos U.S.A também quer, a Rússia também quer, alias, a Rússia já disse que; se a Grécia sair do Euro, estão disponíveis para ajudar. Porquê?
    O que está a funcionar mal é a Europa e não alguns países do sul.

    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/e-inevitavel-portugal-sair-do-euro=f666554#ixzz2CVsNkwGX

  9. Caro Luis
    Os EUA são um sucesso. Estados Unidos da América, por acaso do Norte, e só uma parte.

    Mas o sucesso é enorme. São apenas a maior economia do mundo. Para o bem ou para o mal (quanto a mim, mais para o bem do que para o mal) até policiam os direitos humanos no mundo.

    Este sucesso tem criado muitos EU: América do Sul, África e Europa.

    E se resolvessemos chamar provincianos aos Jacques Delors’s, e aos nossos compatriotas Mário Soares e outros.

    É curioso que nunca tenham feito um referendo: já sabiam que o resultado seria um não rotundo.

    Mas as elites (elites em democracia?) acham que o povo é estúpido.

    Tal como dizia um deputado britânico no próprio parlamento europeu: há plano B? Ou nunca pensaram nisso?

    Talvez a saída seja catastrófica. Não sei, não sou economista. Mas se culpássemos os responsáveis?

    Abraço

  10. Aqui está uma discussão perfeitamente inutil. Sair do euro, não depende de nós. A nossa verdadeira tragédia, é que ficar no euro, obriga-nos a empobrecer, como está a acontecer actualmente, e sair do euro, obriga-nos a empobrecer ainda mais.
    Toda a gente fala de crescimento economico para sairmos da crise. Ninguem diz é de que é que está a falar, e muito menos, no caso de haver ideias a esse respeito, quanto é que custa e de onde é que vem o dinheiro.
    Portugal precisa de criar mais de 500-700 mil empregos nos proximos tres a cinco anos. Como é que isso se faz? Estando no euro, ou no escudo!
    Já é tempo de se começar a falar de coisas sérias em Portugal, mas parece que ninguém está interessado nisso. A conversa fiada que os media alimentam todos os dias, é que é bom!

  11. É inevitável, claro, há quantos anos digo isto… Tenho curiosidade apenas de se o governo português ao menos tem a folha de rota da saída (isto é, os passos desse plano B, de feriado bancário a textos prontos de decretos-lei), para que o evento seja o menos caótico possível.

  12. MITOS DE VOLTAR ESCUDO

    MITO I: VOLTAR AO ESCUDO NÃO É SAIR DO EURO

    O escudo a reaparecer deve apenas substituir o euro como moeda comercial e não nos mercados financeiros onde o euro terá de continuar a ser a moeda de referência.
    Este esquema é o imediatamente anterior até à fixação do valor do escudo face ao
    Portugal aderira ao E.C.U. (European currency unit/Sistema Monetário Europeu) em 1992 e
    usou o Euro como moeda escriturária desde 1999.
    Aqui o que se propõe é uma barreira através da moeda que indique claramente o poder de aquisição da sociedade portuguesa, a sua economia, sobre o exterior. Esse é o papel fundamental de uma moeda. E quanto menos estiver ligada a produtos financeiros maior é a capacidade que os elementos de uma comunidade têm de controlar o valor da sua economia. Fica imediatamente evidente que se consumirmos produtos Portugueses se está directamente a salvaguardar a riqueza interna.
    Mantendo-se o Euro como moeda escriturária interbancária impede-se que o escudo seja manipulado facilmente pela especulação.

    MITO II: A DIVIDA DA CASA PASSA PARA ESCUDOS

    A dívida de residentes sobre sobre instituições nacionais e em contratos nacionais passa para Escudos, i.e., a moeda de curso legal, tal como passaram para Euros quando o escudo acabara.
    A dívida sobre não residentes pode ou não passar para escudos dependendo de que lei nacional que gere o contrato e clausulas deste.
    A dívida adquirida ao BCE e à CE mantém-se em Euros.
    A dívida ao FMI mantém-se em direito de saque especial.

    MITO III: NÃO HAVERÁ HIPER-INFLAÇÃO

    Desvalorização cambial não significa perda de poder de compra. O poder de compra é algo que é variável (tal como o índice de preços) e readéqua-se à variação de preços. A desvalorização cambial faz uma descriminação positiva na inflação e os produtos afetados serão os importados, favorecendo as empresas portuguesas que passam a ter maior competitividade, isso estimula emprego e aumento de salários.
    Por outro lado a injeção de liquidez, ou melhor o aumento da massa monetária com vista a financiar projectos de investimento que traduzam produção de bens transaccionáveis não implica desvalorização cambial. Na medida que essa nova emissão traduza real crescimento e aumento de transacções não dá lugar a perda global de valor da moeda.

    MITO IV: A REEXPORTAÇÃO NÃO FICA MAIS CARA

    Os preços de orçamentação para o exterior não serão afectados visto que serão sempre em moeda estrangeira de cariz internacional, euros ou dollars, se forem comprados nestas moedas mantém-se nessas moedas tabelados. A variação será no peso do trabalho que ficará mais barato.

    MITO V: O PETRÓLEO e GÁS FICAM MAIS CAROS A ELECTRICIDADE NEM POR ISSO

    Em termos energéticos Portugal nunca esteve tão próximo da autosuficiência. A electricidade é mantida cara devido às compensações dadas aos promotores de energias renováveis, as quais foram mal pensadas.
    O petróleo e gás ficarão mais caros. Contudo um pouco de diplomacia poderá resolver parte do problema. Angola é o maior fornecedor de petróleo a Portugal, grande parte dele para reexportar para os EUA e Espanha. Portugal paga toda essa exportação com vinho e produtos alimentares. Pode-se fazer um acordo comercial com Angola para aceitarem um valor fixado em contrato (já o é) em escudos, os quais os Angolanos usariam para nos pagar o que importam. Se for unicamente para a quantidade de petróleo consumida em Portugal estamos a falar de um peg ou fundo de maneio pequeninho, mais pequeno que o para o escudo cabo-verdiano.

    MITO VI: A POLITICA MONETÁRIA NÃO FICA NAS MÃOS DA POLÍTICA.

    O Banco de Portugal tem um historial de competência e estabilidade que é inveja para qualquer banco central. Compete ao BdP solidificar a politica monetária em dialogo constante com o Governo, mas é o BdP que a decide em última instância.
    Dentro dos tratados da UE não é possível a bancos centrais financiar o estado. Esse tipo de injecção de liquidez é muito perigosa. Contudo é urgente que haja emissão monetária para financiar projectos de investimento na produção de bens transácionáveis (não para serviços ou obras públicas).

    MITO VII: DESVALORIZAR O CÂMBIO EM 20% NÃO É DESVALORIZAR O SALÁRIO EM 20%

    A perda de poder de compra é muito menor do que a desvalorização cambial. O salário baixa para o exterior ma

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