Ouvi há pouco o ministro da Bancarrota em declarações à TVI. Em sintonia com o chefe, foi incapaz de pedir desculpa aos portugueses pelo défice real das contas públicas, só hoje conhecido: 8,6% – mais 1,3% do que o Governo tinha anunciado, o que constitui um novo marco no longo cadastro de “inverdades” do ainda primeiro-ministro. O País está de tanga, mas o referido entrevistado da TVI, também ministro do Estado a Que Isto Chegou, garante que não moverá um dedo para pedir ajuda externa de emergência, cada vez mais imperiosa e inevitável. A entrevista destinou-se apenas a reafirmar o estilo de galo de briga a que José Sócrates habituou os portugueses: o seu braço direito na desgovernação fez gala em jogar ao braço-de-ferro com o Presidente da República. Motivo? Minutos antes, num discurso ao País, Cavaco Silva sublinhara esta evidência que só o Governo teima em negar: o Executivo “não está impedido de praticar os actos necessários à condução dos destinos do País, tanto no plano interno como no plano externo.”
No dia em que também se soube que a dívida pública portuguesa foi revista “em alta”, saltando para 92,4%, e que os juros da dívida a cinco anos dispararam para uns inéditos – e inaceitáveis – 9,52%, recordei-me das palavras arrasadoras de António Costa, proferidas há duas semanas, contra o homem que se destaca como o principal rosto da ruína financeira portuguesa: é “incompreensível” tanto “amadorismo”.
Ataturk, na guerra contra os gregos, proclamava aos seus homens: “Eu não vos ordeno que ataquem. Ordeno-vos que morram.” Por vezes parece que Sócrates ordena o mesmo a alguns dos seus ministros. Com uma diferença assinalável: o líder turco foi capaz de ganhar a guerra.


Não deixa também de ser assinalável o eriçamento por parte dos seguidores de Pedro na questão do pedido de ajuda divina. Querem lá ver que vai ser Pedro a pedi-la? Como ele foge da cruz…
E não falei aqui no belo exemplo da mulher do ministro Alberto Martins nem no administrador dos CTT amigo do secretário de Estado Paulo Campos que aldrabou o currículo, veja lá.
Por mim até podiam ir de cana, desde que Pedro Passos não os fosse visitar ou levar uns maços de tabaco…
Por mim podem ir para Punta Cana. Férias muito prolongadas.
Realmente, o tal Gigante (o buraco do Estado) é uma “coisa” gigantesca/dantesca/grotesca. Muito mais do que tinha imaginado… Pudera, nas mãos desta gente!
O tal buraco do recordista nacional do défice parece a Fossa das Marianas, Gonçalo.
A verdadeira razão destes escroques xuxas terem fugido: 4/bancarrota-ps-socrates-porta.html
http://mentesdespertas.blogspot.com/2011/0
Daqui a dias já o embuste estava desmascarado.
Adivinhe quem foi que disse: “O Presidente eleito com a mais baixa percentagem de sempre”, “O Presidente que não se meta onde não é chamado”, “O Presidente é para presidir e o governo é para governar”. E não se pode dar-lhes com um encharcado nas trombas?
De alguém muito próximo de quem disse isso em breve se dirá o seguinte: “O primeiro-ministro que recebeu a mais baixa percentagem de sempre”; “O ex-primeiro-ministro que não se meta onde não é chamado”; “O primeiro-ministro é para governar e o ex-primeiro-ministro é para fazer oposição, se ainda tiver ânimo para isso”.
Pedro, concordo com tudo menos num ponto. Já se percebeu, há muito, que é Cavaco que insiste em manter um braço-de-ferro com este governo. Tem tomado partido em quase todas as decisões e declarações e nesta matéria voltou a meter os pés pelas mãos. Como já foi referido noutros blogues, há juristas que entendem que o governo em gestão não pode pedir ajuda financeira externa. Já citaram Freitas do Amaral, porventura o maior jurista nesta matéria, que até acrescenta um outro ponto: um governo em gestão não pode decidir em determinado sentido se essa mesma proposta de decisão causou a sua queda. Ora, se a Oposição em peso rejeitou um programa de medidas extraordinárias para fazer face à crise (PEC IV), não poderá, em seu entender, decidir uma outra medida extraordinária para fazer face à crise como é pedir ajuda externa.
Ainda não tenho uma posição clara neste sentido, pois trata-se de uma matéria complexa (apesar de ter aprendido Administrativo precisamente pelo manual de Freitas do Amaral), mas tenho reservas quanto à possibilidade de pedir a intervenção do FMI ou do Fundo Europeu. Ou seja, fica muito mal, mais uma vez, que o Presidente emita uma opinião tão clara e inequívoca acerca de uma questão juridicamente tão complexa. Lá por ter conselheiros jurídicos não quer dizer que emita juízos, como se fosse a última palavra nacional nesta área (é o Trib. Constitucional). Já o fez com o Estatuto dos Açores e voltou agora a fazê-lo. De facto, o seu enorme ego não lhe permite exercer correcta e devidamente as suas funções…
Abraço e bom fds.
Meu caro, estamos em desacordo. Este primeiro-ministro é que se especializou em governar fazendo braço-de-ferro com tudo e todos à sua volta – partidos, sindicatos, sociedade civil. Teve o raro condão de congregar contra ele a esquerda e a direita, como se viu a 23 de Março. Agora faz de Calimero depois de ter vendido em Bruxelas e Berlim um acordo que não havia e de ter garantido em Lisboa que podia alterar por completo o acordo a que já se tinha comprometido lá fora. De permeio, ignorou o Parlamento, os parceiros sociais – e o Presidente da República, violando um dever constitucional.
Quem semeia ventos, colhe tempestades. Este aforismo popular, tão português, é totalmente apropriado na actual situação.
Retribuo os votos de bom fim de semana. Um abraço.
Pedro, como disse antes, concordo com tudo o resto. E com o que escreveu na resposta. Porém, convém ver que, ao mesmo tempo, Cavaco fez guerra a Sócrates. Temos o episódio das falsas escutas, que mais não foram que uma mentira encomendada a um jornal amigo, o episódio dos Açores (cuja posição contradiz a sua agora ao ouvir o Pres. da AR antes de aceitar a demissão do Governo), para além das constantes declarações sempre em prejuízo do governo. Como tive oportunidade de escrever por altura das Presidenciais (aqui e no Legalices), Cavaco e Sócrates estão bem um para o outro, pois têm ambos o mesmo tipo de personalidade: autoritária e intolerante.
Abraço.
Oh Pedro, a simples alusão a Ataturk, o símbolo máximo da auto-estima turca, quando falamos em Sócrates é quase blasfémica (referência à concorrência)… e a analogia tem ainda um lapsozito… é que não são os ministros que Sócrates está a enviar para a morte… são os seus ministrados…
Sinto-me inclinado a dar-lhe razão. Aliás, na situação actual, estamos todos assim. Em plano inclinado.
“…foi incapaz de pedir desculpa aos portugueses pelo défice real…”
Nem quero imaginar onde teria chegado o estado do País se além de incompetentes Sócrates e Teixeira fossem de falinhas mansas.
Estávamos à mesma na bancarrota mas um bocadinho menos chateados.