Não creio que seja novidade para alguém o estado clínico de Iker Casillas, guarda-redes espanhol ao serviço do FC Porto, que sofreu um enfarte agudo do miocárdio durante o treino. Felizmente Casillas está bem, está estável e com o problema cardíaco resolvido, mas outros houve, com o músculo mais debilitado, que não foram tão afortunados.
Algumas situações têm prognóstico muito reservado. Em outras menos graves, recorre-se a pacemakers e ao novíssimo HeartMate3, por exemplo, restando a solução do transplante com compatibilidade comprovada para aqueles casos considerados inviáveis do ponto de vista imunitário.
Um transplante bem sucedido e o paciente poderá viver alguns (vários) anos com o seu novo coração.
Como me foi dado a aprofundar recentemente que “não há comportamento humano que não tenha origem biológica”, poderei inferir que o órgão transplantado poderá ter um comportamento errático, por conflitos de informação no código genético existente no DNA e RNA? O dogma central da biologia sintetizará o código comportamental existente num músculo estranho à sua essência? Será pertinente cogitar que o paciente passaria a viver com dois códigos genéticos distintos, o que o tornaria na mítica quimera?
Claro que Hollywood pensou nisto tudo desde os primórdios, com o monstro de Frankenstein possuidor de um músculo em processo de decomposição reavivado por um desfibrilador trovejante, mais humano do que muito músculo pulsante. Poderemos considerar o transplante do Prometeu Moderno, como o primeiro transplante de coração de que há narrativa, ficcionada que seja, em que o comportamento tem origem biológica, apesar de se focar essencialmente mais na mecânica do que na química do processo da criação.
Menosprezando os muitos entraves e obstáculos que todas as “logias” possam colocar, é legítimo cosiderar que suturar um coração e vê-lo palpitar dentro de um peito clinicamente morto será o primeiro passo para um complexo de Deus?
Cogito ergo sum, ou então não.

https://en.wikipedia.org/wiki/Chimera_(g enetics)#Humans
É exactamente o que eu queria dizer
“Another way that chimerism can occur in animals is by organ transplantation, giving one individual tissues that developed from a different genome. For example, transplantation of bone marrow often determines the recipient’s ensuing blood type”
Sim, Dulce, houve tempos em que se julgava que os sentimentos, as emoções, inclusive o Amor provinham do coração. Mas julgo que essa teoria já foi rejeitada.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/1 299456/
Ah, Pedro… a ciência não explica a doçura das pelpitações após um beijo quente…
Isso é verdade! Tinha um Professor de Bioquimica que tentava avaliar tudo sobre o ponto de vista quimico. Eu dizia-lhe que não havia Tratado de Quimica que se comparace a um Poema:
“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
Nem mais
Amor é como um canteiro de erva bem tratado com desvelo e cuidados, que cresce verdejante e pujante, um regalo ver-se.
Mas se calha passar por ali uma vaca fo…lixa tudo.
Então Corvo… e outros bovinos de género, não ?
Bovinos, não sei. Agora uma cabra também faz lindo serviço, ai lá isso faz.
Quer-me parecer que o problema aqui não é o gado em si, seja bovino ou caprino, Corvo. É tão somente e apenas o género
Comparasse….
Probabilidades de 50/50 ?
Sob o ponto de vista…and so on
Sim. Nos transplantados, o DNA das células miocárdicas são consideradas non self pelo sistema imunitário do organismo receptor. Daí a necessidade de se fazer terapia imunossupressora após transplante
E após a terapia, o coração transplantado continua com o código genético original, certo ?
Sim. Embora os genes activos de uma célula do miocárdio sejam diferentes daqueles de uma célula da derme, por exemplo ( diferenciação celular). Excepto quando não existe ainda diferenciação celular – as chamadas células estaminais multipotentes que podem dar origem a qualquer tipo de célula.
Aliás em termos genéticos compartilhamos muitos genes com outras espécies animais. Por exemplo o DNA do chimpanzé é 98% semelhante ao humano. A Grande diferença resulta na actividade ( sobreactividade, subactividade) dos genes numa e noutra espécie ( ex: gene “a” é muito mais activo no humano do que o gene “a” no chimpanzé)….
Dependendo do humano e do chimpanzé
E de qual chimpanzé?

Se for do bonobo duvido muito que o gene humano seja mais activo, sobretudo, uma vez que se fala aqui dele, dessas coisas do coração.
Umas das caracteristicas curiosas do ser humano é que não sabemos bem o que somos , nem quem somos….a nossa plasticidade comportamental é múltipla….somos capazes de compadecermo-nos com outros animais, humanizá-los, inclusive e até, cúmulo dos cúmulos, somos capazes de acreditar que não somos humanos…Licantropia clinica por exemplo….na volta existe livre arbitrio
Livre arbítrio? Onde é que eu ouvi isso ?
Ah! é verdade, não existe!
Somos todos Pavlovianos, de um ou de outro modo…
Também chegamos ao cúmulo de acreditar que somos humanos e isso é bem pior