E depois do amor


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Em fevereiro de 1978 o fotógrafo japonês Seiichi Furuya conhece Christina Gössler em Graz, na Áustria. Apaixonaram-se, casaram, tiveram um filho, Komyo Klaus, em 1981. Viviam em Berlim-Leste e para sobreviver Seiichi fazia trabalhos de tradução; a fotografia era uma arte privada, talvez apenas um hobby. Christina era dada a depressões e partir de 1982 a esquizofrenia invadiu-lhe o cérebro. Passou a viver fora e dentro de hospitais, casas de repouso, ou lá como queiram chamar a esses lugares. Seiichi fotograva Christine todos os dias, amando-a presumivelmente, vendo-a desaparecer a pouco e pouco da realidade. No dia 7 de Outubro de 1985, dia de aniversário da RDA, Christine subiu ao telhado do seu prédio de 9 andares e suicidou-se. Nessa manhã Seiichi tinha tirado, sem saber, as últimas fotos dela.

A enorme quantidade de fotografias que Seiichi Furuya tirou durante os 7 anos em que viveram juntos, converteu-se no seu projecto artístico, ou seja, projecto de vida. Quando a recordação é concreta e cronológica, o que fica da memória?

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