Na senda da nacionalização de uma empresa imprescindível para a soberania nacional que acabará por ser privatizada, da uma operação militar especial contra um país que não existe e que acabará por ser uma Guerra pela sobrevivência do estado invasor, agora o partido pró-vida da Carolina do Sul, propõe a pena de morte para as mulheres que abortem.
E assim se fecham os círculos
Paulo Sousa,

Comparar a “nacionalização” da TAP com uma guerra ou a pena de morte… Enfim, deste blog não se podia esperar outra coisa.
Ora então, bom dia!
Olha p’ra mim muito espertalhão a fazer dos outros … enfim.
És só mais um/uma calhau/? com dois olhos como aqueles, e como nós, que temporariamente ocupam lugares de governação em nosso e com a nossa autorização, que diz aquilo que não é, e não diz aquilo que é.
Ai se eu soubesse fazer desenhos, nem que fossem esferas ortogonais… para gente quadrada era quanto bastava
De vez em quando respire fundo. Vai ver que se irá sentir melhor.
Que havemos de fazer, uma mescla de post na sémita do que agora é o que está a dar nas vistas.
O perucas do Chega pra lá, vai pedir direitos de autor.
Paulo Sousa, o senhor assustou-me. Não é a pena de morte mas apenas a sua possibilidade.
É um assunto muito difícil mas só há duas opções lógicas. Ou se aceita que o valor prevalecente é a livre vontade da mãe, e então o aborto até ao nascimento deve ser permitido; ou se aceita prevalecente o direito à vida do nascituro e, de acordo com os dados da ciência, este tem de nascer na fecundação. Andar a contemporizar com 20, 14 ou 12 semanas é tão ilógico como prolongar o direito da mãe de dispor do recém-nascido até ao mês, ou aos dois ou três meses.
Ou a vida começa na concepção ou apenas começa na separação completa e com vida do corpo da mãe. A primeira hipótese implica equivaler o aborto voluntário a tirar uma vida. E a pena correspondente será a fixada para quem tira uma vida, podendo, nas jurisdições que a prevêem – felizmente cada vez menos, pelo menos no mundo ocidental – incluir a pena de morte. Mas não acredito que essa sentença alguma fosse ditada e, se o fosse, que não fosse imediatamente comutada.
P.S. – Por favor não me chateiem com moralismos ou com activismos, Para mim é uma questão difícil e reservo-me o direito de não me pronunciar.
Eu faço o mesmo. Não me pronuncio e reservo o direito de me rir dos que dizem defender a vida e propõem a pena de morte, tudo no mesmo decreto.
Se ainda não percebeu a diferença de facto não há muito a fazer… A criança não tem culpa de acto algum.
Portugal aboliu a pena de morte em 1867 e, mais de 150 anos depois, há quem tenha ficado preso nesse século.
Em termos éticos concordo consigo, ou existe um ser humano desde a concepção ou só existe após o nascimento. Mas quando se está a discutir em direitos legais, e esses devem espelhar o entendimento da sociedade sobre o assunto. Eu pessoalmente penso ser injusto que o direito legal à vida só tenha início às 12 semanas. E penso ser absurdo considerar que um aborto não deixe uma marca profundas nas mulheres (que tenham um mínimo de entendimento e sobretudo que levem outras gravidezes até ao fim).
Em termos de marca profunda, sendo homem, não posso entender, apenas imaginar. Mas não resisto a contar-lhe o que segue.
Uma mulher, casada, sem limitações económicas, fez tudo de tudo sem conseguir engravidar ou levar a gravidez além das primeiras semanas. Finalmente, já nos trintas adiantados, chegou ao quarto mês e só então deu a notícia às famílias. Uma semana depois, teve um aborto expontâneo com complicações que levaram ao internamento de urgência. Quando saiu dos cuidados intensivos, disse ao médico que não conseguia encarar a família e precisava de falar com alguém. O médico explicou-lhe que, se tivesse abortado voluntariamente já estaria a ser acompanhada psicologicamente mas que o protocolo dos abortos expontâneos não previa esse acompanhamento. Além disso, como o hospital não tinha condições para assegurar privacidade, não eram permitidos apoios externos.
Nota. Esta história já tem 3 anos e não garanto que entretanto isso tenha sido alterado.
Não me espanta o que relatou. Há muita insensibilidade para com quem sofre um aborto espontâneo. A minha primeira filha foi prematura e ambas ficámos internadas. Depois do parto eu fiquei num quarto com outras mães que tinham os seus filhos com elas. Eu não tinha bebé nem sabia se ela iria ficar bem. Foi uma das maiores provações por que passei. Só pensava que haveriam algumas mulheres que tinham perdido efectivamente os seus bebés e tinham de partilhar o espaço com os bebés das outras mães. A insensibilidade era surreal. Mas penso que agora já não é assim, felizmente.
Isto de ter a oportunidade de censurar comentários é um grande “posso e mando” disfarçado de democrata. Então quando não manifestam ódio, racismo, negacionismo, populismo são mesmo para o lixo.
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/e-assim-se-fecham-os-circulos-15387981?t hread=115386957#t115386957
Bom, eu em geral sou contra a penalização das mulheres que abortam no primeiro trimestre. Apesar de ser contra o aborto por princípios éticos em qualquer fase da gestação (com as devidas excepções) penso que a legislação deve reflectir o pensamento dominante na sociedade.
Sou a favor da penalização da mulher nos abortos tardios. Abortar um feto no último trimestre é em tudo comparável ao infanticídio. E esse tipo de aborto é permitido em alguns estados nos EUA.
Já a pena de morte parece-me indesejável e medieval, independentemente do crime.
O comediante Chris Rock, tem um excerto brilhante sobre o aborto no seu mais recente espectáculo da Netflix. Brutal, mas genial. Aconselho.