E agora, o nosso momento wtf


João de Teste,

O debate desta segunda-feira foi realizado no âmbito das Conversas do Caldas, uma iniciativa do CDS-PP para identificar e debater os problemas da actualidade. Sob o tema “Revisão Constitucional”, reuniram-se para a discussão os constitucionalistas Paulo Otero e Tiago Duarte, tendo a moderação ficado a cargo de José Cruz Vilaça, antigo juiz do Tribunal de Justiça da União Europeia. (…)

À margem do debate sobre a revisão constitucional, discutiu-se também que linhas norteadoras devia o partido abraçar. O constitucionalista Tiago Duarte, que é também sócio da PLMJ, considerou que o público-alvo do discurso do CDS deverá ser “casais de 30 anos” com “filhos no colégio” e “empregada para pagar”.

“O CDS tem de ter um discurso para um casal de 30 anos com dois filhos que quer colocar no colégio privado. Isto é o nosso país real: dois jovens que chegam a casa depois de um dia de trabalho e não têm dinheiro para pagar à empregada”, considerou o constitucionalista.

(Público)

32 comentários em “E agora, o nosso momento wtf”

  1. Para um casal de trabalhadores com elevada qualificação, ter empregada 5 tardes por semana é, neste país de merda, um alto nível de fascismo!

      1. Obviamente ‘um país de merda’ não dispensa gente a condizer: pequeninos, miseráveis, invejosos, e orgulhosos de o serem!

  2. Por acaso acho que este discurso faz todo o sentido: o CDS fala para um país que só é real na cabeça dos seus dirigentes e ideólogos. O que, aliás, se confirmou em Janeiro último.

    Não serei a pessoa mais sociável deste mundo, mas não conheço um único casal com 30 anos que tenha casa própria, duas crianças e empregada. Ou seja, não conhecerei eleitores actuais do CDS.

    1. Considerando os resultados minguantes do CDS, cada vez menos pessoas conhecem eleitores actuais do CDS. Qualquer dia, são tão difíceis de encontrar como o livro do Rui Mateus.

  3. “Dois jovens chegam a casa depois de um dia de trabalho…” ????
    Isso acontece a todos os casais que trabalham e têm uma casa para morar.

  4. É lá com eles, o que duvido é que haja eleitores suficientes – nesse grupo etário e com esse rendimento – para eleger um deputado.
    De resto diria que o CDS fez como o bichinho da seda, agora é Iniciativa Liberal. O que por lá resta do original é o casulo, sem préstimo.
    Mais interessante que essa camada do eleitorado é a classe baixa, os pobres (na linguagem da hipocrisia os mais desfavorecidos). Por cá e noutros lados, supostamente, votariam à esquerda. Só que ao leio mudaram-se de armas e bagagens para a direita radical. Enquanto isso a esquerda nem quer ouvir falar deles, preocupada com os direitos lgbti, migrações, alterações climáticas e coisas que tais. Estes não serão bem o eleitor CDS jovem de 30 anos mas são ainda assim são o casalito preocupado com o preço das casas no Príncipe Real.

    1. O CDS está a sofrer um esboroamento semelhante ao do PCP. O que vai valendo ao PCP é ainda ter clientelas que dependem materialmente do partido.

      A migração de alguns da esquerda para a direita mais radical (e por isto, presumo que quer dizer Chega) resulta, penso, em grande parte disto: a esquerda proletária do PCP ocupa-se principalmente das questões do trabalho, que gere em ritmo de produção em série através do sindicalismo; a esquerda caviar do BE ocupa-se principalmente com as novas ideologias sociais, que gere em ritmo de produção em série através da imprensa e das universidades; e, entretanto, fazem de conta que os problemas localizados capturados pelo discurso do Chega são criações deste. Acontece que muitos deles não são criações do Chega, e recordo-me de ver um “debate” na televisão entre jornalistas e comentadores onde a Susana Peralta, que é insuspeita de ser uma perigosa direitolas, foi a única a dizer (cito de memória) sobre as causas do Chega: “o facto de não gostarmos das soluções apresentadas pelo Chega para determinados problemas não pode servir de desculpa para ignorarmos a realidade desses problemas”.

      1. A esquerda não estaria preocupada com os direitos LGBTI se não existisse escumalha anti-LGBTI (da qual suponho que o comentador Albino faz parte, apesar de ser inclusivo na sigla).
        Quanto às alterações climáticas, já vi que deve ter gostado das inundações dos últimos dias. Cuidado para não se molhar.
        Quanto ao comentador João Sousa sobre uma alegada migração da esquerda para a direita extremista, continuo à espera de provas na mesma. O que é sim uma migração da direita dita moderada (PSD e falecido CDS) para a direita extremista. O que mostra que direita “moderada” e direita extremista é tudo o mesmo lixo. Não passarão.

        1. A esquerda vive da projecção da estupidez própria:
          Declara a homosexualidade ou umas tantas taras como se fossem normais que, sendo possíveis ou naturais, não são a norma.
          Declara como racismo ou xenofobia gestos ou acções que são as mais das vezes vulgares gestos de reacção ao que é sentido ou presumido como estranho ou não claramente identificável.
          E vivem dessa estúpida presunção de que nada suscita filtros outros que não a multiplicidade dos ódios que estabelece por classe ou demais escalões que por toda a estrutura social crê identificar.
          E vivem dessa igualdade coxa, afirmada para uma diferença selectiva que se apresenta como doutrina de fé.
          Quanto ao clima, o ridículo é pleno: a luta contra os aviões não inclui as milhentas excursões a buscar férias exóticas; as urgências profissionais dos voos privados são a grande prioridade!

          1. Já para mim “JgMenos” está é com falta de sexo, tendo-lhe servido a carapuça. E se fazes “férias exóticas” fala por ti, eu faço as minhas em Portugal.

          2. O Anónimo envia a mensagem favorita da cambada LGBT+ :
            – quem não conhece a nossa criatividade sexual padece de carência.
            Que dirá o coxo…?

  5. Excelente descrição. Já se opção pelo colégio privada for justificada “pelos horários” e se não tiverem empregada, mas uma “senhora que vem ajudar”, então são eleitores do BE.

      1. Perdão! Esqueci-me que cheguei a conhecer o “Cheka”: aquele que era vereador do BE na CML e, ao mesmo tempo, investidor imobiliário.

    1. Discordando de António Costa em muitas coisas, a verdade é que essa foi das coisas mais acertadas que disse. Não foi politicamente correcto e esteve muito bem.

  6. Esta cabeça tem razão. A constituição deveria garantir a todos os casais – A TODOS OS CASAIS – Dois subsídios:
    Um para pagar o colégio que os rebentos frequentam; outro para pagar à empregada lá de casa.
    Acho que se serviu do CATAR como exemplo!

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