A Grécia e os seus credores estavam à beira de um acordo, quando houve ruptura inesperada das negociações. O Eurogrupo chegou a propor condições mais generosas do que as que foram oferecidas a Portugal há dois anos e que permitiriam a Atenas prolongar por cinco meses o actual programa e negociar tranquilamente o terceiro resgate. A atitude dos negociadores gregos sugere que o governo de Alexis Tsipras não conseguiu convencer os membros mais radicais do Syriza ou, em alternativa, pretendia desde o início abandonar a União Económica e Monetária (UEM), culpando os europeus pelo desfecho. No comentário nacional, há observadores que acreditam na culpa exclusiva dos dirigentes europeus, ou seja, a estratégia teve êxito.
Entre os credores havia quem defendesse a saída da Grécia, sublinhando que podia facilitar a reparação da própria zona euro. O Grexit implica horrores económicos e riscos políticos, mas o copo pode ser visto meio cheio, pois a partir de agora quem não cumprir o Tratado Orçamental será vítima de gradual afastamento dos mercados, o que leva à porta de saída. Acabaram as ilusões: esta circunstância tem mais força do que a união política, cuja ausência no projecto inicial da UEM se revelou tão desastrosa.
Nos próximos dias, tudo o indica, assistiremos ao colapso financeiro que levará a Grécia a impor controlos de capital e a introduzir uma moeda paralela para pagar salários e pensões. A desvalorização dessa moeda permitirá recuperar a competitividade, mas entretanto haverá falências e serão destruídas as poupanças da classe média, que tem grandes quantidades de dinheiro debaixo dos colchões e, assim, poderá resistir durante alguns meses. O governo de esquerda pode finalmente cumprir as promessas eleitorais, acabar com a austeridade, imprimir dracmas, aplicar um programa radical. A Grécia empobrecerá ainda mais e a Europa (incluindo os contribuintes portugueses) pagará os incumprimentos gregos e correrá certo risco de perturbação nos mercados de dívida, mas do ponto de vista político tudo avançará mais depressa: nos próximos dois anos serão definidos mecanismos de maior integração e haverá mudanças fundamentais na UE, com a renegociação da relação dos britânicos e uma nova geração de líderes na Alemanha e talvez também em França, resultando num núcleo mais forte de países e em periferias mais distantes.


E virem os descarados afirmar que Portugal ou a Irlanda não sofrerem os apertos dos gregos simplesmente mete nojo.
http://www.reuters.com/article/2011/10/2 7/eu-greece-programme-idUSL5E7LR02120111 027
Se a Grécia tivesse aceitado as condições propostas, que eram basicamente as mesmas que se arrastam desde 2010, teria resolvido o problema dos pagamentos aos credores de curto prazo.
Não teria resolvido nenhum problema de longo prazo. Aliás se formos ver o histórico dos último anos, já ninguém acredita que a solução funcionasse. Resta saber porque insistiam nele.
A UE estava simplesmente a empurrar o problema com a barriga, no que é mestre. A UE também podia dizer simplesmente que queria resolver o problema expulsando a Grécia mas isso implicava coragem política, coisa que nunca abundou por aqueles lados, preferem a manipulação a assumir posições.
Repare que a UE acabou de provar que a dívida grega nunca vai ser paga, coisa que os bonzos da troika sempre negaram. Pelo menos com este simulacro de negociações podem sempre dizer que a culpa é dos Gregos, o que lhes deve dar um grande proveito.
Agora, quando se esvaziarem os cofres cheios da Srª Luís, estamos nos cornos do boi.
Já agora! Alguém me pode explicar como é possível alguém ser convocado e atravessar a Europa para ir a uma reunião dos ministros das finanças, para discutir a concertação de propostas, e sair de lá a dizer que não há acordo mas ninguém lhe disse porquê?
A senhora vai lá servir o café?
Jo tem toda a razão e mais alguma. A seguir vamos nós e aí, quero ver o que se vai dizer por aqui!…
Comentário típico do “jo” que, como já lhe disse aqui, não é motivo de orgulho para qualquer comunista inteligente.
A Grécia não teria resolvido nenhum problema de longo prazo e agora , que não tem outro remédio senão cortar a direito internamente, vai resolver?
Com uma população cheia de vícios consumistas, óbviamente incutidos pelo “miserável capitalismo explorador” mas que não me lembro que tenham rejeitado (pois se nem os russos e os chineses os rejeitam…)?
E tal como habitualmente dá tiros nos pés, não relê o que escreve pondo-se no lugar “do outro”.
Que tal assim?
“A Grécia também podia dizer simplesmente que queria resolver o problema saíndo da UE mas isso implicava coragem política, coisa que nunca abundou por aqueles lados, preferem a manipulação a assumir posições”
E ainda:
“Pelo menos com este simulacro de negociações podem sempre dizer que a culpa é da UE, o que lhes deve dar um grande proveito”.
Desculpe lá mas com comunistas inteligentes já lidava eu aos 15 anos e estávamos em 1960 (e ainda lido com alguns vindos dos tempos da clandestinidade).
Não aprecio portanto sub-produtos de contrafacção.
Medite
PS- Agora explico tudo porque isto anda cheio de gente que se ofende fácilmente , autênticas “flores de estufa”
Portanto aqui vai:
con·tra·fac·ção |àç|
(latim contrafactio, -onis)
substantivo feminino
1. Acto ou efeito de contrafazer, de reproduzir ou imitar fraudulentamente uma coisa, em prejuízo do autor ou do inventor.
2. Obra reproduzida ou imitada fraudulentamente.
3. Simulação, fingimento.
“contrafacção”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/contrafac%C3%A 7%C3%A3o [consultado em 28-06-2015].
Prezado rmg,
o facto de «… nem os russos e os chineses os rejeitam» (ou até mesmo eu, embora por motivos diferentes) não equivale a dizer que goste ou seja a favor do capitalismo selvagem que infelizmente hoje campeia por esse mundo fora e que visa o lucro sem olhar a meios. Também sou a favor da existência de ricos, mas não concordo com a existência dos muito, dos muito-muito ou dos muitíssimo ricos.
Caro João Carlos Reis
Agradeço o seu comentário.
Como certamente aceitará, o que eu quis dizer foi que mesmo os maiores e mais importantes “redutos histórico-políticos” ao “capitalismo selvagem” que se poderia admitir hoje existirem – pelo menos teóricamente – estão-lhe completamente rendidos e, se não o estão mais, é porque o seu crescimento económico mantém no seu interior importantes bolsas de pobres ou pouco mais que isso.
Se não me expliquei bem, mea culpa.
Mas nada como conversar com gente que teve a oportunidade de estar em Moscovo, São Petersburgo, Pequim ou Xangai e andou uma semana ou mais pelas ruas a pé para percebermos isto, dado que pelas notícias dos jornais e quejandos não vamos lá, é tudo muito superficial.
Além disso não me parece que ninguém de bom senso ou com algum sentido minímo das proporções seja a favor dos muito, dos muito-muito ou dos muitíssimo ricos, excepto os próprios e os que vivem à conta deles, ainda que nos ricos temos que distinguir os que criam mais riqueza que pode ser útil a muita gente dos que só esbanjam riqueza que só é útil a fabricantes de carros muito de topo e donos de hotéis de super-luxo.
Esta diferença fundamental também encontrará, como eu encontro, no nosso dia-a-dia e com gente que nem sequer podemos classificar de ricos, mesmo moderadamente.
A expressão “miserável capitalismo explorador” que utilizei está entre aspas e é
portanto uma alusão e não uma opinião, muito menos cínica ou aparentada.
Agradeço a sua atenção
Um bom dia para si
Prezado rmg,
assim sendo, subscrevo esta sua opinião.
Muito obrigado e igualmente.
A proposta da Europa perante a Grécia reduziu-se a questões tão simples como as seguintes:
Toma dinheiro que não vais ver para nos pagares e aumentas ainda mais tuas responsabilidades perante nós. Mas só levas se assinares o que queremos;
E não te dou o dinheiro a que tens direito, aquele que diz respeito à redistribuição dos lucros gerados no BCE, se não assinares.
Sobre o desconhecido: No more comments.
Presumo que a Grecia vai voltar a aderir ao euro(com a paridade renegociada?).
Danos colaterais já se notam ; votações mais a direita em recusa em pagar a “solidariedade” que os gregos e os marcelistas+ esq.caviar aqui acham que a Merkl nos deve, se quiser continuar no euro. E ainda só vamos no principio; votem mais em dirigentes de “alto gabarito” como fizeram com o Siryza , Podemos ou Livres %Cº e vamos ver onde vai parar a UE que todos desejamos.
Acho estranho que gente diplomatica, que mesmo quando discordam o fazem com palavras suaves, digam abertamente que são preciso adultos para negociar; algo de muito anormal tinham pela frente para se desbocarem desta maneira. Não estava lá mas pelo que deduzo os negociadores gregos eram duma “competencia” helenica!!
Caro Cristof
Quando se fala de “barato” e de “cima” tudo o que se diz soa muito mal, talvez não se lembre, ou nem saiba, mas o Euro foi uma ideia que correu mal, muito mal, para ser correcto.
Se não sabe, o “Euro” teve dois nomes antes, e ambos foram recusados por um unico país, tinha uma paridade cambial, recusada por um unico país, e mantinha a autonomia financeira dos Estados aderentes, algo que um país conseguiu alienar.
O país que refiro é a Alemanha, se não sabe, a Alemanha foi o unico país a ser beneficiado com o Euro, nome que “impôs” quando foi o país “presidente” da UE, cada Marco valeu exactamente 1€, os restantes paises tiveram de se sujeitar a esse cambio, que era o que estava em vigor à data da criação da moeda, só para sua informação 1 escudo não valeu um euro, nem 10 escudos (valor inicialmente proposto por Portugal), foram “precisos” 200 escudos para ter 1€.
A Alemanha impôs o seu aço à restante Europa, em Portugal foram encerradas todas as industrias que se dedicavam à metalurgia, por força de um Tratado imposto pela Alemanha, conhecido como Acto Unico, e que deu à Alemanha a força necessária para impor a sua vontade sobre os restantes países, através do rátio de “mais população, mais poder”.
Sabia que a proposta da Grécia para a troika não foi aceite porque foi recusada no parlamento Alemão, a Grécia é um país soberano não é uma colónia Alemã, aliás o mesmo foi feito a Portugal, as contas portuguesas, as propostas para a troika e até o pagamento adiantado da divida só ocorreram porque o parlamento Alemão autorizou, e sem aspas porque foi exactamente assim, a Finlândia e a Irlanda só não tiveram de se sujeitar à “aprovação” Alemã, e resolveram os seus problemas mais rápida e mais equilibradamente, porque as suas normas internas, a constituição destes países, não permite que a UE se “intrometa” na sua gestão interna, autonomia de que Portugal e Grécia não beneficiam porque os governos liberais (em Portugal PSD/CDS de Cavaco Silva e posteriormente Durão Barroso/Paulo Portas) destes dois países colocaram nas respectivas constituições a sua subordinação às normas europeias (Alemãs) que obrigam a só fazer o que o Bundestag autoriza, algo com que o actual governo Grego discorda.
Espero que tenha ficado elucidado com o que é actualmente a UE, caso queira saber mais lei-a os tratados Europeus e acompanhe as noticias da UE no site respectivo, vai ver que a UE não existe, o que existe é um país, a Alemanha, apoiada em outros dois (França e Itália) e mais 25 estados, teoricamente independentes, que mais não são que “colónias” Alemãs.
Agradeço as suas informações. Sem querer ser polémico, julgo que se tivermos as contas em dia, como calculo têm muitos dos países da UE , não acham que seja uma ditadura da Alemanha- ou seja vêm a situação dum prisma totalmente diferente que vêm alguns em Portugal, França, Grecia…. Seria preciso muita fé para eu acreditar que a maioria dos povos aceita que um país defina e eles fazem amen, as regras que são ditadas por Berlim.
Sobre democracia discordo dos que acham que deve ser um país um voto; deve ser um cidadão um voto; não estou disposto a que um voto maltês valha oito portugueses, bem como um voto portugues valha tanto como 6 polacos ou 8 alemães.
É uma das aberrações entre muitas que faço figas com o tempo vão ser corrigidas de modo a que a UE continue a ser a zona do mundo onde existe melhor justiça e qualidade de vida em liberdade.
Fernando
Muito interessante mas pouco útil.
Seria muito útil se não tivesse tornado um tema interessante e educativo num manifesto político e num texto com laivos arrogantes, com uma inusitada e despropositada insistência nos “se não sabe”.
Como todos somos ignorantes ainda que em matérias diferentes (mesmo que dentro do mesmo assunto) eu li o seu manifesto e parece-me que a confusão entre factos reais, relevantes ou não relevantes e as respectivas épocas em que se deram é tal que nem dá para supôr se sabe ou não, tem-se a certeza.
Mas as elites não têm bom senso, acham que os outros são todos ignorantes e meio burros e ficam muito espantadas quando verificam que ninguém lhes prestou a justa e merecida atenção.
Aconselho-o assim a andar de autocarro e conversar com pessoas que pensem de modo diferente do seu, acho (acho…) que não tem esses hábitos.
Passe bem
RMG
A minha resposta ao Cristof não foi nenhuma apologia politica, até porque considero-me apolitico (o que não é fácil) e em nenhuma passagem do texto chamo qualquer nome a ninguém, algo que o senhor fez, a mim directamente e em geral, a utilização do “se não sabe” prende-se com o facto de poucas pessoas saberem ou terem memória, e não com nenhuma forma de me sobrevalorizar, do que se passou com a transição das moedas dos vários países para o Euro e de como funciona actualmente a UE, com uma nítida e clara autoridade Alemã sobre os países em “resgate” e basta ler os jornais e ver televisão para saber que as propostas Gregas, assim como aconteceu com as Portuguesas, foram analisadas pelo parlamento Alemão, as Portuguesas passaram e as Gregas foram recusadas.
Sobre o andar de transportes, efectivamente não ando, e não pertenço a nenhuma elite, sou muito “povinho” vivo do me trabalho e pago os meus impostos, mas recolho mais, e talvez melhores, opiniões na minha actividade social e voluntária, apoiando semanalmente um grupo de cerca de 50 pessoas de vários estratos sociais e educacionais, lúcidas e esclarecidas, numa Universidade Sénior.
Fernando
Começo por lhe agradecer a sua atenção ao ter-me respondido.
Quanto ao resto é mais difícil pois o Fernando é manifestamente alguém que julga que os outros são todos potenciais ignorantes ou amnésicos.
Por acaso o comentador “cristof” é das pessoas mais ponderadas que andam por aqui e teve a educação de lhe agradecer apesar do Fernando não ter sequer comentado o que ele disse e antes enveredado por uma exibição de sapiência deslocada e pouco sapiente, como se verá a seguir.
Ora eu tenho uma regra de ouro: nunca partir do princípio que o meu interlocutor sabe menos que eu até evidente prova em contrário, incluíndo aqui pessoas com a 4ª classe tirada na tropa quando eu até sou licenciado há 45 anos e num curso a sério (e não naquilo que se chama “um recurso”).
Se vejo que o outro sabe menos, falo naturalmente nos assuntos, começar a frase por “se não sabe”, “sabia que” e “espero que tenha ficado elucidado” é pura arrogância intelectual sem qualquer base nem sentido, até porque o “cristof” não só não estava a falar consigo em particular como ainda por cima nem estava a falar de nada disso.
E fazê-lo como o Fernando o fez só pode levar a situações desagradáveis.
Diz o Fernando que é apolítico e passa os comentários todos a cascar (e mal, já lá vamos) na Alemanha, olha se não fosse apolítico!
Mais uma vez agradecia que não viesse com tretas (desculpe, mas não há outro termo) para cima de quem tanto pode ser um idiota chapado como uma pessoa que viveu mais em cada 5 anos da sua vida do que o Fernando na vida toda pois por aqui há de tudo.
O que é que sabe sobre nós todos?
Vem-me agora com história do euro.
Esta sua frase vale milhões: ”só para sua informação 1 escudo não valeu um euro, nem 10 escudos (valor inicialmente proposto por Portugal), foram “precisos” 200 escudos para ter 1€.”
Portanto o Fernando vem contar a pessoas da sua idade que um euro vale 200 escudos, coisa que os meus netos aprenderam com 4 ou 5 anos e agora com 14 e 15 até já convertem euros em “contos” de cabeça.
O senhor não pensa antes de escrever estas coisas?
De resto o euro esteva equiparado ao ECU, mas o ECU era uma unidade contabilística europeia “teórica” (nunca foi uma moeda) baseada no conjunto das moedas integrantes e não, como erradamente afirma, na vontade de A ou B (e digo B porque o Fernando escamoteia ingénua ou propositadamente a importância da França nisto tudo).
Como escamoteia que, ao contrário dos outros todos, a Grécia teve logo à partida um tratamento preferencial (e com as contas todas aldrabadas!).
Portanto essa “moeda fictícia” estava totalmente interligada com todas as outras, das quais a libra esterlina – que nem entrou no euro – era a mais importante, o que só agrava o seu evidente tomar de partido.
Vem-me a seguir com a conversa de que a “proposta da Grécia para a troika não foi aceite porque foi recusada no parlamento Alemão”, o que é uma falsidade que o devia envergonhar.
Nenhuma proposta da Grécia foi rejeitada pelo parlamento alemão pois as que foram apresentadas ao parlamento alemão foram sempre aprovadas.
De resto podiam ser aprovadas no parlamento alemão e ser reprovadas noutro qualquer dos inúmeros parlamentos dos outros 17 países da Eurozona onde teriam que ser aprovadas.
Agora é a minha vez: não me diga que não sabia!
Já agora e passando por cima de inverdades várias de um “ anti-alemão complexado” como o Fernando mostra ser, mas que presumo lhe dêem um gozo especial em espalhar junto dos que acreditam em si na universidade sénior, resta-me falar-lhe de um assunto.
Faço assim questão que me explique a sua frase “A Alemanha impôs o seu aço à restante Europa, em Portugal foram encerradas todas as industrias que se dedicavam à metalurgia, por força de um Tratado imposto pela Alemanha, conhecido como Acto Único”.
Mas desde já o aviso que trabalhei 18 anos , 15 dos quais como director e mesmo director-geral, em empresas “que se dedicavam à metalurgia” nos anos de 1976 a 1990.
Estamos assim entendidos quanto à “qualidade” da resposta que espero de si, é isso?
É que isto de achar que pela blogosfera só andam coitadinhos sem passado, sem presente e sem futuro às vezes dá para o tôrto…
(continua, peço desculpa)
(continuação do anterior, volto a pedir desculpa)
Finalmente.
“Basta ler os jornais e ver televisão para saber”.
Basta?
Disse Thomas Jefferson há 200 anos, rodeado de analfabetos e poucos jornais:
“O homem que não lê nada é mais culto do que aquele que só lê os jornais”
E o Fernando acha que no mundo de hoje isso adianta muito?
Eu não vejo televisão há 22 anos (zero absoluto), quando estou os meus 15 dias por mês sózinho na Beira Alta nem a ligo à ficha, minha mulher chega de Lisboa e pouco a acende.
Gosta assim tanto de aceitar o que os “donos da informação” lhe impingem?
E o que é “ler os jornais”?
Eu passo todos as noites 3 horas a ler os jornais on-line do mundo inteiro (durmo pouco), falo e leio 5 línguas e assim cruzo informação, é a isto que se refere?
Ou aceita como bom o lixo que vai cá pela terra sem se questionar muito mais?
Não pertence a nenhuma elite?
Olhe que não, doutor, olhe que não!
Uma elite não tem a ver com dinheiro ou posição social mas pode ter apenas a ver com a maneira como olha os outros e disso já conversámos atrás.
Deve ter percebido mal a ideia de andar de autocarro: era andar neles para conhecer o país em que vive.
A sua actividade é decerto meritória mas só lhe dá a conhecer as mesmas 50 pessoas que, sendo apoiadas por si, de si dependem de uma forma ou outra, o conhecem bem e o Fernando a elas, é importante mas é um circuito fechado.
Ora eu não ando de autocarro porque preciso, já expliquei aqui várias vezes que não só tenho 2 carros muito razoáveis (comprados em 2ª mão, recuso-me a comprar carros novos) como tenho meios financeiros para andar com eles sempre que me apeteça e para onde me apeteça, seja ír à esquina seja fazer 600 kms.
Só que para conhecer o país em que se vive tem que se andar de autocarro, temos que estar sentados ao lado de alguém que não sabe nada de nós nem imagina que vai ali um gajo que, se soubessem qual a vida real dele, o correriam a pontapé em vez de desabafarem normalmente.
Percebeu porque é que não me respondeu a nada?
Mantenho-me aberto, como sempre, à troca saudável de ideias.
Cumprimentos
Sr. RMG
Não sou contra os Alemães, se bem que só o facto de serem os maiores criminosos da história da humanidade seria razão para não gostar deles, mas isso seria uma razão abstrata para justificar outras razões, a única coisa que me move contra os Alemães é a sua arrogância, a sua prepotência e o facto de quererem mandar na Europa, sendo no pós guerra o país que mais deve à Europa, e refiro-me a toda a Europa, ou então os historiadores são todos uns mentirosos.
Em momento algum ofendi qualquer interlucotor, e se por acaso tiver tido alguma expressão menos correcta, apresso-me a pedir desculpa assim que me apercebo ou me chamam a atenção para o facto, para mim toda as pessoas são mais inteligentes que eu, o meu problema é ter uma memória mais ou menos boa, e regulo a minha forma de ser e estar por dois principios: “so sei que nada sei” e “pobres de espirito aqueles que julgam tudo saber”, e se por acaso utilizo várias vezes a expressão “não sei se sabe” o “talvez não saiba” não é com o intuito que o senhor lhes atribuiu, mas sim como forma de “chamar” a atenção, nunca para chamar ignorante ou “parvo” a ninguém, como o senhor parece querer indiciar que uso.
Sobre a questão Alemã, e desculpe voltar “à vaca fria”, ainda ontem depois da senhora Merkel ter dito que só voltaria a “falar” com os Gregos depois do referendo, o representante do actual país “presidente” do Conselho da União Europeia veio logo dizer que os próximos contactos seriam conforme a indicação Alemã, só depois do referendo.
Sobre a sua cultura, dou-lhe os parabéns, infelizmente eu tive de começar a trabalhar com 14 anos e não pude tirar nenhum curso, sou da geração em que só quem tinha dinheiro podia estudar, o que infelizmente na casa dos meus falecidos pais não abundava, mas tive educação e formação humana para, mesmo que fosse doutor, não lançar o meu estatuto para cima de ninguém, cada um é o que pode ser e deve ser respeitado pelo for, não pelo que tiver.
Sobre a minha actividade, não são sempre as mesmas, em média, 50 pessoas, pelo que o universo com quem troco ideias é um pouco maior e mais multicultural, não sou nenhum “guru” nem “orientador”, sou um conversador.
Sobre o andar de autocarro, felizmente, a minha vida já me permitiu andar por vários cantos deste pequeno rectangulo, e já falei com pessoas de várias classes e com várias educações.
Sr. Fernando
Agradeço a sua atenção mas, como espero compreenda, não vou continuar pois tenho mulher, filhos, netos, amigos, conhecidos, muitos livros, imensos discos e um conjunto enorme de outros assuntos que me ocupam as 18 horas que estou acordado por dia e o Fernando não está a tornar o debate mais útil, o que lamento.
Agora estou à espera de um senhor que me ajuda aqui nas lides beirãs, por acaso é analfabeto mas aprendo mais com ele do que com muita gente que vem para aqui, até os meus netos ali pelos 14/15 anos não saem de ao pé dele quando ele cá vem (se não tem netos ou se pouco estão consigo não pode perceber o significado disto num tempo em que eles só pensam em computadores e PS4 ).
De resto não rebateu nada do que eu disse e limitou-se a pôr a mesma cassette.
Os historiadores não são todos uns mentirosos mas os que V. Exa. prefere, não sendo necessáriamente mentirosos, também pelos vistos não contam a verdade toda (nomeadamente os interesses das potências – EUA, Grã-Bretanha, Rússia e França – nas contas do pós-guerra).
Quanto aos alemães serem os maiores criminosos não sei discutir porque um povo não pode estar a pagar sempre pelas culpas dos seus antepassados nem pode estar a ser recompensado sempre pelos méritos dos seus antepassados (este último caso é o da Grécia e mesmo assim alguém que me explique que raio de democracia era aquela com 10 escravos para cada cidadão livre).
Imagine um conhecido seu ou até um amigo seu com ideias progressistas mas cujo pai ou avô eram da PIDE ou da Legião: o Fernando estaria sempre a ír buscar isso ou deixava logo de lhe falar quando o descobrisse?
De resto não pareço indiciar o uso infeliz de algumas expressões por si: usa-as mesmo, não sou de meias palavras.
Que não seja por mal também acredito, mas isso já não é um “problema” meu.
Também não sei onde foi buscar essas histórias todas do diz que disse dos alemães e não alemães de ontem, mas já percebi que só lê jornais nacionais e só vê TV nacional, isso limita muito o conhecimento dos factos, sejam bons ou maus aos nossos olhos.
Os alemães mandam mais que outros? Não digo que não.
E o Fernando quer continuar a receber a sua reforma (se a tem ou quando a tiver) ali no dia certo? E com que dinheiro se Portugal não seguir as regras dos outros 17 que ainda as seguem?
“Sobre a sua cultura, dou-lhe os parabéns, infelizmente eu tive de começar a trabalhar com 14 anos e não pude tirar nenhum curso, sou da geração em que só quem tinha dinheiro podia estudar, o que infelizmente na casa dos meus falecidos pais não abundava, mas tive educação e formação humana para, mesmo que fosse doutor, não lançar o meu estatuto para cima de ninguém, cada um é o que pode ser e deve ser respeitado pelo for, não pelo que tiver.”
A partir desta sua frase a conversa morreu.
Como decerto imagina a minha cultura não vem do facto de ter tido pais que me puderam pagar um curso pois isso não tem mérito absolutamente nenhum, algum esforço eu tive que fazer.
Como sabe isso não chegava, 90% dos meus amigos da época também os tinham e preferiram as esplanadas.
Ainda mais: todos os meus filhos tinham mais apoios que eu tive para tirar um curso e nenhum o quis tirar, nem a frequência do 1º ano duma faculdade têem.
Se tenho cultura ou deixo de ter é porque estudei e estudo sempre, nada daquilo que lhe disse me vem da universidade de há quase 50 anos, aliàs estive a estudar para lhe responder o melhor possível em vez de estar a ouvir notícias idiotas, um trabalho a que o Fernando nem se deu para me responder e que só lhe tinha ficado bem, preferindo insistir em ideias feitas que lhe impingem.
Acaba ainda com a prova de que não liga muito ao que os outros escrevem: eu disse que apesar de ter 2 carros bastante razoáveis ando de autocarro para conversar com quem me cerca, portanto o meu universo será aí de umas 2000 a 3000 mil pessoas por ano e nunca me saíu duas vezes a mesma.
Assim como não percebeu que um tipo que passa dezenas de anos em empresas da indústria pesada falou toda a vida “com pessoas de várias classes e com várias educações”, como é de imaginar.
Um bom mês de Julho para si
Prezado Fernando, cas/Dominios%20Estatisticos/Estatisticas Cambiais/Paginas/TaxasdeConversaoIrrevog aveis.aspx
apesar de concordar genericamente consigo, a taxa de câmbio marco/euro não é exactamente aquela que escreveu… apesar de sermos contra, convém sermos rigorosos para não dar argumentos aos «irrevogáveis e fatídicos, vulgo “inevitáveis”»…
https://www.bportugal.pt/pt-PT/Estatisti
nao vou reler o post, a culpa de pouco o ter compreendido só pode ser minha. O diz-se diz-se e os foguetes nao enganam o essencial, alias aconteceu exatissimamente o mesmo em portugal : O governo socrates a atacar os salarios, os empregos, as pensoes, e, grosso modo, o povo votou noutros. Afinal o coelho desatou a roubar mais que o socrates, enquanto que os novos eleitos na grecia querem o fim da austeridade falhada. Portanto, o povo escolheu diferente, o fim da austeridade. Por outro lado, obvia e evidentemente a trampa dos mercados, para nao me alongar, jamais cooperariam com a nova grecia, pelo contrário fazem e farao a vida negra á rebelde grecia
A julgar pelas notícias que vinham a público, a divergência entre os negociadores centrava-se na maneira de atingir as metas e não nas metas em si.
A linha dos credores continuava a ser a mesma, com os resultados que se conhecem. Não é de acreditar que continuar com o mesmo tipo de medidas se obtivessem resultados diferentes dos “conseguidos” em anteriores resgates.
Em rigor, o processo de negociação não foi mais que um processo de divórcio que ainda está no seu início. Ambas as partes sabem que a dívida da Grécia é impagável nos termos oferecidos pelos credores. Este espírito punidor da parte da Europa para com a Grécia faz-me lembrar o período entre-guerras e a colossal dívida alemã a ser exigida pelos países vencedores da I Guerra… e o resultado que isso deu. Mas em matéria de história europeia e as lições que ela nos dá, acho que os srs. do Eurogrupo não são lá grande especialistas. Parafraseando o personagem do Herman, “eu é mais números..”.