E agora, mãe? Quando sair da escola vou fazer o quê? E como é que vamos sair da crise? E se acontece alguma coisa como na Noruega? Ou se temos células terroristas em Portugal? E aquele miúdo que desapareceu aos 11 anos e estava só a andar de bicicleta? E o que é a hepatite? E mata mais que a sida? E como é que temos filhos se temos de usar preservativo? E se for um falhado e ficar na caixa de hipermercado com autorização para ir à casa de banho de quatro em quatro horas? E se Deus não existir? E se Deus existir e andar a espreitar os meus gestos? E agora, mãe?
e agora, mãe?
Patrícia Reis,

— Meu filho… confesso que deveria ter-te dado mais atenção…. falar mais contigo sobr essas coisas que te atormentam… Juro que a partir de agora vou preocupar-me mais…ensinar-te…tá?
— Bué da bom mâ Pati…. também novela não presta mesmo…né?
“come a sopa filho. Pscht, já te disse para comeres a sopa!”, é o que um dia vou responder, quando for mãe aos 40 (altura em que, com alguma sorte, estarei a ganhar mais de 600€ por mês e terei um contrato de trabalho). É que as respostas ainda são mais feias que as perguntas, e nós queremos sempre proteger as nossas crias.
Possibilidade de resposta:
TE DEUM
Not because of victories
I sing,
having none,
but for the common sunshine,
the breeze,
the largess of the spring.
Not for victory
but for the day’s work done
as well as I was able;
not for a seat upon the dais
but at the common table.
Charles Reznikoff
🙂
Este teu belíssimo post lembrou-me a frase do Verlaine: “E se esses ontens viessem devorar os nossos belos amanhãs?”
Não há respostas convincentes a dar a um filho que faça essas perguntas, e isso é terrível. Só podemos dizer-lhes que vivam, e que tentem mudar o mundo que nós fizemos assim.
Tens razão, Ana, mas eu respondo a tudo. Que não temos uma bola de cristal, logo não sabemos como será o mercado profissional e que não vale a pena morrer de véspera. Que morrer é o mais certo, logo o melhor é só desperdiçar energias naquilo e em quem queremos. Que devem escolher o que lhes agrada mais e se forem para palhaços não faz mal. Compro preservativos e mostro como funcionam e explico-lhes que a banalização do sexo e da morte que a TV trouxe é uma grande tanga. Que o corpo é como um templo e que temos de zelar por ele. Que loucos há em todos os lados e por isso mesmo é que precisamos de cuidar de quem amamos e ter cuidado quando andamos na rua. Que o terrorismo é uma realidade, mas não nos pode paralisar. Que Deus deve existir, nem que seja como forma de consolo, para que não nos tenhamos que sentir tão sós. As perguntas angustiam? Sim. Mas não podem ficar sem resposta:) dantes podiam, porque queriam proteger-nos, agora precisam de resposta. Bj
Não podem, é verdade, mesmo que doam. E sabes que mais? Os teus filhos estão bem servidos de respostas. Ou seja, estão bem servidos de mãe.
🙂 beijos
E agora, meu filho?
Tem Fé.
A tua avó nasceu durante uma guerra mundial onde foi utilizada, pela primeira vez, a Bomba Atómica. Época de grande fome e destruição.
Ainda assim conseguiu ter uma vida e ter alguma felicidade.
Vive a tua vida, um dia de cada vez, talvez o dia de amanhã seja um pouco melhor do que o dia de hoje.
E nunca te esqueças que tens sempre uma Mãe.
Tem Fé!