Sentado ao lado de Muammar Kadhafi, José Sócrates foi a estrela do 41º aniversário da revolução líbia, que foi celebrado nesta quarta-feira. Segundo o relato da agência Lusa, o primeiro-ministro português viu-se mesmo obrigado a fazer uma noitada para assistir a todas as festividades, depois de cumprido o breve encontro «5+5», que reuniu representantes de vários países do mediterrâneo.
Os principais momentos da reunião são revelados por imagens que mostram o primeiro-ministro português sentado ao lado de Kadhafi.
O líder líbio fez questão de ter Sócrates juntamente com o primeiro-ministro sérvio, Boris Tadic. no seu automóvel durante as celebrações, que tiveram lugar num hipódromo. José Sócrates e a comitiva do Governo português, composta também pelo ministro Luís Amado, abandonarem o local já depois das duas da madrugada.
Segundo informação da agência de notícias local, JANA, também estiveram presentes os presidentes da Serra Leoa, Guiné-Conacri, Malta, Tunísia e Argélia, para além dos primeiros-ministros da Croácia e da Eslovénia. Os vice-presidentes de Espanha, Grécia e Turquia, para além dos ministros dos negócios estrangeiros de Itália e Chipre também não faltaram.
PERGUNTAR OFENDE?
Algum senhor jornalista fará o favor de perguntar (de caras) ao nosso 1º ministro se admite conceder asilo político ao seu amigo Kadhafi e com local á escolha para montar a tenda? E como vai ficar essa coisa dos amigáveis negócios? Ou será que só existe autorização para perguntas de catálogo sujeito a aprovação prévia? Questioná-lo pode ofendê-lo? Anda tudo acagaçado ou quê? Não se deixem intimidar pelo afundamento (provocado?) do “plano inclinado”. E perante a sistemática agressividade perante questões que lhe mordem, quando é que finalmente lhe lembram energicamente que não é ele que faz as perguntas?
Subscrevo todas as perguntas, Amarques.
Mais desonestidade intelectual…
Mais etiqueta desonesta porque não fundamentada. Continuo ao dispor para discutir.
V. é um poço de argumentos, Fernanda.
Para o actual executivo, os interesses do país e dos seus cidadãos estão em primeiro lugar, como têm demonstrado as evidentes situações caricatas – ou acontecimentos insólitos – em que o primeiro-ministro se tem visto envolvido, aquando do “beija-mão” (algo compulsivo) às chefias reinantes dos países que visita.
Diplomacia “oblige”…
Para uns, o objectivo é claro e transparente: potenciar o aumento da exportação através da celebração de acordos comerciais com as empresas portuguesas. Para outros, que não têm qualquer empenho ou interesse no crescimento económico do país – talvez porque foram lesados nos seus interesses pessoais – esses mesmos acasos só servem de combustível à produção de afirmações gratuitas, a roçar o escárnio e a maledicência.
Não vou argumentar mais coisa nenhuma, até porque esta não é a minha guerra…
Vamos então a isto, Fernanda. Partiu de uma acusação de desonestidade intelectual. E fundamenta-a, agora, em interesses económicos que tudo justificam. Não consigo prescindir de uma visão do mundo em que alguns direitos são fundamentais. Os direitos humanos são para mim absolutos. E valem tanto os dos Líbios como os meus. Ali onde são violados de forma grosseira, como é o caso, devem ser condenados. E devo ainda dizer que, ao contrário do que sugere, o que está a acontecer na Líbia não é um acaso. É uma inevitabilidade. As ditaduras nascem para ser derrubadas. Por isso, para lhe dizer tudo, considero que a desonestidade intelectual está precisamente no facto de admitirmos para os outros o que não queremos para nós. E de o justificar com base em interesses egoístas. Isto seria suficiente para responder à sua acusação. Mas, não resisto ainda a dizer-lhe que o seu ponto de partida está errado também quanto ao pressuposto. É que a defesa dos interesses a que se refere tem implícita uma lógica de curto prazo. Porque o apoio a ditadores (e é disso que se trata quando vemos Sócrates a participar na comemoração do 41º aniversário da revolução Líbia) é uma péssima estratégia de médio e longo prazo. E sobre esse ponto, escreveu ontem Lluis Bussets um exemplar artigo que aqui lhe recomendo: 011/02/nos-dar%C3%A1n-las-gracias-no-os-p reocup%C3%A9is.html
http://blogs.elpais.com/lluis_bassets/2
Este seu comentário tem muito de retórico…, blá, blá, blá, blá.
Nem eu, nem o Primeiro-ministro ou o Ministro dos Negócios Estrangeiros somos fiéis apoiantes de regimes ditatoriais, nomeadamente o da Líbia.
A nível dos países produtores de petróleo – os que têm mercado onde nos podemos infiltrar – quais são os que oferecem “boas estratégias de médio e longo prazo”? Porque não aproveitar as de curto prazo? Pelo menos já estaremos instalados quando se verificar a mudança de regime…
Existe muito desconhecimento por parte de alguns cidadãos portugueses, sobretudo os que detêm convenientes posições no mercado de trabalho nacional, sobre os cidadãos que correm atrás de outros mercados de trabalho por esse mundo fora! E não caberá aos governantes apoiá-los directa ou indirectamente?
Algum dos estimados comentadores e bloggers faz ideia de quantos cidadãos portugueses trabalham presentemente em Angola, e qual a sua situação?
Com que apoios e a partir de quando é que o vasto leque de profissionais que opera em Angola para lá se deslocou? No tempo dos governos social-democratas é que não foi…
Fernanda, já disse tudo o que penso sobre o assunto. A acrescentar, apenas o que o Pedro Correia referiu aqui mais abaixo e que não consigo dizer melhor.
Subscrevo e aplaudo estas tuas palavras, Rui: “O que está a acontecer na Líbia não é um acaso. É uma inevitabilidade. As ditaduras nascem para ser derrubadas. (…) Considero que a desonestidade intelectual está precisamente no facto de admitirmos para os outros o que não queremos para nós.”
O ponto é este mesmo: sem a ajuda de países democráticos, talvez ainda vivêssemos em ditadura e não haveria o “blablablá” a que a Fernanda tão depreciativamente se refere. Em muitos países do mundo actual o “blablablá” dá prisão. Ou até forca.
Hoje, em democacia, temos o imperativo moral de estar ao lado de quem sofre em ditadura. Seja em que quadrante geográfico e político for.
Por favor não façam interpretações erradas das minhas palavras. Os acasos a que me referi dizem respeito às festividades havidas na Líbia que foram partilhadas pelo primeiro-ministro, e não à insurreição propriamente dita.
Todos sabemos que os regimes ditatoriais não estão em concordância com a defesa dos direitos humanos. Mas a prática do motim será a melhor maneira de os derrubar? Veja-se o que aconteceu em Portugal com a revolução dos cravos em que passados 35 anos estamos a viver uma crise económico-financeira profunda e bastante gravosa. Mas valha-nos então a liberdade de expressão e a defesa dos direitos humanos…!
Não, não estou a defender a manutenção das autocracias, mas a apontar para a solução do problema pela via pacífica, negocial, sancionatória. O que entre nós, e ainda no exercício de Marcelo Caetano, deveria ter acontecido. Hoje, não existiriam, com certeza, tantos casos de enriquecimento ilícito sem condenação ou políticos mal formados fazendo parte de autênticos grupos mafiosos com poder de decisão.
Crê, na verdade, que existe via pacífica possível quando se trata de alguém responsável por Lockerbie ou que manda bombardear o seu povo?
Existe a sancionatória…
Ia jurar que a ouvi dizer que era aceitável fazer negócios com este e outros regimes. Fazer negócios ao mesmo tempo que se sanciona… Dá cá o petróleo e o gás mas, leva lá umas multas e uns embargos… que não se aplicam ao petróleo e ao gás. E já agora deixa-me fazer aí umas obras e vender uns Magalhães. Sim, e há por aí uma festa para comemorar a revolução e vou todo animado ao teu lado. Hmmm…
As sanções são aplicadas por um conjunto de países como aconteceu com o Iraque, por parte dos EU e da UE.
O quadro que traçou deve fazer parte de alguma passagem da banda desenhada…
Deve ser isso, Fernanda.