É a economia, estúpido


Pedro Correia,

 

É conveniente recordar a alguns colegas da blogosfera que Manuela Ferreira Leite foi derrotada nas urnas, há pouco mais de quatro meses, por José Sócrates. Perdeu, entre outros motivos, porque fez uma péssima campanha, centrada na "asfixia democrática", algo que os eleitores não entendem num país onde o primeiro-ministro é alvo diário das mais duras críticas em todas as plataformas informativas. Passado este tempo, o PSD não conseguiu ainda arrumar a casa – como conseguirá convencer os portugueses de que é capaz de arrumar o País? E o pior é que o País anda a necessitar com urgência de ser bem gerido: sabe-se agora que Portugal se despediu de 2009 – um ano para esquecer – com a quinta taxa de desemprego mais alta entre os países da OCDE. Logo atrás da Espanha, Eslováquia, Irlanda e Hungria. O desemprego afecta já directamente 10,4% da nossa população.

Isto significa que hoje, tal como no Verão passado, não é preciso inventar nada para fazer oposição com eficácia. Basta seguir o mote proclamado por James Carville, o super-assessor de Bill Clinton na campanha presidencial de 1992: "É a economia, estúpido." O mote deu resultado: Clinton derrotou George Bush (pai) nessa eleição. Enquanto não perceber isso, enquanto permanecer enredado em "asfixias", o PSD continuará a somar derrotas.

15 comentários em “É a economia, estúpido”

    1. No fundo, Paulo Rangel deu ontem nas vistas para demonstrar que ainda pode vir a ser candidato à liderança do PSD. Fê-lo da pior maneira possível. E matéria de forma e de fundo.

  1. dou-lhe inteira razão mas creio que a estratégia continuará a ser a mesma. ontem tivemos o rangel (futuro líder) a reivindicar liberdade de expressão em portugal . a histeria está a derivar para a demência. é isso que pensará um qualquer deputado do parlamento europeu que, em visita a portugal , leia os jornais ou veja a tv .

    1. Rangel, como digo acima, fez o que fez por motivos de tacticismo interno do PSD. Assim se persiste num erro que se revelou fatal para os sociais-democratas nas legislativas de Setembro. Faltam estadistas, como há pouco disse a insuspeita Manuela Ferreira Leite.

  2. Todos querem liberdade de expressão para dizer que não há liberdade de expressão. Poucos a usam para criticar o rumo do país, com factos que estão à vista, e aproveitar para apresentar melhor soluções.
    Mas os factos que estão à vista, falam-se por números, rating’s, etc. Não entra no coração. O que entra no coração é a vitimização – ‘ninguém nos deixa falar e é por isso que ninguém nos cala com isto!’
    Mas o povo não é assim tão estúpido! Mas o povo há-de acordar para ver, realmente, a massa de que são feitos os que se colam aos microfones e que ninguém ouve, porque não podem falar. No entanto, não há quem os cale sobre não poderem falar.
    Mas o povo não é assim tão estúpido!
    Pois não?
    não, não…………

  3. Finalmente, o PSD começou ontem a somar pontos. Paulo Rangel disse ao Parlamento Europeu que José Sócrates tem de dar explicações ao nosso país. Foi uma vitória do PSD, não foi?

    1. Mais do que uma vitória: uma lufada de ar fresco num país à beira da asfixia. Finalmente, desenha-se uma alternativa clara, fresca e cheia de pica!

        1. Vá, também não é caso para afagar o ego ao moço e dar-lhe um estatuto de tanta responsabilidade. Digamos que… é mais picareta! Mas há-de subir na carrreira! E então cá em POrtugal…

  4. Dou de barato que Manuela Ferreira Leite fez uma má campanha, sobretudo pelas incongruências reveladas a propósito da Madeira.

    Mas o Pedro Correia está mesmo convencido de que uma campanha séria e que diga ao país aquilo que tem que ser feito, dará a vitória a alguém?

    1. Meu caro, fazer uma campanha eleitoral com base em abstracções, como a “asfixia democrática”, enquanto se louvava os bons ares que se respiram na Madeira, foi um erro crasso. É a economia que interessa. O triste e preocupante estado da economia em Portugal. Se isto não motiva e não mobiliza os portugueses, não seri os que os motivará e mobilizará.

      1. Eu também não sei, mas a verdade nua e crua, com a correspondente profilaxia, não é de certeza.

        Não creio que qualquer partido que venha propor despedimentos na Função Pública (no mínimo 70.000), redução de salários no Sector Público (20 a 25%), privatização da Carris, Metro, TAP, CP, flexibilização a sério do Código do Trabalho, entre outras medidas, consiga eleger um grupo parlamentar que encha dois táxis. Como é evidente, nada disto será proposto.

  5. Quanto aos números da (des)governação socialista, eles “falam” por si. Quanto ao conteúdo inaceitável/condenável das “escutas”…

    Com mais um caso fulminante
    neste regime a propender
    a quietude dissonante
    é difícil de se esconder.

    Com tanto monturo varrido
    para o tapete fartado,
    o caso será discorrido
    como mais um tão enquistado.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *