“Darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão” (Êxodo, 21; 23)
“Não deixarás viver a feiticeira” (Êxodo 22; 17)
“Quando se encontrar no meio de vós um homem ou uma mulher que faça o que é mal aos olhos do Senhor teu Deus (…) apedrejá-los-ás até que morram” (Deuteronómio 17; 2 – 5)
Também nós, cristãos, travámos a nossa guerra santa. Dos autos de fé à evangelização a fio de espada transcrevemos a sangue muitas passagens do nosso livro sagrado. Mas isso foi há séculos. Desde então fizemos o longo caminho que consagrou o respeito pela vida humana. Algo sem paralelo noutras culturas. Orgulho-me desta marca civilizacional, por constituir a maior prova de que é possível superar os estreitos limites da natureza humana e alcançar algo maior.
Sou cristã não católica e ainda que seja muito crítica em relação à ICAR, reconheço que embora contradiga algo de fundamental na mensagem cristã, que prega a igualdade de todos os seres humanos perante Deus, a hierarquia facilita a sua afirmação no mundo e uma certa coerência doutrinária.
Os islamistas não têm um chefe supremo, mas várias coutadas, umas mais influentes que outras, representando diferentes correntes. Estas circunstâncias explicam dificuldades e constrangimentos de comunicação para o exterior, mas não desculpam a ausência de concertação de posições face ao que se passa actualmente no mundo islâmico, o seu mundo.
Os moderados juram que o seu Corão é fundamentalmente uma mensagem de amor pela humanidade. Assumem-se como pacifistas, demarcam-se dos movimentos extremistas e recolhem-se no recato das suas orações, esperando que os infiéis lhes resolvam os problemas de má Imprensa. Há dias, o chefe da comunidade islâmica em Portugal, Abdool Karim Vakil, interrogado numa entrevista ao Expresso sobre a escalada de terror que se tem observado no Iraque e na Síria, respondeu: “Também há cristãos terroristas, hindus terroristas, judeus terroristas. O ser humano é assim. Matar é um pecado muito praticado.” E seguiu, afirmando: “Também existem fanatismos na política. Há muitos fanatismos, cristão, judaico, hindu, etc. O do islão é mais mediático.”
À pergunta: “Não acha que deve haver uma condenação mais forte e uma demarcação mais taxativa dos moderados em relação aos extremistas?”, respondeu: “Eu abstenho-me de fazer comentários. Telefonam-me a pedir opinião, eu queria evitar falar muito.”
Sobre a guerra de morte entre sunitas e xiitas, repetiu como um realejo: “Fanatismo existe em muitos lugares.” Na mesma linha de raciocínio, sobre a discriminação das mulheres pelo islão, argumenta: “A mulher é inferiorizada em muitas sociedades. Em Portugal a mulher não tinha os mesmos direitos. Não podia votar.”
Tudo é relativizado por este homem de paz. Sobre os jihadistas: “Não são assassinos por natureza. Julgam que estão a fazer o bem.” As suas atrocidades são reprovadas com um lacónico: “O islão não prega isso.”
Sobre os bombistas suicidas e a ficção das 70 virgens no paraíso, comenta: “O que se há-de fazer? Estou feliz por em Portugal não haver isso.”
O que se há-de fazer?! Pilatos não diria melhor. Estes moderados-não-me-comprometa não põem a cabeça no cepo. Preferem deixar o trabalho sujo para os infiéis.


Moderados do BPN…
Vendo pelo lado religioso tambem no sec XV da religiao castolica houve enorme selvejaria(a inquisição foi tenebrosa).
Vendo pelo lado de roubo, não têm sido aqueles povos que têm invadido os “nossos” nem roubado as nossas riquezas, certo?
Nozes precisamos mesmo é de ser todos decapitados. Isto para começar.
Este, coitado, volta a ‘tenebrosa inquisição’ dos anos de mil e quinhentos e troca e passo… O relativismo nestas cabecinhas esquerdalhas é a maravilha das maravilhas. Sempre gostaria de saber como esta criatura se sentiria se os execráveis criminosos terroristas islâmicos lhe apanhassem na via pública um familiar, a mulher, por exemplo, a expusessem com uma opa cor de sangue à volta do corpo ao mundo e, de seguida, o carrasco a decapitasse com uma faca de matar porcos.
Bem registado e oportuno, Teresa.
A alguns os milhões pesam só nos bolsos, a outros até na língua.
Assobiam para o lado com um despudor imacreditável, Sérgio. Quando deviam estar na linha da frente no combate ao monstro que criaram. Não pode ser. A comunidade internacional deve exigir-lhes mais comprometimento.
Ou a superioridade da cultura ocidental.
Se Cristo pregou o amor, a fraternidade e a paz entre os homens de boa vontade, já os primeiros cristãos não foram tão pacíficos em vontade como o mestre. As cruzadas, o que as antecedeu e o que se lhes seguiu, não abona nada em favor do catolicismo. Os sucessivos “sucessores” de Pedro eram uns debochados materialistas, corruptos e assassinos. Séculos de interpretações do livro, desaguaram neste patamar de indecisão em que a Igreja Católica se encontra presentemente: fragilizada e bastante desacreditada.
É verdade que há fanáticos em todos os quadrante, políticos, religiosos e culturais . Este estado islâmico, não trata só de fanatismo religioso, ou não necessitariam de execuções em directo para o mundo ver. São pura e simplesmente terroristas arrogantes e narcisistas, que ao contrário dos desígnios do corão, apostam na imagem como símbolo da idolatria pelo terror. São financiados pelo grande capital islamita e acredito que o chefe da comunidade islâmica sofra do mesmo mal que muita gente sofre em relação a esse tipo de gente: medo.
Pois, têm medo. Mas têm também mais responsabilidades do que todos os outros no combate a esta cruzada de terror, Dulce.
A Ideologia Islâmica é Imperial.
O desígnio do Corão é dominar o mundo.
Escrever esta frase:
“que ao contrário dos desígnios do corão, apostam na imagem como símbolo da idolatria pelo terror.”
É só possível por quem não percebe nada do Islão e não leu a sua história.
O Islão sempre exibiu as suas conquistas na cara de quem conquistou. O Islão sempre explorou a propaganda do terror para subjugar e oprimir populações pela pura intimidação.
“São financiados pelo grande capital islamita”
Tinha que vir a cassete neo-marxista. Vai ver e a comunidade islâmica também o é.
Os habituais exageros dos prosiletistas.
Muito bem. Corajosa e acertada conversa. Parabéns.
São bestas assassinas que há muito perderam qualquer vestígio de humanidade, se alguma vez a tiveram, e que não merecem qualquer contemporização. E é tempo disso ser afirmado sem que se sinta a necessidade de fazer uma prévia mea culpa cristã.
Chega, é mais do que tempo de deixar de sentir essa obrigação. Se foi necessário pedir perdão por coisas que no seu tempo – no seu tempo, insista-se – provavelmente nem foram mais do que isso mesmo: coisas de um tempo, de um estágio civilizacional, agora é tempo de combater a sua repetição no tempo presente, em que felizmente é comunmente aceite que tal barbárie e absolutamente inaceitável. E combatê-la sem complexos, sem culpas que não temos que ter, nós que nem éramos nascidos nesse passado e que temos o grande mérito de ter aprendido e reconhecido esses erros, esses absurdos.
Eu não aceito esse estigma.
Costa
De acordo. Mas palavras não bastam, Devemos oferecer-nos para ir combatê-los lá no terreno. É o que vou fazer, sinto esse dever.
Cuidado com o que deseja…
Costa
Não se trata de fazer mea culpa, Costa. O objectivo é chamar a atenção para o facto de que estivemos lá, mas soubemos evoluir, ao passo que os islamitas estagnaram.
Será como diz, então. Certo é, creio que concordará, que é demasiado frequente essa prévia necessidade, auto-imposta e como se fosse uma má consciência, da admissão de culpas passadas, por parte de quem quer que seja “ocidental”: cristão – ainda que essa fé tenha raízes, alguém já aqui escreveu, a oriente -, branco, nacional de antiga potência colonial e que ouse tocar certos assuntos.
Essa obrigação de expiar, de facto, é anterior e em muito transcende o tema deste seu texto. Vai sendo tempo de a abandonar. Ou então, como o fez, de referir esse passado como a objectiva demonstração da nossa evolução e não como mais um pecado original que sempre carregaremos.
E que isso seja bem claro.
Costa
Percebo bem essa sua irritação, que tantas vezes partilhei. Sobretudo porque as recorrentes justificações e autocríticas dos cristãos chocam com a habitual arrogância dos islamitas que por norma se escusam a esse tipo de retratações. Mas é como digo, Costa, o espírito do post foi outro.
Ali acima a Maria Dulce coloca as questões no condicional, “Se”, e entrega-se a datas que nada tem que ver com “os primeiros cristãos”. E a Teresa resume o problema a uma questão meramente religiosa.
Vou abordar estas duas perspectivas.
Os primeiros cristãos são precisamente aquela meia dúzia de “gatos pingados” que após a festa de Pentecostes se lançam mundo fora a pregar as grandes transformações que podem ser operadas em cada indivíduo, sem primazia do individual, e na sociedade.
Acontece que entre os primeiros mártires – afirma-se usualmente que o sangue dos mártires é semente de cristãos – existia um de nome Estevão.
Existiram certamente fenómenos que ao longo dos séculos têm vindo a ser corrigidos. E se isto não desculpa o Homem, que vai evoluindo, não menos certo é o facto dos valores de Jesus permanecerem inalterados. Quero com isto dizer-lhe que o que tem vindo a evoluir é o Homem e não a mensagem cristã.
Na realidade os homens têm vindo a usar certos ensinamentos para poderem revelar a sua própria faceta. Mas isto não significa que se deva confundir o veículo com o condutor.
Na minha perspectiva existem duas facetas do cristianismo que foram mal esclarecidas e estudadas e que retiraram também a virilidade à Boa Nova, Evangelho. A Boa Nova acentua duas perspectivas que importa abordar:
1 – A perspectiva maternal, que se funde na Universalidade de um Deus que busca o Homem, todos os homens e mulheres;
2 – E a perspectiva guerreira ou masculina, que é para o Homem de barba rija (repare que coloquei o Homem em maiúsculas, para incluir a mulher) e que ousa pegar na fé que acredita que ao contrariar-se a si mesmo encontrará o auxílio que tanto necessita e, consequentemente, mudando-se muda o mundo. Significa isto que o que limita o Homem não é a natureza, mas a opção que faz.
O que assistimos no mundo oriental não é uma faceta religiosa, é uma guerra que usa a religião para poder chegar a bom porto. O problema essencial é social. E a esta questão social, que também tem interferências ocidentais, também se deve adicionar as influências oligárquicas locais que têm ajudado a este fenómeno.
A solução para aquela região não é militar, mas política. E o que se vive não é uma guerra religiosa.
Claro que a religião é um pretexto, mas também por isso os chefes religiosos moderados do islão devem ter parte activa nesta guerra, denunciando a instrumentalização da religião para fins terroristas de uma forma concertada.
Antes de tudo o mais gostaria de dizer-lhe que em matéria religiosa não há chefes nem líderes. É no Homem que habita a doutrina da Liberdade. E habitando, quem quiser ser grande torne-se servidor.
Por outro lado, os religiosos também não intervieram no conflito da Ucrânia e Crimeia contra uns e contra outros, simplesmente fizeram apelos à Paz e discretamente procuraram influenciar os beligerantes.
Estamos perante uma matéria que para poder chega-ser a uns e outros é necessário prudência nas palavras e sabedoria nas atitudes. Os que estão de fora, e acreditam, rezem; e os que não acreditam sejam prudentes.
Não há chefes? Pois.
O que vale é que palavras leva-as o Vento.
Adoro os seus profundos argumentos, Teresa.
E eu o seu tom didáctico (refiro-me ao comentário sobre os chefes da Igreja). Quanto ao resto, não creio que os exemplos que apontou possam servir de referência para a questão que estamos aqui a debater, em que se usa abusivamente como bandeira uma religião e uma cultura. Parece-me óbvio que os seus chefes – lamento, mas até para facilidade de expressão me parece adequado usar a expressão “chefes” – têm o dever de intervir para isolar os que se apropriam do islão para fins terroristas.
E eu referia-me aos chefes, Teresa.
Acrescente mais uma nova perspectiva lendo John Pilger no seu artigo From PolPot to ISIS “Anything that flies over everything that moves”.
Pode ler uma tradução no blog Espectadointeressado, apesar de podendo alargar mais as vistas- para quem gosta de opinioes diferentes das proprias, ler muitos outros artigos deste muito premiado jornalista australiano.
A perspectiva que me oferece, e que agradeço, vai ao encontro do que tenho afirmado.
O problema reside no facto das pessoas deixarem-se espartilhar por medievais posturas, em nome também da ciência, para negar as evidências.
Li aqui, com link a John Pilger no final:
http://www.counterpunch.org/2014/10/08/f rom-pol-pot-to-isis/
Obrigada pelas dicas, Cristof.
Elaborações pós modernas para pura e simplesmente lançar poeira para os olhos.
Tudo o que queria dizer era isto “A solução para aquela região não é militar, mas política. E o que se vive não é uma guerra religiosa.”
A Guerra é Religiosa. É o Islão e a sua doutrina.
Não é o Budismo, o Cristianismo o Judaísmo. É o Islamismo.
Porque a Religião Islâmica é Totalitária.
Na sua doutrina está o controlo de todos os aspectos da vida humana.
Porque a Religião Islâmica que tem a violência como modo legitimo de poder converter e dominar os outros.
…..
Mas isto só chegou onde chegou por causa da Esquerda Ocidental de inspiração Marxista e do seu ódio ao Ocidente.
O meu caro de quando em vez julga ganhar fôlego, para mostrar o mais do mesmo.
Não levou muito tempo para a conversa descambar no velho conflito entre os crimes do antigo Cristianismo e os crimes do moderno Islão. O que eu gostava é que alguém, para variar, se lembrasse de que o Cristianismo é uma religião asiática, fundada a poucos quilómetros do local onde foi fundado o Islão. Quando falam dos crimes dos Europeus, era bom que se lembrassem de que os Europeus foram as primeiras vítimas do Cristianismo, que marchou pelo continente adentro através de um imperador romano ansioso por manter o império unido, devastando os milhares de cultos inofensivos que não tinham o monoteísmo, a intolerância e o proselitismo como preceitos fundamentais. Convém lembrar que já os historiadores romanos se exasperavam com a praga dos cristãos, que andavam sempre a incomodar a ordem pública com o seu fervor de recrutamento e que, convictos de que o fim do mundo estava sempre ao virar da esquina, às vezes tentavam impedir o trabalho dos bombeiros porque o fogo só podia ser um sinal divino. Convém lembrar que das três religiões do Médio Oriente, só o Judaísmo nunca teve grande interesse em impor uma Verdade aos outros nem se preocupou em salvar almas, a qualquer preço, até em troca da destruição do corpo; talvez por ser a versão sem bugs do Cristianismo e Islão, tanto os cristãos como os islamitas lhe tenham um pó desgraçado e tenham consumido tantos esforços para o destruir.
Convém também lembrar que o Islão não saiu do Médio Oriente e se espalhou pelo Norte de África através do missionarismo, mas da conquista célere e brutal. Convém não esquecer que as Cruzadas foram uma reacção à tentativa dos islamitas de invadirem a Europa, a qual foi rechaçada na Batalha de Tours em 732, e que teve réplicas em Lepanto (1571) e Viena (1683): o Islão está a tentar conquistar a Europa há 14 séculos. Convém não esquecer que a marinha americana foi criada para acabar de uma vez por toda com a pirataria islâmica na Europa, que se esticava do Mar Mediterrânico até ao Mar do Norte.
Convém também não esquecer que, por mais que o Cristianismo tenha tentado, a cultural original de tolerância e razão da Europa ressurgiu, o que acabou por levar ao enfraquecimento do mesmo; o Islão não tem essa cultura de tolerância e razão para aonde possa recuar. Convém também lembrar que a Europa não se livrou do jugo cristão sem muitos mártires e sofrimento, e apenas graças a um lento processo de séculos; não vejo qualquer intenção de tal revolução estar para se operar dentro da cultura islâmica. Convém não esquecer que o Cristianismo teve de ser envergonhado, humilhado publicamente pela ciência, em cujo campo tentou lutar, para finalmente perder a sua influência sobre a parte terrenal da vida. O islão moderno, graças aos discursos de apaziguamento e ao confundir tolerância com permissividade, tem enormes defesas contra tais métodos de humilhação, pelo simples motivo de que ninguém quer ser acusado de andar a “falar mal da religião dos outros,” isso não é coisa que se faça, ainda que isso tenha sido a pedra basilar da emancipação da Europa do Renascimento para a frente.
O Cristianismo não se morigerou porque lhe apeteceu, para benefício dos outros; o Cristianismo foi encostado à parede e forçado a sujeitar-se ao poder da razão e do livre pensamento e da liberdade; o Cristianismo foi considerado um inimigo perigoso e lidado como tal. Enquanto não houver um consenso para se lidar com o Islão da mesma maneira, ele apenas poderá continuar a crescer em força e influência, protegido por um bando de intelectuais que são rápidos a exigir para essa religião excepções que os seus antepassados, felizmente, recusaram dar ao Cristianismo.
Aborda várias questões. Sim, cristianismo islamismo e judaismo tem raiz oriental e comum. Lembro-lhe que o pentateuco, composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia, é comum ao judaismo e cristianismo e no Corão encontram-se muitos pontos comuns com estes textos sagrados.
Concordo que é necessário agora, mais que nunca, pressionar para que o Islão se confronte e comprometa com a realidade, particularmente com o monstro que criou.
Miguel,
você faz uma confusão enorme entre cristianismo e império e as práticas de um converso (prosélito) com as normas do direito Romano.
1 – A derrota de Maxêncio marca uma viragem na inclusão dos cristãos no império. Mas o direito romano não excluiu as demais práticas religiosas vigentes no império. Essas questões surgiram posteriormente, durante a constituição dos reinos na Europa. Os historiadores não reportam absolutamente nada que negue a matéria supra;
2 – Só surge a divisão entre cristianismo e judaísmo depois da queda de Jerusalém, em Alexandria, precisamente pela divergência de alguns pontos doutrinais. É aqui que surge a Bíblia dos setenta ou septuaginta. Recomendo uma melhor abordagem histórica ao tema. O problema do judaísmo residia no puro e no impuro e subjugava-se à norma – ver Talmude – ao invés de enaltecer o Homem. Isto é, em vez de retirar o Homem de sua condição escravizava-o ainda mais. O cristianismo veio revelar que tudo isso poderia estar correcto depois do Homem limpar seu interior, tornando-se assim uma corrente anti hipocrisia;
3 – Creio que confunde o islão com os turcos otomanos, e relega as motivações para notar aspectos que lhe são subjacentes. Todos os impérios tentaram fazer valer suas tradições. Quero com isto dizer que mesmo que não houvesse motivação dos imperadores são as pessoas do império que buscam incluir seus preceitos no contacto com outros povos;
4 – Os valores e pressupostos que fornecem hoje a nossa visão do mundo foram estabelecidos pela sucessão de quatro movimentos fundamentais, começando no século XV: o Humanismo Renascentista, a Reforma, a Revolução Científica e o Iluminismo.
Mas nenhum deles, em todas as suas vertentes, e com toda as suas tentativas ditas de racionalidade foi capaz de imprimir o sentido de Unidade que o Cristianismo, per si, comporta.
E muitas religiões no século XIX tentaram parecer tão modernas e racionais para ganhar o respeito da nova cultura secular.
Sabe no que isto deu, Miguel? Em merda. Porque a cultura que não vinque os atributos cosmológicos do Ser não passa de uma feira de vaidades que procura oferecer o paraíso daquele que o julga ser.
“Os historiadores não reportam absolutamente nada que negue a matéria supra;”
No tocante à perseguição do paganismo durante o Império Romano, há ampla biografia sobre o assunto. Começou no século IV com Constantino. Recomendo a leitura de “God Against the Gods: The History of the War Between Monotheism and Polytheism,” de Jonathan Kirsch. A intolerância faz parte da genética do Cristianismo; nenhuma seita que julgue possuir a Verdade pode tolerar a existência de outras seitas. O Cristianismo demonstrou isso bastante bem. O Islão é apenas uma versão tardia dessa intolerância congénita.
“O problema do judaísmo residia no puro e no impuro e subjugava-se à norma – ver Talmude – ao invés de enaltecer o Homem.”
Os Judeus fizeram bastante por enaltecer o homem durante séculos, enquanto eram perseguidos por cristãos; quase sozinhos guardaram o conhecimento das artes e da ciência na Europa medieval; Portugal, por exemplo, entrou em declínio logo após a expulsão deles. Há que se perguntar porquê. O Cristianismo, longe de enaltecer o homem, desdenha do mundo físico em prol de uma fantasia do além.
“Creio que confunde o islão com os turcos otomanos, e relega as motivações para notar aspectos que lhe são subjacentes.”
Os Árabes que conquistaram a África do Norte e a Península Ibérica e tentaram estender essa conquista ao resto da Europa, não eram turcos otomanos, até porque o Império Otomano nasceu no século XIII; estou a falar das conquistas de VIII. Obviamente os Árabes legaram parte do desejo de conquistar a Europa aos Turcos. A ISIS quer restituir o califado original, o que incluiu território ibérico. Que é que isso tem que ver com os turcos? Estes são apenas parte de um fenómeno muito maior.
“Sabe no que isto deu, Miguel? Em merda.”
Acho que o baixar de linguagem era desnecessário. Seja como for, na merda já esteve o mundo durante o reinado cristão da Europa, com a sua perseguição de minorias religiosas, o seu ódio à ciência, a sua Inquisição, o seu Papado corrupto e a sua aliança com o absolutismo dos reis. Na merda ainda está grande parte da África onde a tradição cristã continua a vingar, como o facto de por lá se a pregar contra o uso de contraceptivos, que poderia fazer tanto para aliviar os problemas daquele continente flagelado pela mortalidade infantil, fome e SIDA. Na merda estão os países islâmicos que parecem parados no tempo das cavernas. A sua religião nunca serviu para grande coisa, não melhorou as pessoas, não lhes deu um motivo para serem boas, apenas lhe disse que podiam continuar a ser feras mas desde que pagassem uns dízimos no final da vida, teriam entrada certa no Paraíso. Portanto se estamos igualmente na merda com ou sem os tais “atributos cosmológicos do Ser,” eu pessoalmente prefiro estar na merda sem eles. Pelo menos serei responsável pela merda que faço e não terei de aturar a merda que os outros me impingem.
A biografia que diz existir é falsa.
Você faz um périplo para se convencer a si mesmo que o que afirma é verdadeiro. Até sobre a história da inquisição o Miguel revela ignorância, porque não existiu uma inquisição, mas inquisições. E a inquisição que diz ser do cristianismo até permitiu que, por exemplo, os Lusíadas tivessem sido aprovados.
A questão da aversão à ciência, que você afirma, nega que a mesma também foi feita por cristãos e certamente também foi contestada por alguns cristãos. Mas o Miguel pretende incluir cristãos e cristianismo, à maneira dos iluminados.
Sobre a merda, pretendi dizer-lhe que as mesmas perseguições que afirma terem sido levadas a efeito pelo cristianismo também se encontrou em muitos dos homens que afirma serem da ciência.
A sua abordagem, deveras ignorante, revela a faceta do que afirmei, e nem Kirsch o ajuda.
Em tempos, numa conferência levada a efeito no Brasil, o Dalai-Lama, criticando alguns dos seus, dizia que os budistas (e não se referia ao budismo enquanto religião) deveria seguir os mesmos passos de alguns cristãos, isto é, criar escolas onde evangeliza.
Por sua vez, Ghandi afirma o cristianismo algo maravilhoso oferecido ao mundo, não fossem os cristãos (certamente que se lembrava da atitude opressora dos Ingleses).
Bem meu caro, isto aplica-se a todos os homens, cristãos e não cristãos e até aos que andam a armar à ciência.
Finalmente, o Miguel ou é capaz de reconhecer os benefícios civilizacionais vindos de todos os quadrantes ou sujeita-se a morrer com ódio de si mesmo.
Você é livre de viver na merda que entender, a liberdade pertence-lhe.
Só porque a bibliografia refuta aquilo em que insiste em acreditar, isto é, na benevolência dos cristãos quando ganharam o poder do império romano, não quer dizer que ela não existe. Dei-lhe um exemplo, é só seguir o rasto da bibliografia.
Quanto à Inquisição, perdoe-me se, numa informal conversa de internet, para abreviar a questão, preferi generalizar em vez de me pôr a destrinçar as miudezas de cada ramo dessa instituição. Não percebi que estava a defender o meu doutoramento.
E quanto às afirmações de Gandhi e Dalai Lama, confesso que o argumentum ab auctoritate não me impressiona muito; se o Dalai Lama acredita mesma na evangelização, isso só o torna desprezível aos meus olhos. E ainda bem que o indiano considera o cristianismo uma dádiva ao mundo. Eis aquilo em que eu acredito: contrário ao mito, não foi a não-violência que libertou a Índia; foi o facto de o Reino Unido estar debilitado depois da II Guerra Mundial e não conseguir, com alguns milhares de funcionários públicos, controlar um país com milhões fartos de serem governados pelos mesmos; com ou sem violência, era inevitável, e acho que o papel da violência tem sido muto subvalorizado na história da independência da Índia, mas como mito não é tão interessante. Eu sou a última pessoa a quem vai impressionar com o nome de Gandhi.
E porque é que eu haveria de morrer com ódio de mim mesmo? Sinto-me bastante bem comigo próprio.
Você confunde fé com conhecimento. O que se discute é o conhecimento e não a crença.
Não é verdade o que afirma, não foram os cristãos que ganharam o poder no império, foi Constantino que se converteu por ter ganho uma batalha. Eles, os cristãos, simplesmente passaram a usufruir de direitos que lhes eram negados.
A inquisição necessita mesmo de ser escrita, mas escrita nos seus devidos termos, com ou sem doutoramentos.
Meu caro, as citações feitas de Ghandi e do Dalai-Lama visavam mostrar-lhe o que as pessoas que sabem sobre o cristianismo pensam, eu disse as que sabem. Dalai-Lama exalta a educação e o acesso à instrução. Esquece que as escolas existentes nos mais recônditos cantos do mundo onde estiveram cristãos ofereceram um enorme potencial de progresso a esses povos, não obstante os erros também, repito também, praticados por cristãos.
A Inglaterra, forte ou fraca, seguiu o mesmo caminho de todos os impérios. O tema não era este.
Alguém que vive a lamentar-se de heranças que até desconhece só pode envergonhar-se e ter ódio de sua condição.
Bem, se um emperador romano se converte ao Cristianismo e a primeira coisa que faz é começar a perseguir não cristãos, isso só mostra que a) ele não aprendeu a ser um cristão a sério, que, de resto, é o velho problema: cristãos a ignorarem os ensinamentos de Cristo; eu que sou ateu se calhar passo mais tempo a praticá-los do que muita gente que afirma seguir essa fé; e b) o Cristianismo não é assim tão útil afinal de contas, se quem afirma pertencer a ele não se transforma, subitamente, numa pessoa melhor. Existe a natureza humana e existem sistemas feitos à revelia da mesma; Cristianismo, Fascismo, Comunismo, até o Cientismo, são sistemas que ignoram descaradamente a psicologia e o comportamento humanos básicos. É por isso que eu não me junto a nenhum, ainda que, por meras razões práticas, reconheça mais valor na ciência do que na religião.
“A inquisição necessita mesmo de ser escrita, mas escrita nos seus devidos termos, com ou sem doutoramentos.”
Fala como se não houvesse milhares de livros sobre a Inquisição e as suas várias franchises. O que se calhar não há é um que a exalte, talvez seja isso que o chateie; infelizmente todos parecem concordar que foi terrível e atrofiadora e que não serviu para grande coisa. Talvez você possa escrever o livro que prove o contrário.
E volto a garantir-lhe que não vivo com ódio de mim mesmo; tenho plena consciência do papel do Cristianismo na história de Portugal; eu por acaso, de vez em quando, até leio um livro de história. Mas como o Herculano não tenho grande fé em teopsias que antecedem batalhas decisivas para a nação. O Cristianismo é apenas um facto histórico que aceito, não quer dizer que tenha de viver obcecado por ele, nem sinto um qualquer dever para a portugalidade de defender essa identidade cristã que herdei. Há coisas mais nobres por que viver.
1 – O Miguel diga lá quem foi que Constantino perseguiu, e o que foi que ele negou pelo facto de ter atribuído ao Deus cristão sua vitória? Aqui chegados, a partir de agora vamos ser precisos e objectivos. E só avançarei de acordo com suas precisões, e minhas também.
2 – Se tiver em conta seus anteriores escritos verificará que se contradiz sobre a perspectiva que tem do cristianismo com a seguinte afirmação: “isso só mostra que a) ele não aprendeu a ser cristão a sério”. Significa isto que o cristianismo é para levar a sério, não? E que o Miguel encontra seriedade no cristianismo, não?
Também verifico que o Miguel, como ateu, pratica durante mais tempo o cristianismo. Parabéns, eis o que eu considero as virtudes cristãs no ateísmo.
Vamos agora à psicologia: a prática da confissão, que encontramos espelhada nos evangelhos, e levada a efeito pela ICAR, não é uma mera conversa entre pessoas, é a oportunidade, quando as outras oportunidades cessam, de harmonizar a pessoa em si e fortificá-la para enfrentar o que outros lhe possam negar. A confissão não é para compadres/comadres que confessam os pecados da(o)s outro(a)s; é para aqueles que desejam no mais íntimo de si mesmos ter a oportunidade de dar de si mesmo.
Se houver um(a) psicólogo(a) que lhe negue esta afirmação, chegue-se à frente .
Outro caso concreto, e isto agora é uma partilha pessoal das pesquisas e estudos levados a efeito. Os Evangelhos relatam-nos a história de Madalena, a mulher possuída por 7 (sete) demónios (o número 7 ou 70×7, na bíblia, ao invés de excesso simboliza a remoção do limite implicado na totalidade). Também na Bíblia vislumbra-se a rejeição social por parte desta mulher, a quem se atribuiu o estatuto de uma prostituta arrependida e até mesmo se incluiu como uma mulher apedrejada por adultério.
Ora, na antiga prática judaica a prostituição não era condenada (aliás, Jesus desfere um golpe contra aqueles que passam longas horas em “oração” em casa das viúvas, que eram mulheres desprotegidas que por morte do marido e na ausência de um filho varão que as protegesse e sustentasse podiam ser presa fácil de muitos, pois não ganhavam o sustento, fruto da norma social) e muitos menos se sujeitava uma prostituta ao apedrejamento, isto só ocorria em casos de ADULTÉRIO.
Aqui chegados, Madalena para mim não é uma prostituta. É uma mulher solteira, com idade superior à idade de casamentos da época, insubmissa às normas de seu tempo e, por isto mesmo, era considerada aos olhos dessa época como uma mulher possessa, por contrariar a tradição. Estamos perante um mulher “rebelde” que quer afirmar-se num meio que lhe nega espaço para ser como é.
O seu encontro com Jesus revela-nos que existe uma alteração substancial de sua condição ao ponto de ser aceite entre os seus apóstolos, juntamente com outras mulheres de posição que providenciavam também o necessário conforto à comunidade, incluindo Jesus, que se dedicava à evangelização, isto é ao anúncio da Boa Nova.
Se não vê nestas atitudes, por parte de Jesus, um preceito também científico na libertação de uma mulher extraordinária para seu tempo, permita que lhe diga que estas matérias só podem ser abordadas por quem nelas coloca o nariz a fundo e “fareja” até ao mais ínfimo pormenor.
Encerramos o capítulo sobre a psicologia.
As inquisições são iniciadas por reis (e com inquisidores nomeados também por reis), e tiveram certamente a adesão de muitos clérigos, e secundadas por bulas. Recomendo a pesquisa sobre a espanhola, a pedido dos reis católicos, e a leitura da bula de Sixto IV de 01 de Novembro de 1478 (exigit sincerae devotionis affectus);
Portugal: bula sobre o estabelecimento do tribunal Cum ad nihil magis, assinada pelo Papa em 23 de Maio de 1536
A romana, com características diferentes: bula de 4 de Julho de 1542 Licet ab initio.
Nota: pesquisar também a bula de Sixto V, de 22 de Janeiro de 1588, sobre a competência de 15 congregações.
Por último, sugiro-lhe a leitura de uma obra editada pelo Circulo de Leitores: História das inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Francisco Bethencourt.
E sugiro que consulte e siga as bibliografias aí referidas para que possa ter uma percepção sobre o que era isto das Inquisições e fazer tal leitura à luz do pensamento desse tempo.
Pode consultar estes livros, entre outros:
Christianity: The First Three Thousand Years, Diarmaid MacCulloch
Christianizing the Roman Empire, Ramsay MacMullen
The Decline and Fall of the Roman Empire, Edward Gibbon
E se os achar demasiado parciais, pode sempre consultar o “Código de Teodósio,” escrito por cristãos, onde está amplamente descrito o tratamento que os crentes devem dar aos pagãos pelas suas alegadas heresias.
Quem é que Constantino perseguiu? Quer o quê? Um nome exacto? Uma pessoa concreta? Não lha posso dar; ele iniciou a perseguição das seitas que adoravam os antigos deuses romanos; mandou pilhar e derrubar templos. É o que os testemunhos da época atestam.
Quanto à seriedade do Cristianismo, de facto não o levo muito a sério; mas espero que quem professe segui-lo o faça; ora, os preceitos de Cristo, acho que podemos concordar nesse ponto, têm que ver com amor e tolerância. Um cristão a sério deve pautar-se por esses valores. É uma questão de coerência.
Quanto aos temas da confissão e valorização, eu não os levantei, isso é uma divagação sua, e não me vou meter nela; obviamente concordo que elevar o estatuto da mulher é positivo, e Cristo deve ser aplaudido. Mas mais uma vez, o que ele fez e ensinou durante muitos séculos não encontrou concordância com as acções dos seus discípulos. Infelizmente esse é o tópico a que temos sempre de regressar: a hipocrisia dos crentes, que se definem como cristãos sem dar substância a essa identidade. É um rótulo vazio para muitos.
No atinente à inquisições, sim, eu sei que foram os reis que as pediram; eu por acaso já li Herculano e Oliveira Martins e estou a par dos passos da sua implementação em Portugal. Aliás, se me recordo do que Martins escreveu, o Vaticano, honra lhe seja feita, esteve contra. Mas mais uma vez, temos reis cristãos a usarem a força e a perseguição para calarem heresias e travarem o pensamento.
Eu ainda não percebi aonde é que quer ir com tudo isto. Eu julgo que tenho sido coerente até agora, enfatizando a hipocrisia do Cristianismo nas suas muitas eras; mas você, que deveria estar a tentar refutar-me, só me vai ajudando. Esta discussão está a tornar-se inútil e circular e não vale a pena insistir nela.
Você é um artista, Miguel.
Coloco-lhe as questões concretas e você vem com floreados e temas de encantar.
Diga quem foi que Constantino perseguiu. É esta a questão.
Diga em que é que o cristianismo nega a ciência e a psicologia. É esta a questão.
Diga quais os cânones que encontra no cristianismo, quer nos textos canónicos quer nos agrafa, que revelam a exclusão do todo e a perseguição a outros. É esta a questão.
As contradições são suas. Até mesmo na matéria da inquisição. Afirma uma coisa e depois admite o contrário.
O Miguel faz uma confusão enorme. Eu compreendo esta confusão. Os seus textos, e a estrutura dos mesmos, indicam que o Miguel é alguém bastante novo e que tem um percurso longo a percorrer quer em matéria do conhecimento quer em matéria de vida.
E o Miguel pensa que as bibliografias que apresenta servem de espuma para a matéria em questão.
Aquilo que envia nada tem que ver com os temas abordados- O império romano, quer o do Oriente, com base em Constantinopla, quer do ocidente, desfez-se com as ondas nacionalistas que inevitavelmente surgiam. Todavia a estrutura legal e administrativa, incluindo os modelos económicos primários (excluo o sistema financeiro) que ainda hoje se vive, são influências desse mesmo império. São um legado único para a humanidade.
E também confunde a expansão do cristianismo com os modelos persecutórios perpetrados também por cristãos. Eu disse também. Mas não o vejo falar das extraordinárias obras culturais e científicas oferecidas à humanidade pelos cristãos.
Você vive um pensamento sectário que é fruto de uma vaidade pseudo-académica que circula neste Portugal dos pequeninos armado em sabedor que, para se mostrar muito avançado e culto, toma como bandeira a afirmação de ser ateu por julgar conferir-lhes uma dimensão cultural da era das estrelas. Mas este Portugal é um Portugal de campónios a armar em citadinos. Envergonha-se de suas raízes e remói seus ressentimentos escudando-se no denegrir por denegrir e afirmar por afirmar. Claro que há excepções, pouquíssimas.
E quando confrontados com matérias objectivas, enrolam-se em parangonas sem serem capaz de as traduzir clara e perceptivelmente. E porquê? Simplesmente porque não sabem e transformam-se em marias-vai-com-as-outras.
Bom fim-de-semana, e sem rudeza fico por aqui. Encontrar-nos-emos por aí.
Eu tenho pena de si, nem consigo imaginar como é que dever ter de ser o Vento 24 horas por dia, vivendo em absoluta negação de tudo o que se tem escrito sobre o Cristianismo há mais de 2000 anos.
A perseguição das divindades romanas está mais do que bem documentada; eu até lhe sugeri a leitura do Código de Teodésio, um livro cristão que estabeleceu o tratamento contra o paganismo. O atraso científico e intelectual da Idade Média está bem documentado. Toda a gente conhece a perseguição de cientistas. Se ignora a leitura dos documentos que têm servido de base para trabalhos académicos durante anos, o problema é seu.
O Vento claramente orgulha-se de ser cristão, nota-se até chauvinismo nisso, e não tolera que ninguém se oponha a ele; infelizmente eu não tenho armas contra a intolerância e a mesquinhez de espírito. Dispenso, porém, leituras sociológicas ou psicológicas do meu absoluto desinteresse na sua seita. Pequeno é o Vento por pensar que a minha postura demonstra uma provincial vaidade pseudo-académica; se esse é o caso, então todo o mundo sofre desse provincialismo tendo em conta que o ateísmo é hoje um facto global, assim como o é o repúdio do triste passado cristão que causou tanto mal à Europa. Eu não me sinto pequeno, não me sinto campónio, sinto-me bastante cosmopolita por poder pertencer a um grupo que inclui homens como José Saramago, Voltaire, Noam Chomsky, Bertrand Russell, Richard Dawnkins, Robert Anton Wilson, Sam Harris e Christopher Hitchens, entre outros.
Mais uma vez você foge das questões que se patenteavam nos anteriores comentários. E vem com perseguições de divindades romanas para tentar fugir às questões em concreto. Vai ver que Neptuno e Baco estão mesmo ressentidos com a perseguição levada a efeito.
Não só não o deixo sair daí como não me impressiona a sua tentativa de se escudar através de nomes a que presunçosamente quer assemelhar-se. Diga-me quem foi que Constantino perseguiu!?
Eu aceito o ateísmo culto que não coloca em questão as virtudes dos demais. E você querendo fazer-se passar por este cosmopolita só mostra a ruralidade daqueles ateus a que eu pretendia referir. Dito isto, a sua tentativa de colagem a importâncias que revela não ter, e que se esforça por fingir que sim, morre nisso mesmo, numa tentativa vã.
Depois pula do Império para o atraso científico da idade média, como se a idade média fosse a razão de todas as desgraças que o mundo colheu.
Mas esquece por exemplo o legado de Bento, de Agostinho de Hippone, de Irineu, de Tomás de Aquino, de João da Cruz, de Francisco, de Cipriano… e de todos os outros anteriores e posteriores a estes. Inclusive esquece a escolástica na idade média. (tome lá para evoluir um pouco:http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/o pombo/hfe/momentos/modelos/escolastica.h tm) (tome lá outro para não cair do cavalo: http://www.consciencia.org/filosofia_med ieval8_escolastica.shtml), este último, só para o obrigar a estudar, vai por temas.
Eu mais acima disse esquece em tom ligeiro, porque na realidade o Miguel ignora, e eu não ignoro nem estes nem aqueles que refere, o que me confere uma maior autoridade ética e moral para reiterar tudo quanto lhe afirmei anteriormente e o que agora afirmo.
Eu estou grato pela pena que sente por mim, e sei que está a fazer um esforço piedoso para me instruir. Por isso mesmo volto a pedir-lhe que responda às questões colocadas e que você apontou.
Não vá a seita a que eu pertenço manter-se na ignorância pela pouca falta de vontade de um tão ilustre académico.
O ateísmo já era um facto global mesmo antes de surgirem os ateus pseudo-académicos de seu tipo, ainda que, diga-se em abono da verdade, o instinto religioso do Homem é aquele que domina em todos os quadrantes geográficos e da vida social.
Só sente vergonha disto quem anda a armar aos cucos. Faça-me a caridade de não perder a pena por mim, eu quero continuar a ser instruído por si.
Mas, Vento, eu não fugi de nada; desde o meu primeiro comentário que tenho sido consistente em criticar o passado persecutório do Cristianismo; você é que tem estado em divagações sobre a confissão, as prostitutas, a psicologia e sei lá mais o quê que não tinha nada que ver com o meu comparar o Cristianismo primitivo ao Islão moderno e afirmar que soluções idênticas eram necessárias para lidar com o problema deste último. Você é que começou a divagar, porque viu alguém a maltratar o seu amado Cristianismo, e teve de mudar de assunto.
“Eu aceito o ateísmo culto que não coloca em questão as virtudes dos demais.”
Então não deve aceitar Bertrand Russell, uma vez que ele comparou Cristo desfavoravelmente a Buda e Sócrates no tocante às virtudes e à sabedoria. Presumo que conhece o excelente livro dele, “Why I am not a christian.” Também não deve aceitar o ateísmo de Saramago, para quem a Bíblia era um manual de maus costumes. Só deve aceitar aqueles ateístas bem-comportados que calam a boca e não causam estrilhos. Pois, esses não me interessam muito.
Assim como também não me interesso muito pela Escolástica; conheço-a, não profundamente, admito-o, mas o pouco que apanhei num e noutro livro de história leva-me a concluir que não passa de uma catedral de palavras sem qualquer sentido, apenas tomos e tratados e textos cismando sobre questões da Bíblia, pontos doutrinários, labirintos que não saíam da estreita vista imposta por uma fé que negava qualquer coisa que colidisse com o Evangelho. Eu lembro-me vagamente, muitos anos atrás, de ter lido o Tratado do Primeiro Princípio, de João Duns Escoto, nas Edições 70, e aquilo não passa de um mistifório de quimera sem nexo. A Escolástica é um dos maiores desperdícios de raciocínio da história. E quanto aos seus nomes sonantes, por acaso já li As Confissões de Santo Agostinho, bem, em inglês, nas edições da Oxford World Classics, e fiquei com a impressão de que ele foi um dos mais horríveis homens que alguma vez viveram, um dos mais claros defensores do totalitarismo da alma que com que alguma vez me deparei. Apenas lhe cito este excerto:
“But when God commands something contrary to the customs or laws of a people, even if that has never been previously done, it has to be done. If it has fallen into disuse, it must be restored. If it has not been established, it must be established. If it is lawful for a king in a city within his realms to give an order which none before him nor he himself had previously issued, and if it is not contrary to the social contract of this city to obey, or indeed if it would be contrary to the social agreement not to obey (for there is a general consensus in human society that kings should be obeyed), then how much more must God, the government of all this creation, be unhesitatingly obeyed in whatever he commands!”
Isto é misantropia, isto é subserviência, isto é falta de auto-estima, isto é cegueira. Por outro lado, o amor que ele tinha pela mãe era louvável; algo de humano ainda havia nele, apesar de tudo, felizmente foi essa semente que o Cristianismo nunca conseguiu obliterar do espírito humano e que ressurgiu séculos mais tarde para nos libertar deste vil cativeiro intelectual.
Mas da mesma forma que Santo Agostinho não compreendeu como estes terríveis sentimentos de abjecção e sujeição entravam em conflito com a mensagem de amor de Jesus Cristo, também não espero que o Vento compreenda a inanidade que anda a pregar por aqui. Por isso mais uma vez sugiro que isto termine de uma vez por todas, não vamos a lado nenhum.
O meu caro com essa conversa toda quer fazer duas coisas:
1 – Deitar a toalha ao chão relativamente à questão de Constantino, o perseguidor, segundo a sua tão instruída visão histórica. Depois, quando confrontado com factos, vem dizer que já tinha conhecimento e que até já tinha feito um ralizito pela matéria. Todavia ocultava o que sabia para poder demonstrar que a falta de auto-estima reside naqueles que dizem mal dos outros julgando que se valorizaram. Que é o que você faz. Está bem, eu não insisto nas perguntas sobre os temas que na sua ignorância atrevida quis lançar ao ar;
2 – Dá umas voltas e faz umas gincanas para querer mostrar que é um académico de alto gabarito em matéria de conhecimento e pensamento. Pois bem vamos então à discussão que o meu caro quer trazer à colação.
Eu não vou escrever sobre aqueles que refere, mesmo sobre Saramago a quem defendi no Brasil por ter sido mal interpretado nas suas críticas à actuação de alguns sectores da ICAR (verdadeiras, diga-se), mas também a quem considero que muitas imprecisões sobre a sua perspectiva Bíblica resultavam do facto de se ter deixado moldar por uma catequese da meninice e que o tornou incapaz de vislumbrar outros horizontes. rticle/download/154/141 ·
E não escrevo também sobre estes porque não são estes que estão a dialogar comigo, mas sim um ignorante a armar em esperto que até cita um excerto atribuído a Agostinho para dizer que o mesmo é um homem horrível e um defensor do totalitarismo da ALMA.
Uma vez que não me surpreende a sua impressão acerca de Agostinho, surpreende-me que um ateu convicto defenda a ALMA em que não acredita.
Para compreender a “Cidade de Deus” e a perspectiva de PEREGRINO em Agostinho de Hippone nada melhor que lhe apresentar o pensamento geral e não um excerto:
http://www.unicap.br/ojs-2.3.4/index.php/agora/a
Para complementar o entendimento sobre a natureza mística e espiritual dos homens de fé e de conhecimento e que acreditam na fé que ilumina a razão, gostaria de lhe mostrar a perspectiva de um crente moderno que se entranha pelas mesmas áreas deste pensamento: YI
http://www.youtube.com/watch?v=EtWr04MBG
Dito isto, venham daí as suas objectivas críticas ao cristianismo e a sua visão sobre a Bíblia. Gostaria que colocasse em cima da mesa seus pensamentos e que não se escudasse nas minhas contestações para divagar sobre o que realmente desconhece.
Não sou eu que o expulso do diálogo, é você que quer encontrar uma saída airosa da sua própria arrogância.
Eu continuarei por aqui para lhe demonstrar essa mesma ignorância que você julga sabedora. Repare que eu não contesto as suas “bipolares” opiniões nem tampouco sua legítima opção, eu só contesto a ignorância atrevida e provocatória sobre as opções dos outros e sobre as falsidades que apregoa em nome de uma história que quer escrever por seu punho.
Fico à sua espera com transcrições concretas da mensagem cristã e não das suas presunções sobre o cristianismo.
Passou-me incluir um comentário, que é precisamente o facto de você enaltecer a mensagem cristã, o enaltecimento do Amor em Jesus, e contrariá-la em simultâneo nas percepções que aponta sobre o cristianismo e não compreender que é isso mesmo que caracteriza a inanidade, em si.
E a sua confusão é ignorância reside no facto de não só não compreender o pensamento cristão como também não compreender que o instinto religiosos do homem não é histórico, é o desenvolvimento desse instinto que se constitui como um excelente registo histórico. O sentido de peregrinação não é um mero movimento muscular, é antes um caminhar que permita descobrir os verdadeiros contornos da Verdade.
E aquilo que você tem vindo a fazer é o enaltecimento da Mentira esquecendo por completo a Luz que também brilha nas trevas.
Por outro lado, em aditamento ao anterior comentário. Você não entendeu o sentido da palavra cosmológico. E não entendeu porque vê a ciência como emanação de um não sei quê que ainda não foi capaz de traduzir em palavras, e julga que este atribui faz parte de uns quantos eleitos, exactamente na mesma proporção de muitos que crítica.
Quanto à questão basilar do judaísmo, reitero minha afirmação. Aliás, se estiver atento ao fenómeno Ad gentes perpetrado pelos judeus-cristãos e outros mais, com Paulo a sobressair, certamente que se coibirá de afirmar o que ignorantemente afirma.
Olá miúda.
O que eu acho é que…
As religiões, tal como as Empresas, são criadas e geridas por pessoas…
É óbvio que o Cristianismo, não foi criado por Cristo e que São Paulo, um romano educado por judeus foi o detonador da nova seita …
Que Cristo era apenas um dos muitos Messias judeus interessado em libertar os Israelitas do domínio Romano. Tendo morrido por condenar a elite religiosa e colaboracionista do seu tempo.
É também sabido que Maomé, era analfabeto e consequentemente, não escreveu nem mandou escrever o Corão, peça central do Islão.
Que o Deus dos Judeus os elegeu como o povo eleito, o que o torna um racista.
Que o Deus dos cristãos é ao mesmo tempo Uno e uma tríade, Pai, Filho e Espírito Santo o que torna a explicação da unidade de Deus uma coisa difícil.
Curiosamente, estas três religiões, cujos respectivos seguidores se chacinam alegremente à várias gerações, têm na sua essência uma base comum, básica, clara e simples.
Os 10 mandamentos.
A conclusão é pois óbvia, os problemas do Mundo, não resultam, nem nunca resultaram das doutrinas centrais das Religiões, todas elas defendem o amor ao próximo, o perdão, o não matarás, etc. e tal.
O problema central das sociedades, tanto antigas como actuais, resulta portanto dos que gerem a máquina e acabam por se tornar, os donos das verdades, do poder e do dinheiro.
Era eu ainda um jovem imberbe, quando li num livro uma frase que nunca mais esqueci e que dizia mais ou menos o seguinte:
No Mundo existem 2 tipos de pessoas, os bons e os maus; os ricos e os pobres; os inteligentes e os estúpidos.
O governo do Mundo sempre pertenceu aos ricos, inteligentes e maus.
Nesta vida, as coisas são sempre feitas com base na opinião, interesse e esforço de uns, contra a opinião, interesse e esforço de outros, Grandes Religiões, Impérios e Empresas incluídos.
Neste exacto momento, a Historia do Mundo continua, feita pela vontade de uns contra a vontade de outros, aí nada mudou …
O nosso problema é que chegou a vez de a nossa geração fazer também qualquer coisa, o futuro se encarregará de nos julgar.
Bjs,
Para já, Zé, e este é o ponto deste post, o futuro – próximo, digo eu – se encarregará de julgar quem representa hoje o islão moderado.
Pois é, o meu problema é que eu não acredito nessas definições de moderados e extremistas.
Olhando para o Mundo, fico com a sensação de que Deus, a existir, ama a variedade.
Ou talvez, dizendo o mesmo de outra maneira, que os homens apesar de verem e lerem a mesma coisa, interpretam, comportam-se e dão importância a coisas diferentes.
É um pouco como a comida, com os mesmos ingredientes, fazem-se comidas muito diferentes…
As razões para isso são muitas, a verdade é que nenhuma religião e posteriormente as suas derivas, nasceram do zero.
Nasceram no meio de sociedades que tinham uma cultura e objectivos de vida totalmente diferentes do nosso.
Eu formalmente, não me considero cristão, mas isso não quer dizer que não o seja, a nossa sociedade está profundamente impregnada de posturas, subentendidos e leis que são o mais Cristãs possíveis e no entanto são-nos inquestionáveis e naturais.
O Islão e os países onde é maioritário, não fogem a esse mesmo paradigma.
Como referi, os grandes Impérios, sejam de que tipo for, são sempre feitos por uns contra outros e sobre esse ponto de vista, o Islão em geral e os países por ele influenciados em particular, têm sido nos últimos séculos dominados, manipulados e enxovalhados, por católicos, ortodoxos, protestantes e hindus que têm explorado as suas riquezas e desprezado a sua religião, e a sua maneira de encarar o Mundo, porque o querem e podem fazer.
Não estou com isso a dizer que uns são maus e outros são bons, os Otomanos islâmicos, praticamente exterminaram os Cristãos Arménios e também ninguém mexeu um dedo.
Onde eu quero chegar é que o centro do qual todas as religiões partem, o amor ao próximo, o não matarás, o amarás o teu semelhante e outras grandiosas e excelentes intenções, são rapidamente esquecidas, pelos interesses dos que já são ou pretendem ser poderosos.
And when the shit hits the fan, todos nos tornamos peças num jogo complicado, onde ficar parado não é opção e onde a velha máxima do quem não é por nós, é contra nós, impera…
Os tais do amor ao próximo, acabam a levar dos dois lados.
É por demais óbvio, pelo menos para mim, que os ideólogos e financiadores dos combatentes Islâmicos, pretendem uma guerra entre civilizações e que o Ocidente que se sente muito bem com a vida que leva, não pretende tal confronto.
É por isso que eu falo no julgamento que a história inexoravelmente fará da nossa geração.
No Ocidente, justificadamente, todos queremos ter vidas longas e prósperas e todos, ou pelo menos a larga maioria, temos qualquer coisa a perder, infelizmente em muitas áreas do Mundo o filme é outro completamente diferente.
Alea Jacta est, sabemos como começou, veremos como vai acabar e o que nos vai ser pedido, o tempo, a vida e a história não param nem esperam.
“É por demais óbvio, pelo menos para mim, que os ideólogos e financiadores dos combatentes Islâmicos, pretendem uma guerra entre civilizações e que o Ocidente que se sente muito bem com a vida que leva, não pretende tal confronto” – para mim o que é óbvio é que há muita gente a ganhar rios de dinheiro com esta guerra entre civilizações e que são esses senhores da guerra os primeiros responsáveis pela barbarie a que assistimos. São eles que dão poder aos tarados que levam a “guerra santa” a sério, através do armamento que lhes vendem.
Conheces alguma guerra onde isso não tenha acontecido?
Quem é que andou a financiar e a formar os “free fighters” no Afeganistão, o embrião dos actuais movimentos Islâmicos e a oferecer misseis Stinger como se fossem bolinhos de chá?
Quais são os países que mais dependem da Industria de defesa, para o crescimento do PIB?
Certo. Mas não diabolizo os EUA. Têm sangue nas mãos? Têm. Na política não há inocentes.
Se tiver que dividir o mundo entre bons e maus o meu critério será alinhar regimes democráticos de um lado e ditaduras (sejam de direita ou de esquerda) do outro.
Aí estou 100% contigo, ainda que o conceito de democracia, nos dias que correm tenha muito que se lhe diga.
Bjs
Então estamos em sintonia, Zé 🙂