Foram ontem publicadas no Diário da República duas resoluções que se revestem da maior importância e que, por isso mesmo, devem ser seguidas com atenção relativamente aos passos que serão dados pelo Governo na sua concretização.
Quem contacta regularmente com serviços da Administração Pública, central ou periférica, desconcentrada ou regional, certamente que notou a quantidade de reuniões que são promovidas entre diversas entidades ou no âmbito de órgãos colegiais, muitas delas sem qualquer interesse prático, com a participação de imensa gente, improdutivas e, por essa mesma razão, caras aos contribuintes. Ora, acontece que muitas dessas reuniões, reflexo da macrocefalia e atraso no processo de regionalização, têm invariavelmente lugar em Lisboa, pelo que diariamente inúmeros funcionários rumavam à capital para reuniões. Em carro próprio ou dos serviços, mas sempre com os custos inerentes em combustível, portagens, refeições e, tanto quanto sei, em ajudas de custo.
Ao aprovar, com anos de atraso, as Resoluções n.ºs 36 e 37/2011, a Assembleia da República dá um passo na direcção certa. Não sei se o parlamento possuía números que o tivessem levado a fazer as recomendações, mas teria sido interessante saber quanto têm custado essas deslocações aos contribuintes. Pena que não tenha sido o Governo, um qualquer dos tantos que tivemos, a antecipar-se a essas resoluções tomando as medidas que então se impunham. E continuam a impor-se, agora com mais razão do que nunca.

