Duas conclusões (e uma sub-conclusão) pós eleitorais


João Pedro Pimenta,

Não vale a pena vir para aqui fazer as análises das eleições porque podem encontrá-las para todos os gostos nos jornais, na TV, no Facebook, nas rádios e podcasts, nos twitters desta vida, etc. Seria uma perda de tempo. Mas deixo aqui duas conclusões que me ficaram destas eleições, e às quais cheguei  enquanto vagueava pela zona onde mora uma das grandes figuras da campanha, Zé Albino de seu nome.

Entre os que não tinham representação parlamentar, todos tiveram resultados paupérrimos. Como curiosidade, lembram-se do Aliança? Aquele partido que há pouco mais de dois anos seria o futuro do centro direita e até tinha um senado? Pois ficou em último (o PPM só concorreu nas regiões autónomas) com menos de dois mil votos – conferir aqui. Não admira: o seu mentor, Santana Lopes, única razão para a sua existência, veio declarar apoio a Rio e parte dos candidatos das suas listas apelaram afincadamente ao voto no CDS. Que há três anos, com Cristas, iria crescer como nunca e ultrapassar o PSD, segundo juravam alguns militantes. E o PAN era o futuro.

O cenário político está cada vez mais curto e imprevisível, pelo que mais vale não tentar adivinhar o futuro e quais serão as next big things partidárias. Essa é uma das conclusões que tiro, embora isso já me ocorresse há uns tempos.

A outra é que mesmo uma boa campanha eleitoral pode não decidir nada. O PSD mostrou uma capacidade de mobilização e um entusiasmo que há muito não se viam, ao passo que o PS, tirando umas arruadas no fim, parecia titubeante, com Costa a usar uma táctica numa semana e outra completamente diferente na seguinte.

 

E dentro desta, uma sub-conclusão: pelo menos nesta eleição, os grandes generais, os ex-líderes partidários, não serviram de muito. Rio teve a seu lado Manuela Ferreira Leite, Menezes e um inesperado Santana, como vimos, desprovido de qualquer pudor. Louçã apareceu a discursar num comício do Bloco. Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro apareceram em acções de campanha, principalmente na arruada final, ao lado de Chicão. No PS, que me lembre, só episodicamente Ferro Rodrigues e umas bocas de Sócrates que apenas repele votos. Nenhum dele acrescentou grande coisa, a avaliar pelos resultados finais.

 

6 comentários em “Duas conclusões (e uma sub-conclusão) pós eleitorais”

  1. Ventura onde na cnn do aturdido magalhães sobre o ps:
    « discurso muito bonito, mas depois ANDAM TODOS NO GAMANÇO »

  2. A metade dos eleitores que ainda se empenham em seguir, e em votar, na indústria política, óbviamente não segue os avisados conselhos dos cada vez mais desacreditados e enfastiosos profissionais desse negócio.
    Apenas, humildemente, votam com a carteira.
    Esses, os que votam, mais de 60% do nosso universo eleitoral, sabem que ainda quem entorna uns magros trocos na sua carteira é o Estado socialista. Que Deus o guarde.
    Quem falou em mexer nisso morreu, politicamente, nesta voráz indústria.

  3. Entre os que não tinham representação parlamentar, todos tiveram resultados paupérrimos.

    Isso é em parte porque nestas eleições, ao contrário do que acontecera nas anteriores, a comunicação social não lhes ligou praticamente nada.

    Nestas eleições havia 9 partidos já representados no parlamento (ao contrário das eleições anteriores, em que havia muito menos), e a comunicação social toda, sem exceção, decidiu dar igual atenção a esses 9 partidos, e atenção nula a todos os restantes. Em eleições anteriores a comunicação social dava alguma atenção também aos partidos que não estavam já no parlamento.

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