Há actores que brilham por estes dias. Ryan Gosling é um deles. Chamou-me a atenção em Half Nelson, e no Blue Valentine levou-me, com a extraordinária Michelle Williams, às lágrimas. Em Drive, filme que vi ontem, Gosling é um altruísta invulgar – a real hero, como o título de uma das canções da banda sonora –, embora na perspectiva de outra personagem ele seja apenas um homem que faz uma coisa estúpida: protege uma mulher casada, em vez de dormir com ela. No desempenho deste ofício protector, os gestos enigmáticos do condutor, onde vislumbramos a violência e a raiva que serão as suas armas, carregam o peso de uma vida com poucas coisas boas, com poucas coisas memoráveis. Pois: o cinema volta a estabelecer uma relação entre a condução e o desgosto da existência, o que se confirma no final, quando nada mais há a fazer senão conduzir. Adorei.
